BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
28
Mar 18

Opinião de Jesus Martinho publicada no seu Facebook:

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Por todo o concelho de Fafe encontramos paisagens pitorescas, recantos onde o homem soube conservar e resgatar a herança do passado: A antiga ponte do “Prego” que, na verdade, devia chamar-se do “Pego”; Uma passagem pedonal sobre as águas do Vizela que, aqui, foram desviadas para dar movimento ao velho moinho, renascido das cinzas, ostentando a memória de um tempo rural, há muito “interrompido”.

A bela Cepães, herdeira de uma Honra Medieval, preservou esta maravilhosa paisagem, onde a mão humana harmonizou com a natureza.

O rio, esse… já teve dias melhores… Já viu o seu quieto caudal de Verão ser agitado pela irreverencia juvenil; sentiu improvisadas canas de pesca furtarem-lhe o peixe, alimento para tantas bocas; Regou sementes de espigas douradas, em terra fértil…

Contudo, este belo quadro falseia uma triste realidade: A incúria dos gananciosos. Daqueles que lançam ao rio as sobras envenen

adas da sua riqueza.

Este quadro, só será verdadeiramente belo quando o Rio Vizela for devolvido ao seu legítimo proprietário… o Povo!
publicado por blogmontelongo às 18:00
08
Jul 17

Opinião de Carlos Afonso publicada no jornal Expresso de Fafe:

 

Moro na Urbanização capitão Salgueiro Maia, perto da Fábrica do Ferro, há dezanove anos, e sempre me habituei a viver com as angústias do rio que por aqui passa. O nome deste pequeno rio é Ferro, circunstância herdada de um destino aparentemente triste, e que nunca mo foi explicado, pois a simplicidade e fragilidade deste rio não denotam nome tão duro e frio. O que sei é que foi o rio que deu o nome à fábrica que, para aqui se arruma, também ela moribunda e amorfa, à espera dum futuro sem sombras.
Desde o tempo em que vim para aqui morar, olhei sempre o rio com tristeza e mágoa. Nunca fui capaz de entender a irracionalidade douta do homem. Primeiro era a poluição que o tingia de cores mortas e assassinas. Vivência angustiante que o conduziu ao abandono e à angústia. Mais tarde, com a despoluição do rio, e com as águas a voltarem a correr claras e com os peixes a surgirem à tona, uma outra postura muita negativa surgia. O problema estava agora nas margens, concretamente naquelas que se encostam ao lugar onde moro. Elas estão sujas e deserdadas. E é neste presente entregue às ervas bravas, às silvas e à bicharada, que obrigam o rio, e a mim, a questionarem a indiferença que mora no peito dos homens. A única companhia que o rio vai tendo, se isto é uma companhia, é um enorme contentor vermelho, sem vida, que por ali mata os dias, estendido a um sol desaproveitado.
Mas nem sempre foi assim.
Quando vim morar para as margens do rio, vivia numa destas casas de pedra o Sr. Joaquim, um homem bom e carregado de memórias, que o tempo já levou consigo. Contava-me este senhor de muitos anos que o rio Ferro já vivera dias de encanto e de amor. Era nestas águas cristalinas e frescas que as gentes de Fafe, no verão, vinham refrescar as vidas e o corpo. O rio era rico em peixe, e a pesca era farta e boa. E era também nestas margens, à sombra dos amieiros e cerejeiras, sob o trinar dos rouxinóis, que lindas histórias de amor se fizeram e se reproduziram.
Como era calmo e feliz o passado do rio Ferro!
Voltando ao presente onde me encontro, e agora numa asserção mais clara, chamo a atenção para o abandono a que está entregue este pedaço de rio, feito de tantas memórias e de águas outra vez claras. Eu sei que aqui ao lado existe um parque de lazer, que costumo frequentar e de que gosto, mas que passa um pouco à margem dos fafenses, talvez por causa de se encontrar demasiado encaixado e só. Se existisse todo um corredor verde ao longo do rio, ao longo das margens que envolvem a cidade, tudo seria mais fácil. Basta ver a beleza que este mesmo rio nos permite encontrar lá par os lados de Pardelhas ou Medelo, sítios já eles recuperados e que urge espalhar e acrescentar.

Rio Ferro Fafe

 

Também sei que já há um plano para despoluir o rio Vizela, e que, indiretamente, abrange o Ferro. Espero que seja verdade e sem mais percas de tempo. Eu não sei se o rio, farto de tanta inconveniência e mau aproveitamento, não se fartará e acabará por se deixar morrer outra vez.
Neste período eleitoral que nesta altura já se vive em Fafe, uma altura excelente para se pensar no bem da nossa terra, peço aos candidatos, todos eles gentes de bem e que amam Fafe, que olhem com olhos de ver para o rio Ferro e lhe voltem a dar a pompa e circunstância que ele merece. O rio Ferro, como seu «Corredor Verde», interligado com uma praia fluvial e outros acrescentos necessários, deve ser uma bandeira bem visível e um caminho a seguir. Teria muito gosto, um dia, poder dizer bem alto que, graças a uma intervenção pensada e sentida dos autarcas de Fafe, o rio Ferro transformou-se no rio mais belo de todo o Portugal, porque ele é o rio que passa na nossa terra e os fafenses devem amá-lo, respeitá-lo e viver com ele no coração.
Como seria maravilhoso, e apesar de os anos terem corrido, o rio Ferro recuperar o seu esplendoroso passado, voltando a ser quase tal e qual como era no tempo do meu saudoso Sr. Joaquim: um rio de águas frescas e repousantes, de peixes prateados, envolto por margens cuidadas, e na companhia de muitos fafenses, amor e natureza.
Na verdade, não precisamos de inventar espaços, temos é de preservar e alindar o que já nos rodeia. Só assim cumprimos o destino que nos foi traçado.
O rio Ferro, além de sonho e de memória, deve ser uma realidade… Uma realidade que afaste os contentores e traga as pessoas… Uma realidade que ofusque as silvas e faça renascer as flores dos prados…

publicado por blogmontelongo às 18:00
29
Jul 15

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

Enquanto uns veem rios poluídos, outros olham para rios de dinheiro que poupam.  A tinta que vai no rio sem tratamento é dinheiro que fica do lado do dono da empresa poluidora. O que para o ecossistema local é poluição para o proprietário da tinturaria é uma despesa a menos.

Mas, bem vistas as coisas, a poluição dos rios tem vários custos. O custo ecológico, com a redução da biodiversidade; o custo da diminuição da atração turística; o custo do tratamento da água, que acabará por ter de ser feito; custos na saúde pública; custos na agricultura… Estes custos não aparecem no orçamento da empresa poluidora. Aparecem, por exemplo, no orçamento do empreendimento turístico que teve menos reservas, porque o rio ganhou fama de cheirar mal; aparecem no orçamento daquela pessoa que teve problemas de pele por tomar banho no rio, e aparecem no orçamento do agricultor que viu a sua colheita deteriorada por água contaminada. Se uma tinturaria descarrega as suas águas sujas diretamente no rio, sem passar por nenhum tratamento, ela conseguirá uma margem de lucro maior. Não entra nas despesas do seu orçamento o custo com uma estação própria de tratamento de águas ou outro mecanismo de purificação da água.

Pedirmos à empresa o favor de tratar a água é como pedir à raposa o favor de não comer as galinhas. É que estas descargas poluentes não são acidentais, fazem parte do modelo de negócio, é assim que conseguem melhores margens… de lucro. Tanto assim é, que esta situação não é de agora. Vivi a minha infância na zona da Cisterna, perto da entretanto encerrada Marigam. E lembro-me bem do cheiro e da cor da água do Vizela naquela zona onde agora é a pista de cicloturismo, antes de chegar a Cepães. O esquema está assim montado. E as autoridades locais e nacionais têm de escolher de que lado ficam. Têm de decidir se querem fiscalizar estas situações, ou se preferem assobiar para o ar e nada fazer de concreto. Têm de decidir se apresentam a conta ao poluidor ou se deixam ir a despesa na corrente.

A linguagem que os proprietários destas empresas melhor entendem é a linguagem do dinheiro. Quando eles começarem a ser multados e deixar de lhes compensar atirar a água suja para o rio, eles próprios tomarão a iniciativa de defender os seus lucros e passarão a fazer o devido tratamento às suas águas residuais.

Ficar à margem tem sido o que as autoridades têm feito. Não se sabe bem onde têm ido desaguar as queixas sucessivas de moradores e associações ambientais. Talvez seja mais fácil passar uma multa por falta de pagamento do estacionamento. Talvez seja mais fácil não incomodar os senhores empresários de sucesso. Talvez seja mais fácil dizer que não é fácil descobrir quem polui. Talvez seja mais fácil nadar a favor da corrente. Nestes casos, ficar à margem é estar ao lado dos marginais.

Piorando a situação, este governo está a retirar aos municípios a gestão do saneamento básico. Se com uma gestão pública de proximidade foi o que foi, podemos imaginar quando conseguirem finalmente privatizar este setor essencial. A preocupação com certas margens irá aumentar certamente... Imaginam que os preços para os municípios e cidadãos vão baixar? Imaginam que o número de trabalhadores ligados a esta área vai aumentar? Imaginam que o serviço prestado vai ser melhor? O caminho deveria ser o do reforço do papel dos municípios e das populações na definição das prioridades de investimento. Por outro lado, a fiscalização das descargas poluentes tem de ser efetiva  e trazer consequências. Para isso, era necessária uma verdadeira preocupação ambiental e de melhoria das condições de vida das populações.

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 Fotografia de Jesus Martinho

publicado por blogmontelongo às 18:00
11
Jul 15

Opinião de Ricardo Gonçalves no seu blog:
 
As agressões às águas do rio Vizela continuam!!!!
 
Este terrorismo ambiental tem de parar e nenhum de nós pode ficar indiferente. As autoridades têm de agir protegendo o que é de todos e punindo os que prevaricam. Basta de "assobiarem para o lado", argumentando falta de competências.

Refiro-me ao Município de Fafe que tem justificado a sua inacção com falta de jurisdição para actuar. Havendo consciência da importância deste recurso pode fazer-se muito sendo que, para isso, é necessário estar comprometido com a missão.

Também todos nós podemos fazer mais porque, afinal, estamos a falar de algo que é de todos!!! Podemos denunciar, obrigar as entidades oficiais a fiscalizar, a actuar, exigindo que façam aquilo para que lhes pagamos.

Todos temos que ser, cada vez mais, exigentes não compactuando com estas práticas criminosas, através do silêncio e do encolher de ombros, como se estas agressões não nos dissessem respeito.

Para além do mais, estes terroristas estão a ganhar uma vantagem competitiva face aos seus concorrentes que têm uma actuação dentro da lei. Portugal continua a ser um espaço do "vale-tudo" e onde o crime compensa.

Louvo aqui o trabalho da Associação dos Amigos do Ambiente de Cepães Fareja na pessoa dos seus activistas mais destacados: Joaquim Lopes e Manuel Silva que muito têm feito por esta causa. Eles, ao contrário de outros com mais responsabilidades, não têm desistido, não têm cruzado os braços e estão sempre na 1ª linha da defesa do nosso rio.

Obrigado pelo vosso trabalho e dedicação a esta causa.
 

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publicado por blogmontelongo às 18:00
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