BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
18
Nov 15

Opinião de Elsa Lima, directora do jornal Notícias de Fafe:

 

O Município de Fafe formalizou, esta semana, em protocolo assinado com a Plataforma de Apoio a Refugiados, a vontade de acolher, num apartamento da cidade, pelo menos uma família de refugiados (poderão vir a ser duas) medida que poderá ser replicada noutros pontos do concelho, se outras instituições, por exemplo, juntas de freguesia, seguirem o exemplo da Câmara.

Sabendo de antemão que o assunto é delicado e tem suscitado acesas discussões, e troca de opiniões, apraz perguntar que recepção os espera?

Às primeiras notícias publicadas e difundidas nas redes sociais de que a Câmara de Fafe estava disponível para receber refugiados, as reacções não tardaram. Se por um lado, uns se disponibilizam para ajudar nesse acolhimento e a colaborar em iniciativas solidárias, há também quem, sem rodeios, se manifeste redondamente contra o acolhimento de refugiados argumentando que existem muitos casos de pobreza em Fafe e que esses sim devem ser ajudados em primeiro lugar. Há também quem se oponha pelo receio de que, entre os refugiados, possam estar elementos de redes terroristas que possam colocar em causa a segurança local.

O que é certo é que respeitando todos os argumentos, todos estamos a assistir a uma crise humanitária sem memória e é impossível deixar de sentir incómodo com as imagens que entram nas nossas casas pelos telejornais. É impossível assistir de forma impávida e serena ao sofrimento de milhares de pessoas, principalmente das crianças e velhos que se deslocam sem tecto, sem projectos, e sem saber que futuro os espera, para fugir à guerra que lhe retirou a casa, a estabilidade familiar e o sossego.

O Município de Fafe quer dar um contributo, à sua escala, propondo-se como instituição anfitriã para acolher uma dessas famílias, que se deslocam entre milhares, à procura de paz e de uma oportunidade para recomeçar.

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Concordo que assim seja. Uma ajuda que não passará, e bem, só pela oferta do peixe, mas por ensinar a pescar.

A esta família será oferecida uma oportunidade de se integrar na realidade que os acolhe, inserindo os adultos no mercado laboral, colocando as crianças nas escolas, de maneira a que, no período máximo de dois anos, se tornem autónomos. Não é caridade pela caridade, mas sim ajudar num período de real carência e dificuldade, apetrechando a casa e oferecendo roupa e comida, mas, ao mesmo tempo, ensinando a que dominem a língua, comecem a trabalhar e se desenrasquem, contribuindo também para a sociedade que os acolhe, adaptando-se e respeitando as regras daqueles que por cá se encontram, pois só assim poderão ser realmente integrados e respeitados.

Assim, para acalmar reacções mais acaloradas, que se ouvem aqui e ali, sugiro o uso e abuso da Empatia: capacidade de compreender o sentimento ou reacção da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias.

E se fossemos nós!?

publicado por blogmontelongo às 18:00
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