BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
14
Mar 18

Opinião de Jesus Martinho publicada no blog Falafcult:

emprego fafe palacete património

Depois das garantias dadas, em 2016, pelo Ministro do Trabalho, Solidariedade, e Segurança Social, que dava como certa a requalificação do Palacete do Centro de Emprego de Fafe, eis que surge a notícia que, afinal, o referido Ministério não vai fazer obras no imóvel, propondo a sua venda à Câmara Municipal de Fafe.

 

Notícia avançada pelo “Notícias de Fafe” refere que responsáveis do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), após uma visita de avaliação do palacete, sondou a disponibilidade da Câmara Municipal para aquisição do edifício pelo valor de 805 mil euros.

 

Lembre-se que a casa histórica em questão, datada de 1912, exemplo único da Arte Nova da região, foi classificada como Imóvel de Interesse Municipal em 1983, para, logo a seguir, em 1986 a Câmara “alienar” o Imóvel vendendo-o ao Ministério do Trabalho, para instalação do Centro de Emprego de Fafe, que acabou por ocupar as antiga cavalariça nas traseiras do edifício, deixando a casa nobre, sem qualquer utilização, durante cerca de três décadas, até aos nossos dias.

 

Quando parecia haver luz ao fundo do túnel, e, os mais crentes, pensaram que era desta que aquela pérola do património fafense ia ser restaurada, tudo se complica agora, com esta nova posição do IEFP.

 

O presidente do Município de Fafe disse ao “Notícias de Fafe” não estar interessado na aquisição do imóvel pelo valor proposto, considerando: “é bonito, temos por ele carinho e estima, mas não é muito funcional, é difícil encontrar um destino, está de gradado e até poderá pôr em causa a segurança das pessoas que por ali passam”.

Raul Cunha disse ainda ao mesmo periódico que “se a Câmara não o adquirir, será colocado em hasta pública”.

 

Por seu lado, Antero Barbosa, líder da oposição Fafe Sempre, aconselha o diálogo e a renegociação referindo que “a autarquia também tem interesse em instalar bem o Centro de Emprego, num local melhor”, evocando uma permuta “justa”.

 

O vereador do Fafe Sempre, Victor Moreira, de forma mais incisiva disse ao “Notícias de Fafe” que “Por mim não pagava nada. Eles ainda tinham de nos pagar para recuperar o edifício porque a obrigação deles era ter aquilo conservado”, lembrando que a verba em causa dava para resolver outras situações, nomeadamente, a aquisição da casa em frente ao Teatro-Cinema, a requalificação do antigo Mercado Municipal e ainda as necessárias obras de recuperação no edifício da Casa de Cultura local.

 

José Batista, do PSD considera que, “É uma oportunidade de ouro para fazermos um pacote mais integrador”. Defendendo a compra do imóvel degradado em frente ao Teatro-Cinema e do Palacete do Centro de Emprego, para instalar a Loja do Cidadão e centralizar os serviços da Segurança Social.

 

Prevê-se o relançamento da discussão relativa aos vários imóveis históricos degradados da cidade, um assunto sensível, dispendioso, que requer astúcia e engenho do executivo autárquico.

 

Certo é que não podemos continuar a tapar o Sol com a peneira. É a altura certa para encarar, de forma séria, a questão, suspensa há vários anos, da preservação e requalificação do Património Histórico na “terra mais brasileira de Portugal”.

O Governo, primeiro responsável pela conservação da nossa memória cultural, relativamente ao imóvel do Centro de Emprego, teve uma atitude censurável, comprou, desleixou, iludiu e descartou.



publicado por blogmontelongo às 18:00
24
Fev 18

Opinião de Jesus Martinho publicada no blog Falaf:

 

pia batismal fafe

Pia baptismal da Igreja Matriz de Fafe

Uma visitação datada de 1571 refere que, nessa altura, a Igreja de Santa Eulália de Fafe estava em obras de beneficiação, na nave e na capela-mor.

Nessa visitação, feita por D. João de Sousa, da Colegiada de Guimarães, foi dada ordem ao pároco que mandasse fazer uma pia baptismal nova.

E assim aconteceu. A pia foi talhada em granito fino da região, para ser colocada no baptistério, junto à entrada principal do templo.

Durante 442 anos a pia baptismal foi mantida no local, e nem a profunda remodelação da igreja, realizada no século XVIII, terá mexido com ela.

património religioso fafe

Pia baptismal do séc. XVI no interior do templo
Foto - SIPA - Monumentos PT

 

Mais de dois séculos depois, em 2013, os responsáveis pelo último restauro da Igreja Matriz local, resolveram retirar a antiga pia do baptistério, encostando-a a uma das paredes das Capelas Mortuárias, à intempérie, sujeita a agressões…

No local do antigo “monumento”, da segunda metade do séc. XVI, foi colocada uma esguia e moderna pia que, outrora, serviu para conter agua benta.

 

fafe igreja matriz

 Aspecto actual do "baptistério"

 

Partindo do princípio de que somos todos, (também perante a Lei), responsáveis pelo Património Histórico, esta foi uma prática, no mínimo, questionável.

As igrejas são lugares de culto e são também Património Religioso que devemos preservar, o mais possível, no seu estado original.

 Os milhares de pessoas que receberam o sacramento do baptismo naquela “velha” pia, certamente gostavam de a ver, conservada, em local apropriado… eu, particularmente, também…

 

 

 



publicado por blogmontelongo às 18:00
29
Mar 17

Opinião de João P. de Campelos, CDS/Fafe, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

     A cultura, as tradições e os monumentos são elementos constituintes de uma identidade local ou nacional. Fazem parte daquilo que somos e daquilo que nos caracteriza, mostrando o passado, caracterizando o presente e perspectivando o futuro. Fafe não é particularmente rico em monumentos históricos imponentes tal como tem Guimarães ou Braga, mas tem alguns pontos particulares de elevado interesse. Como dizia o filósofo italiano Césare Cantù: "Querem conhecer a civilização de um povo? Reparem naqueles que erguem monumentos".

     Impera de facto uma decisão do nosso Executivo Camarário que valorize e promova os nossos pequenos mas importantes monumentos. As casas "brasileiras" são estudadas no âmbito da história e da arquitetura em Portugal em todo o País. São de facto um ex-libris da nossa cidade. E por mais que se perceba isso, não se vê, por exemplo, uma ação pertinente da Câmara Municipal para a resolução do edfício contínuo ao IEPF de Fafe. Temos depois o malogrado castro de Sto. Ovídio que teima em ser desprezado e ignorado pela executivo. Louve-se a ação da associação criada em volta desta antiguidade que teima em não deixar morrer este tema. Posteriormente temos os vestígios do Castelo Roqueiro em Quinchães da Idade Média, a Igreja de São Romão de Arões, as Lajes de S. João em Ribeiros, as nossas Casas Senhoriais caracterizadores de uma ruralidade única na região. Enfim, uma enorme panóplia de património edificado que merece ser lembrado, visitado e acima de tudo promovido. Muito bem sei que boa parte do edificado ou património Fafense é privado. E assim deve continuar a ser. O que não percebo é a falta de interação que existe entre o Executivo Camarário e os respetivos proprietários para a promoção da imagem e cultura de Fafe. De que nos vale querer ser um local turístico se depois nós próprios não cuidamos daquilo que melhor temos para mostrar?! Não há turismo sem património, sem monumentos ou sem promoção e demonstração de cultura.

     A maioria dos Fafenses com toda a certeza não visitou alguns destes patrimónios que aqui enumerei. E acredito que não o fizeram por falta de vontade, mas sim por falta de conhecimento da sua existência. A criação de um roteiro em volta do património edificado seria uma solução. A divulgação junto das nossas escolas destes monumentos seria uma outra solução. Mas para isso seria necessário primariamente inventariar tudo e em segundo solucionar questões burocráticas. Porém, tudo isto só é possível, se houver antes de tudo vontade e iniciativa forte em querer de facto promover e valorizar o que é nosso. Muito do noso património parece quase irrecuperável e necessita de intervenção urgente como o caso do castro de Santo Ovídio. São patrimónios únicos que devem ser preservados e conservados para as gerações vindouras. Temos esta obrigação em lhes deixar história e saber. Mas de facto a preocupação Camarária não tem passado por aqui. O que tem interessado na realidade, é o chamativo ou o mais visível aos olhos do eleitorado citadino. O  que tem interessado de facto é a cidade e o seu centro descorando por completo as freguesias e a ruralidade.



publicado por blogmontelongo às 18:00
14
Jan 17

Opinião de Gil Soares publicada na revista Factos de Fafe:

 

          Um povo sem história é um povo sem memória. Fafe teve em Miguel Monteiro um defensor do património arquitetónico fafense como raíz histórica de um legado deixado, em grande parte, por fafenses emigrantes no Brasil que retornaram á sua terra e a valorizaram com edificações que são o suporte patrimonial da malha urbana. Não conheci Miguel Monteiro mas reconheço no seu trabalho a importância que Fafe ainda não foi capaz de o reconhecer publicamente. Digo isto perante uma terra que se designa de "justa" e ainda não teve a destreza de reconhecer o "mestre" numa das suas artérias ou praças. Miguel Monteiro deu montra a uma série de edificações de valor patrimonial e a sua relação com o fenómeno da emigração dos "brasileiros de torna viagem" que, financeiramente abastados, investiram na sua cidade com uma arquitetura tipicamente europeia recheada de revivalismos associados a uma apreensão estética, de terras de Vera Cruz, a nível da cor e dos revestimentos das fachadas. Na sua maioria, não sendo caracterizadas com um estilo arquitetónico, representam a arquitetura de uma época sob a influência, em grande parte, de elementos decorativos do estilo neoclássico que proliferou nos meados do séc. XVIII até ao séc. XIX.

Miguel Monteiro Fafe Património

           A designada "arquitetura brasileira" é uma referência às obras desses emigrantes e Miguel Monteiro frisou bem esse aspeto. Estas edificações, com a exceção do palacete anexo ao Centro de Emprego de Manuel Rodrigues Alves (que é um belo exemplar de Arte Nova) não são conotadas com um estilo arquitetónico, mas não deixam de ter valor patrimonial! A Miguel Monteiro também se deve a luta para não demolirem o Cine-Teatro e o transformar num Centro Comercial. Se já perdemos tanto património arquitetónico imaginem hoje Fafe sem o ex-libris, brilhantemente recuperado no mandato de José Ribeiro e que o Mestre ainda teve oportunidade de o ver.

          Que Fafe nunca esqueça Miguel Monteiro e lhe faça o devido tributo com um memorial ao nível da sua importância.



publicado por blogmontelongo às 18:00
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