BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
01
Mar 20

Texto de Hernâni Von Doellinger publicado no Tarrenego:

O Texas era um tasco e era em Fafe. Chamava-se também Quiterinha, derivado ao nome da dona, senhora respeitável, ou Pensão Império, e eu nunca soube derivado a quê. Estão a ver a Rua Monsenhor Vieira de Castro, quem vai para o Picotalho, do lado do Cinema, depois da padaria e encostado ao Noré, mesmo em frente à cabine, antes de chegar às Grilas e ainda mais às Turicas, nas barbas da procissão da Senhora de Antime? O Texas era exacta e geograficamente aí, previamente a ter-se instalado de armas e bagagens no sul dos Estados Unidos da América, resvés com o México, segundo vi depois nos filmes a cores.
O Texas, o nosso Texas, o verdadeiro Texas, era a preto e branco e tinha, após o balcão, um reservado com vista para a cozinha e para os campos do Santo, onde hoje se ergue o cimento do Pavilhão Municipal. Foi no nosso Texas, na sala da frente, que eu vi na televisão os jogos de Portugal no Mundial de 1966. Eu e a RTP éramos miúdos da mesma idade. Ao Texas fui com o meu pai, no Texas confraternizei com os músicos antigos da Banda de Revelhe, que tinha casa de ensaio ali a dois compassos, coisa tão a calhar, com o querido Senhor Ferreira do Hospital ou com o Queirós, meu camarada bissexto na fábrica e provavelmente o melhor tintureiro do mundo, desse-se o caso extraordinário de ele aparecer ao trabalho...

justica de fafe

Foto Hernâni Von Doellinger


Vamos dizer, então, que o Texas, o nosso, era uma casa de pasto - sem ofensa para todos os verdadeiros americanos do faroeste, incluindo gado cavalar e vacum. As portas do Texas eram verdes, mas não eram de saloon. Cobóis, apareciam alguns, sobretudo às quartas-feiras, porém não me lembro de tiros. Naquele tempo em Fafe, terra de paz e amor, matava-se mais à sacholada e a Justiça de Fafe era um postal com quadras bairristas do Zé de Castro, poeta-cauteleiro, o nosso Aleixo. Borracheiras havia-as, e eram acontecimento de alta patente, é preciso que se note. Não tínhamos xerife, mas tínhamos o Chester, tínhamos o regedor de pistolete à cinta e tínhamos o Miguel Cantoneiro, que padecia de uma questão com os erres e, para todos os efeitos, também era autoridade. Às vezes, quando não era precisa, também tínhamos polícia...
Em todo o caso: no Texas, no nosso Texas, um pascácio do calibre de Donald Trump nunca seria eleito sequer para fazer a escrita da sueca...

P.S. - William Frederick Cod, mais conhecido como Buffalo Bill, um dos meus heróis do Velho Oeste, nasceu no dia 26 de Fevereiro de 1846. Encontrámo-nos algumas vezes no Texas.

publicado por blogmontelongo às 23:13
28
Jan 15

Opinião de Jesus Martinho publicada no seu blog Falaf Magazine:

 

 

Povoado Castrejo de Santo Ovídio  cada vez mais ameaçado 

O Povoado Castrejo de Santo Ovídio, em Fafe, parcialmente escavado nos anos 80, classificado como Imóvel de Interesse Público, acaba de sofrer nova “machadada”.

 

Na transição para 2015 a reactivada unidade fabril instalada entre uma zona habitacional e as ruínas arqueológicas do “Castro de Santo Ovídio”, construiu um novo pavilhão, alargando, quase para o dobro o seu espaço coberto, encurtando a já exígua faixa entre a fábrica e conjunto proto-histórico, posteriormente romanizado.

SANTO_OV_DIO_7.jpg

 

Alegadamente em zona “non aedificandi”, este monstruoso pavilhão vem poluir ainda mais a paisagem e o ambiente que, naquele local, deveria ser o mais harmonioso possível.

 

Por outo lado, o que ainda resta das ruínas trazidas à luz do dia, em estado de completo abandono, encontra-se profundamente ameaçado e se não forem tomadas medidas urgentes, o principal conjunto arqueológico do concelho de Fafe acabará por desaparecer.

A crise não pode ser pretexto para a destruição do nosso património, não deve justificar procedimentos, supostamente à margem da Lei.

 

O património cultural é de todos e todos, sem excepção, temos o dever de o proteger… está consagrado na Lei. Mas, nem sempre a Lei prevalece e se impõe aos interesses económicos, a um progresso não sustentado que, aos poucos, apaga a nossa memória colectiva, legado de um passado ancestral que urge salvaguardar.

O emblemático Monte de Santo Ovídio, com todas as suas potencialidades, tem, ao longo dos anos, sofrido graves agressões, quase sempre, sob a passividade dos responsáveis que nada de significativo fizeram para a valorização de um dos mais antigos testemunhos da história fafense, mesmo às portas da cidade.

SANTO OVÍDIO 3.jpg

Aquela fábrica jamais deveria existir naquele local. Os protestos dos moradores não tiveram consequências positivas. A resposta dos decisores foi, alegadamente, autorizar o alargamento da poluidora unidade fabril, agravando, ainda mais, a qualidade de vida de quem ali habita!

Quanto às ruínas, com o crescente agravamento do seu estado de conservação, mais vale proceder ao seu “enterramento”, escondendo-as sob terra, de onde nunca deveriam ter saído, atendendo ao seu malfadado destino. Cubram-se de uma vez as vergonhas e preservem-se os "restos mortais" das ruínas em “sepulcro”, até ao dia em que os detentores dos poderes valorizem realmente o nosso património arqueológico. 

SANTO_OV_DIO_2.jpg

Fotos: Janeiro de 2015

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
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