BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
16
Dez 17

Expresso de Fafe entrevista Raul Cunha:

 

Expresso de Fafe (EF): Recordando o processo autárquico, que acabou com um resultado favorável ao Partido Socialista e a renovação do seu mandato. O resultado que conseguiu foi na linha do que estaria à espera ou havia a expectativa de chegar à maioria absoluta?

 

Raul Cunha (RC): Entendíamos que, com o nosso trabalho durante estes quatro anos, merecíamos uma maioria absoluta. De qualquer modo, merecemos a confiança dos fafenses. Não obtivemos a maioria absoluta penso eu por condições estranhas e excecionais, como foi o não apoio da estrutura local do PS a esta candidatura do próprio PS, que é uma coisa difícil de se entender. Quando os órgãos nacionais me convidaram e desafiaram para abraçar este projeto foram muito claros quando confrontados com a discordância da estrutura local do partido: disseram que esse problema passaria a ser um problema interno do PS, que o partido resolveria. Eu fiquei descansado quanto a esse aspeto, mas pelos vistos não se resolveu bem.

 

EF: Chegou a acreditar, no tempo que mediou a sua indicação como candidato pelos órgãos nacionais e a data das eleições, que fosse possível chegar a um acordo com a estrutura local do PS?

 

RC: Fiquei muito surpreendido com a atitude das pessoas que em Fafe representavam o PS. Nunca pensei que fosse possível a inversão total da opinião que as pessoas me manifestaram e do apoio que me tinham dado quatro anos antes, em que me foram convidar para vir dar uma ajuda às dificuldades que naquela altura o PS tinha em Fafe. De repente, ser confrontado com uma hostilidade e com uma agressividade no discurso, surpreendeu-me e entristeceu-me.

 

EF: A forma como decorreu esta campanha, a “agressividade” de que fala da candidatura liderada por Antero Barbosa e José Ribeiro, vai deixar sequelas? Essas sequelas poderão condicionar este mandato, do ponto de vista político?

RC: Penso que o relacionamento pessoal e político não voltará a ser como foi. Havia uma relação não só política, mas de amizade, que ficou abalada e dificilmente voltará a ser como era. Não é possível na vida das pessoas passar-se uma escova pelo passado e esquecer o que aconteceu.

Mas isso não quer dizer, apelando para a necessidade de se colocar os interesses de Fafe e dos fafenses em primeiro lugar, que não haja espaço para se conversar e criar as pontes necessárias para se criar uma plataforma de entendimento em que possamos trabalhar, independentemente do assunto do PS. Há aqui dois níveis: um que é o nível interno do PS, que a mim enquanto independente me custa interferir, e penso que não devo; e outro patamar, que é o da ação política concreta local, em que acho que há todas as condições, e pela minha parte farei todas as pontes necessárias, para que possamos construir — reconstruir talvez seja a palavra —, uma relação de confiança política que permita conduzir os destinos da autarquia com tranquilidade.

 

EF: Relativamente ao PS, o presidente da concelhia anunciou a demissão e vai haver eleições no início do próximo ano. Sabemos que não é militante, mas tem uma relação forte ao partido. O que espera destas eleições? Que saia uma liderança concelhia com a qual possa ter uma relação de maior proximidade na liderança da câmara municipal?

RC: A minha relação com o PS é de tal ordem, embora não seja militante, que nunca concorreria contra o PS. Aliás, eu fui desafiado nestas eleições a fazê-lo. Quase todas as forças políticas me manifestaram disponibilidade para me terem como candidato, e eu disse sempre que ou seria candidato pelo PS ou não seria. Nunca concorreria contra o PS, apesar de não ser militante, por isso

é que me surpreende ver pessoas com muitos anos de militância a fazê-lo com alguma facilidade. Sou candidato pelo PS, a minha obrigação é intervir enquadrado pelo PS. Aguardo serenamente. Acho que o PS tem mecanismos próprios, há estatutos, regulamentos, que terão de ser cumpridos. Sinto falta de uma estrutura política de apoio, sólida, aqui no município. Estamos numa situação absolutamente atípica: o PSD deixou de ter liderança, demitiram-se todos; o grupo Independentes por Fafe está de acordo com o PS, mas são um grupo de independentes, não têm uma estrutura montada; o PS tem uma direção ainda em efetividade que concorreu contra o partido e, portanto, de legitimidade complicada; o Partido Comunista deixou de ter representação na assembleia; o Bloco de Esquerda tem uma representação reduzidíssima... Em termos de linhas políticas, está uma grande confusão aqui em Fafe. Está muito dependente do bom senso e da razoabilidade dos protagonistas

que neste momento estão na autarquia, e por isso é que eu acho que aumenta muito a responsabilidade de todos os senhores vereadores.

 

EF: Faz sentido, no seu ponto de vista, que os militantes do PS, alguns dos quais ex e atuais dirigentes da concelhia que se candidataram com o movimento independente, sejam expulsos de acordo com os estatutos do partido?

RC: Colocando-me no lugar de dirigente de um partido, estas atitudes que aqui e ali foram sendo tomadas por alguns militantes, em que se desvinculam do partido, ou sem desvincular, que ainda é mais grave, concorrem contra o partido, acho que se não houver consequências será muito complicado. Penso que as pessoas uando tomaram as atitudes sabiam o que advinha dessas atitudes, estão conscientes disso. Isso não pode é interferir com a solução de governabilidade da autarquia. Isto não quer dizer que nós, enquanto representantes do PS e autarcas e vereadores com pelouros, com responsabilidade de conduzir os destinos do município, queiramos encontrar alguma desculpa ou pretexto para menos eficiência, dedicação ou trabalho. Eu costumo dizer que nós dançaremos conforme a música, trabalharemos com as condições que nos dão.

Raul Cunha Fafe Presidente

EF: O facto de terem rejeitado a delegação de competências no presidente, interpretou como um sinal de menor colaboração, ou ausência de colaboração com a oposição?

RC: Não, até porque houve outras situações que foram em sentido contrário. Notei uma atitude mais contra por parte do senhor vereador do PSD. Pese embora com a ressalva de que não fosse nada pessoal e que tinha muita consideração por mim. Política é política e consideraram que não se sentiam confortáveis com a solução que nós construímos ao colaborar com a família Summavielle e os Independentes por Fafe. Dos outros senhores vereadores, o que o doutor Antero expressou foi que agora era assim, que iríamos experimentar e posteriormente íamos vendo. A não delegação de competências, que era habitual acontecer no município, porque sempre houve gestão de executivos maioritários, não tem problema nenhum. Não será o primeiro município, nem o último. Os problemas maiores resultam da adaptação que os serviços têm de fazer à nova realidade, que terá algum reflexo na capacidade e na eficiência da resposta da autarquia. Se havia assuntos que o presidente despachava todos os dias, agora despachará uma vez por semana ou de quinze em quinze dias, conforme a periodicidade das reuniões. Depois, há processos de obras ou empreitadas que a partir de um determinado volume deixam de estar delegados no presidente de câmara, até agradeço! As pessoas terão de assumir todas as suas responsabilidades. Eu disse que estava disponível para conversar com todos os senhores vereadores, os cinco sem pelouros, para se algum tiver disponibilidade e vontade dar o seu contributo de uma forma mais empenhada e envolvida nas questões da autarquia.

 

EF: Como lidou com o facto de dois dos seus vereadores terem concorrido numa lista oposta à sua?

RC: Apesar de concorrerem contra nós, estiveram no nosso executivo até ao fim. O engenheiro Vítor e a engenheira Helena nunca entenderam que não tinham condições de permanecer, apesar de concorrerem contra o presidente, que também achou que podiam estar desde que mantivessem a sua função e o trabalho dentro de parâmetros de razoabilidade. Confesso que as últimas semanas não foram fáceis, foi preciso ter alguma dose de tolerância e capacidade de encaixe. Em boa verdade,

nunca os ouvimos num discurso que infelizmente o doutor Ribeiro teve. A questão maior aqui tem a ver como esse grupo de pessoas se posiciona. Quem é que lidera? Quem representa o grupo? O doutor Antero ou o doutor Ribeiro?

 

EF: Falou com António Costa, após a sua vitória?

RC: Com a doutora Ana Catarina tenho falado mais. Com o doutor António Costa falei duas vezes, para me dar os parabéns e felicitar o trabalho conseguido em Fafe. Porque não foi fácil. O doutor

Ribeiro nunca perdeu uma eleição em Fafe. Chamei-lhe uma vez o Cristiano Ronaldo das eleições em Fafe. Deu sempre vitórias enormes ao Partido Socialista.

 

EF: E desta vez também não perdeu. Ganhou a eleição para a assembleia municipal, e depois a eleição para a mesa. Ficou surpreendido ou desiludido com o resultado que ditou José Ribeiro para a presidência do órgão?

RC: Não fiquei desiludido, era o resultado que esperávamos. Espero é que volte a vir ao de cima, no doutor José Ribeiro, a pessoa de apego aos valores e à ética, que eu acho que durante algum tempo abrandou, e que seja capaz de dar o seu contributo enquanto presidente da assembleia. O doutor

Ribeiro não foi presidente da assembleia no último mandato porque não quis. Poderia absolutamente ser, aliás, seria o presidente da assembleia natural. Não vejo mal nenhum em ser presidente da assembleia agora, é muito bem-vindo. Temos é todos de ter uma preocupação institucional e cada um respeitar e não se envolver na esfera de trabalho dos outros. Acho que estes

quatro anos ‘sabáticos’, digamos assim, de afastamento da atividade autárquica, poderão ajudar a que no exercício do lugar de presidente da assembleia não tenha a tentação de se envolver na gestão quotidiana do município.

 

EF: Face à correlação de forças na assembleia municipal, que tem competências importantes na deliberação sobre algumas matérias que emanam do executivo, espera que haja dificuldades na aprovação de documentos importantes, nomeada mente orçamentos?

RC: Espero uma atitude de responsabilidade de todos, dos membros da assembleia municipal e das juntas de freguesia também. A eleição da mesa ainda mantinha muito a questão emocional. Tivemos

na eleição da mesa a postura do PSD, que me disseram, e isso foram posições formais de alguns responsáveis do PSD, que ‘a eleição da mesa é um assunto, a gestão quotidiana depois na assembleia será diferente, não terá a mesma atitude de votação organizada num determinado candidato’. E os senhores presidentes de junta também têm de ver que muito do que podem esperar da autarquia, para terem condições para gerirem as suas freguesias, depende muito do orçamento da câmara. Também têm interesse na aprovação destes documentos.

 

EF: Vamos falar do futuro. Como é que antecipa o mandato?

RC: Há condições para podermos esperar um bom mandato. Será muito a concretização do trabalho que foi preparado no mandato anterior. As grandes obras estão em concurso. Temos aqui muito trabalho para fazer na área do apoio às indústrias, na área da descentralização e reforma administrativa que está aí a vir e que é necessário que nasça bem.

 

EF: Destaque alguns aspetos que prevê que venham a ser determinantes. O que vai marcar este mandato?

RC: As novas escolas — a Escola Secundária e a Escola Carlos Teixeira —, o nó de Arões e o bairro da Cumieira. Em relação à Cumieira, existe projeto, está feita a candidatura, o financiamento, e já está em fase final do concurso. Não vamos fazer casas novas, vamos restaurar as que estão: mudar os telhados, colocar isolamento térmico e acústico, meter novas caixilharias, novas janelas, novas varandas, nova canalização. Vamos fazer quase casas novas, mas nas que lá estão. Na área da regeneração urbana, temos a ambição de recuperar o nosso centro coordenador de transportes. O projeto está pronto e também já há financiamento para isso. Vamos fazer a recuperação da Avenida do Brasil e da Praça 25 de Abril. Esta última ainda não foi feita porque achamos que não era altura, com a vinda dos emigrantes, a Senhora de Antime e a campanha eleitoral, mas também já temos o financiamento pronto, para recuperar aqueles passeios, aumentar a luz na praça, substituir as árvores que segundo Serralves não estão de boa saúde e não são as mais indicadas porque tornam a praça

muito escura. Vai ter mais árvores do que tem, mas de outras espécies. No Largo 1o de Dezembro, a rua está a ficar pronta e vamos continuar a obra, numa segunda fase, com o novo largo. Depois, vamos começar a trabalhar nos bairros em Fafe, que estão em condições degradadas de piso, precisam de águas pluviais e saneamento. Há muito trabalho a fazer. Temos ainda a intenção de construir uma piscina, ao lado do multiusos. O programa funcional já está feito e prevê um tanque com 25 metros e duas pistas de 50 metros, mas ainda não há projeto, nem cálculo de quanto irá

custar e como se poderá financiar. Temos todo um mandato e o nosso compromisso é para quatro anos.

 

EF: Qual é o ponto de situação relativamente ao Nó de Arões?

RC: Está na Secretaria de Estado das Autarquias o processo de expropriação dos dois terrenos que não tinham acordo. Já conseguimos entendimento com um deles e estamos a fazer um último esforço com uma das proprietárias para ver se evitamos expropriação e conseguimos acordo. Logo que seja conseguido, o concurso está pronto, é avançar com o processo. É uma obra muito importante para o desenvolvimento da economia do concelho e em particular daquela região. Não só da zona industrial, mas da própria vila de Arões e freguesia de Golães. Quanto à zona industrial de Regadas, está na parte do levantamento burocrático e terá agora de receber um impulso decisivo.

 

EF: Quer deixar uma mensagem aos fafenses?

RC: Gostaria de tranquilizar os fafenses, e dizer-lhes que a confiança que nos manifestaram nestas eleições será honrada por nós. Não se deixem contaminar por alguma turbulência política, é algo que faz parte da vida democrática e que não devemos valorizar em excesso. Podem ter confiança que este executivo irá seguramente fazer o trabalho de modo a poder defender os interesses, os projetos e as ambições dos fafenses.

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
11
Nov 15

Entrevista a Raul Cunha, Presidente da Câmara, no jornal Notícias de Fafe:

 

Notícias de Fafe (NF - O Orçamento para 2016 foi aprovado com os votos do PS e PSD e abstenção do Movimento IPF. Era a votação que esperava?

Raul Cunha (RC) – Este orçamento reflecte de algum modo o bom ambiente que actualmente se vive no Município, de uma colaboração franca entre as várias forças políticas e uma atitude que eu classificaria como construtiva, preocupados, todos nós, com as iniciativas necessárias para promover o desenvolvimento do Município pondo isso em primeiro lugar e deixando para trás algumas das querelas político-partidárias. A votação dos IPF que repete a votação do ano anterior, confesso que me surpreendeu um pouco porque penso que seria possível ir um bocadinho mais longe até pelo seu envolvimento na propositura de algumas iniciativas que foram acolhidas por este executivo e que estão vertidas no orçamento. As que são possíveis, porque algumas eram sugestões, e não propostas, de iniciativas que se possam desenvolver ao longo do ano. Na generalidade abstiveram-se, mas depois na especialidade votaram por unanimidade e o orçamento foi aprovado por unanimidade em todos os pontos.

NF - Como classifica este orçamento com mais 4,5 milhões que o anterior?

RC – É um orçamento em que procuramos manter uma característica que é apanágio de Fafe, e também deste executivo, que é ser um orçamento feito com transparência, rigor e prudência. Não estamos aqui a inflacionar receitas nem a engordar o orçamento de forma artificial. Não nos podemos esquecer que continuamos a viver um período de crise em que as dificuldades orçamentais continuam a ser grandes. Apesar de nos últimos anos parecer que a crise desapareceu, não desapareceu, os constrangimentos orçamentais mantêm-se, as transferências de verbas do orçamento geral do Estado para o Município continuam a ser escassas, muito menos do que era habitual, e portanto, os recursos de um Município como o de Fafe que depende muito das transferências do Estado ressente-se disso. Este ano podemos ter uma espectativa um bocadinho melhor porque temos um conjunto de obras importantes para as quais existe trabalho e uma exceptiva positiva de que possam ser financiadas, nomeadamente a questão das escolas, Carlos Teixeira e Secundária, que está com financiamento garantido em envelope financeiro da CIM e por via do empréstimo dos dois milhões de euros que fizemos para compensar a amortização antecipada do empréstimo feito para a aquisição das casas José Saramago. Por via da lei tivemos que fazer a amortização antecipada de um milhão e 875 mil euros pelo facto de termos vendido as casas e eu achei que havia todas as condições para podemos conseguir alguma folga, sem interferir com o endividamento total do Município, porque era um endividamento que já estava assumido. Assim, amortizamos antecipadamente o empréstimo e fizemos outro sensivelmente do mesmo valor de forma a garantir financiamento para algumas das obras que não são financiáveis pelos fundos europeus. Isso explica esse aumento dos quatro milhões em relação ao orçamento anterior.Calv.JPG

NF - É um orçamento, a exemplo dos anteriores, focado nas pessoas e na área social?

RC – É o terceiro orçamento que apresentamos e não era suposto que houvesse aqui um desvirtuar das nossas opções políticas e estratégicas. Mesmo as obras que estamos a preparar candidaturas e a lançar projectos, são obras que no fundo se dirigem muito às pessoas. A recuperação da escola Carlos Teixeira e da Secundária e a recuperação do Bairro da Cumieira que está em fase adiantada de preparação da candidatura, são exemplos disso. Apresentando a candidatura e havendo uma espectativa favorável de que ela seja aceite, teremos obra na segunda metade do próximo ano a ver-se na Cumieira. Recuperar o Bairro da Cumieira é uma das obras sociais mais importantes. Contudo, todos os nossos programas sociais são pra manter e desenvolver, desde os centros de convívio de idosos, apoio às rendas, às bolsas de estudo, à recuperação das habitações degradadas, o programa Ser Solidário, o programa de emergência social, enfim, a panóplia de programas que temos que será para manter e que são a marca distintiva deste executivo. Ao mesmo tempo que o apoio às empresas, e aos empresários, também não pode deixar de ser salientado porque neste orçamento procuramos afectar recursos importantes à zona industrial de Regadas, temos 500 mil euros em orçamento para começar a aquisição dos terrenos. Também baixamos a derrama que é um sinal importante para os empresários e para nos tornar mais competitivos na disputa entre Municípios. Reduzindo a taxa máxima de 1,5% para 1,2 % e a taxa para o volume de negócios com menos de 150 mil euros por ano baixou de 1% para 0,75%. Não é muito, é o possível, mas é o caminho para mostrar que realmente estamos interessados em apoiar as empresas e a ser competitivos na capacidade de atracção de empresas para Fafe.

 

NF – A derrama é a única novidade em termos de taxas?

RC – Sim, mantemos a devolução de 2% do IRS aos fafenses e a taxa de IMI que em Fafe é costume apresentar com o orçamento, este ano não vamos apresentar já porque temos uma proposta da AM, e da Câmara, aprovada por unanimidade para procurar reflectir no IMI uma política de apoio às famílias numerosas. Temos até Setembro do próximo ano para resolver isso, mas queremos ver o que significa em termos de números de crianças, o que são famílias numerosas, até que patamar de rendimento é que isso é admissível, ou não, vamos ver… Acho que é uma medida que faz algum sentido para a classe média mas, a seu tempo, conversaremos sobre isso.

NF – A zona industrial de Regadas vai finalmente avançar com este orçamento?

RC – Não estava parada, nunca parou. Também estava ligada à aprovação do PDM que agora está em condições. Já anda uma empresa a trabalhar nisso, a fazer o cadastro, vamos aprovar uma contratação também de uma empresa para nos ajudar a fazer a candidatura, enfim, está-se a trabalhar nisso.

NF – E a de Arões?

RC – Arões tem a ver com a construção do Nó de Arões. Abriu um aviso para uma candidatura que termina no final deste ano, até 31 de Dezembro, e nós vamos apresentar candidatura de acordo com a CCDR, e com as Infraestruturas de Portugal (IP). Vamos concorrer nós, fazemos a obra com a colaboração deles e no fim voltamos a passar a estrada para eles. É outra obra importante que vai avançar.

NF – Falam também no apoio na criação de empresas e estímulo ao emprego. De que forma pretendem fazê-lo?

RC – Continuamos a ter o apoio aos pequenos empresários. Já há uma mão cheia de empresários que têm beneficiado deste apoio. Existe um gabinete que ainda não tem a dimensão e a agilidade que eu gostaria mas que há-de ter, mais para a frente. Contratamos uma empresa para nos ajudar nisso que é uma Spin-off da Universidade do Minho que está a ajudar na formação aos candidatos a empresários e a estruturar o negócio nos contactos com a banca. Embora tenhamos já garantido financiamento na CIM do Ave para a criação de uma Start-up, uma incubadora, e depois uma área de acolhimento. Isso já está com financiamento garantido. Até 2020, neste quadro comunitário, temos cerca de 9 milhões e 890 mil euros de investimento via CIM para Fafe o que é um volume de investimento importante. Para as empresas, vamos receber um incentivo para Fafe de 377 mil euros que é para a concepção de apoios ao desenvolvimento dos viveiros de empresas. Não é muito mas já é alguma coisa. Vamos desenvolver isto porque ultrapassar a crise passa por criar mecanismos de criar emprego e para isso temos que criar empresas. Por isso a nossa aposta também na questão da Altice, uma empresa que vem criar em Fafe tantos postos de trabalho, ainda por cima numa área de serviços, eu acho que tinha razão de ser e ainda bem que todas as forças políticas convergiram nesta ideia. Ainda temos 150 vagas e temos a espectativa de, dando formação também em francês, que será possível utilizar também pessoas que ‘só arranham’ francês para que possam ocupar estes postos de trabalho. A obra está a avançar, há um projecto já de alguém que está interessado em recuperar aquele edifício que está ao lado do caminho-de-ferro para se poder fazer ali um bar, um restaurante, snack-bar ou alguma coisa desse tipo. Estamos a trabalhar nisso e vamos também, já que estamos a mexer ali, aproveitar para dar um arranjo na Praça 1º de Dezembro que será uma prioridade no início do próximo ano. Assim como as obras do Município que já parecem as obras de S. Torcato, neste caso porque nunca mais começam.

NF – É desta vez que vão recuperar a ala principal da Câmara?

RC – Sim, é desta vez que vamos recuperar a fachada e dar um arranjo aqui ao salão nobre até para darmos a marca de como queremos a Câmara diferente. Ao mesmo tempo está-se a dar a renovação do parque informático, a alteração dos mecanismos e do modo de funcionamento da autarquia interna também está a ficar no ponto, um dia destes arranca, e há aqui um conjunto de modificações que também passam pelo espaço físico que está realmente muito antiquado, pelo acolhimento e pela dignidade que o Município tem de dar quando recebe as pessoas e se apresenta. É uma obra que espero lançar ainda este ano, pelo menos a parte burocrática de modo a que lá para a Primavera, acreditando que não há muitas reclamações nos concursos, possa começar.

NF – Vão também recuperar a Avenida do Brasil?

RC – A Avenida do Brasil ainda não será a obra que eu gostava. Acho que precisa de uma intervenção maior. Para já vamos arranjar aqueles passeios porque que é uma das queixas que as pessoas fazem porque não conseguem passar com as árvores que estão no meio dos passeios. Vamos retirar essas árvores, do lado, que não têm grande valor, as melhores estão naquela placa central, e vamos dar um pequeno arranjo, mas não será uma intervenção profunda. Ainda não é a requalificação que merecia mas esse é um projecto mais ambicioso que está ligado com a Circular que é um dos problemas de Fafe que dividiu a cidade em duas. Mas é um projecto de grande envergadura e não será para já.

NF – Outra obra pendente, já do orçamento anterior, é a recuperação da zona envolvente da Igreja Matriz. Caiu?

RC – Não, não caiu. Não tem uma verba própria atribuída mas ao definirmos a área de intervenção urbana que está a ser feita para a recuperação da Cumieira, vamos tentar inclui-la aí, mas sem compromisso. Assim como a recuperação da Praça Jose Florêncio Soares onde também estamos a pensar intervir. Mas não há decisão nenhuma ainda sobre isso.

NF – Outra grande obra que anunciam é o Mercado Municipal. Como vai ser?

RC – Está garantido o financiamento. O projecto ainda não está terminado a 100% mas já dei instruções aos serviços para chamarem as pessoas que trabalham no mercado para darem também uma opinião sobre o projecto, o que me dizem que será pacífico porque vai ficar muito melhor. As pessoas terão muito melhores condições de trabalho.

NF – Conseguiu ultrapassar os problemas com os lojistas?

RC – Os lojistas para já não saem. A única coisa que sai é o mercado, mesmo. Os outros são os proprietários das lojas que estão lá e já temos no orçamento uma verba para podermos adquirir essas lojas, que já não são muitas porque a maior parte são nossas. Agora vamos retirar de la só o mercado e depois vamos conversar com os proprietários. Já temos algumas propostas. Vou fazer uma terceira, ou quarta, tentativa com as pessoas que já se disponibilizaram para vender, há algumas mais renitentes, mas não queria ir pela expropriação. Mas se tiver que ser, lá terá que ser. Temos o projecto pronto, logo que o financiamento receba luz verde do Tribunal de Contas podemos lançar o concurso. Estrada do Saibro, Estrada de Passos, Estrada de Silvares S. Clemente e Mercado Municipal têm financiamento assegurado e garantido via empréstimo, nem nos consomem fundos disponíveis, sequer. A concretização depende só de se fazer os concursos e os timings necessários.

NF – As estradas que enumerou são as intervenções previstas na rede viária? A Estrada do Saibro vai mesmo avançar?

RC – São as maiores. Sim, a Estrada do Saibro é uma promessa com mais de 20 anos mas agora vai. O projecto está prontinho, também vai ter uma intervenção de saneamento há aqui também um financiamento que vai ser conjunto com as Águas do Norte, o concurso já está pronto a adjudicar e penso que estará por dias. E as grandes obras estão feitas. Não podemos esquecer que este executivo assumiu com as juntas de freguesias o compromisso de, de uma forma transparente e programável, transferir para as juntas um conjunto de recursos para construir obra que a junta de freguesia decide, mas que é da competência municipal.

NF – Qual o valor das transferências para as freguesias este ano?

RC – No ano passado foram 2, 614 milhões e este ano são 2,664 milhões. Aumentamos um bocadinho as transferências das despesas correntes, 50 mil euros. Isto tem a ver também com protocolos para a limpeza das vias, conservação dos espaços de lazer que são da nossa responsabilidade e passam a ser feitos pelas juntas. Não estamos a meter aqui os protocolos da educação que também são volumosos. Estamos com esta política de trabalhar em conjunto com as freguesias de modo a promovermos um desenvolvimento harmonioso, contando com a participação activa dos responsáveis locais de cada uma das freguesias. E tem corrido muito bem. Com os recursos que temos, com a crise que existe, com os constrangimentos políticos que havia e que se conseguiram ultrapassar, acho que estamos contentes com o que temos feito. Orgulhosos até.

NF – E no Parque da Cidade, qual o próximo passo?

RC – O compromisso que fiz foi que, não sendo possível conseguir recursos para fazermos a recuperação do Parque da Cidade como gostávamos, em dois anos, (cheguei a lançar essa proposta e não foi aceite) não vamos virar as costas ao parque que é muito importante porque vai ao encontro das necessidades das pessoas. Valorizar o Parque da Cidade acho que é nossa obrigação. Há algumas intervenções que ainda não se sabe bem como vão ser feitas mas a maior será a construção dos lagos. Não aqueles antigos que estavam previstos mas um espelho de água, digamos assim. vamos também melhorar o mobiliário urbano, criar zonas de bebedouros, de papeleiras, bancos, um rinque e uma tabela para as pessoas jogarem basquete, melhorar a drenagem daquelas ribeiras, limpar aquele mato, vamos intervindo.

NF - E o projecto do corredor verde também é para avançar?

RC – Pode sofrer um impulso grande. Na reunião que houve da mostra dos resultados dos alunos de Arquitectura que está no Arquivo falou-se da possibilidade de aproveitar a zona de protecção do rio que não tem capacidade construtiva, para ir começando a intervir e apresentando candidaturas. Isso evitaria a necessidade de andar a expropriar muitos terrenos ou a comprar. A expropriação é sempre a última fase quando não se chega a acordo. Vamos ver…

NF – E o novo Canil Municipal, vai ser feito onde?

RC – Já tem financiamento e aqui a questão é encontrar o terreno certo porque não é fácil encontrar uma solução. Primeiro tem de ficar numa zona que não pode ser muito periférica, se ficar muito perdido no meio do monte as pessoas não vão lá adoptar cães e é difícil os voluntários colaborarem. Se ficar no centro da cidade também não pode ser porque incomoda as pessoas e não as deixa descansar. Temos debaixo de olho uma hipótese que tem a ver com um terreno disponível na zona industrial que acho que é a melhor solução. Se por qualquer razão, assim não for, teremos que encontrar outra solução. A Câmara tem muitos terrenos espalhados pelo Município. Mas gostava que ficasse ali pela zona industrial porque está perto, não está no meio de nenhum agregado urbano e mesmo algum ruído que os animais façam não incomodarão as pessoas no descanso nocturno, as pessoas que ali estão, estão a trabalhar. Até o próprio ruído das fábricas e das máquinas abafará o ruído dos animais, seria a zona ideal.

NF – No que diz respeito à recuperação das escolas, Carlos Teixeira e Secundária, quando vai avançar a obra?

RC – São cinco milhões e cem mil euros de apoio comunitário para um investimento global de 6 milhões de euros, maior na Secundaria porque está mais degradada e a intervenção será mais profunda. É uma obra que é da competência do ME que a Câmara já se disponibilizou junto da CCDR para, à semelhança do Nó de Arões, assumir em protocolo o contrato de lançar a obra e fazer o projecto que também ainda não está feito. O financiamento está garantido por via de uma figura que é uma novidade deste quadro comunitário que se chama mapeamento que resulta do financiamento de uma obra de que existe necessidade cujo financiamento não está ligado à importância relativa dos Municípios. Para a Carlos Teixeira já temos o projecto que é da nossa competência. Para a Secundária estamos a começar a trabalhar nisso embora não tenhamos ainda o protocolo. Espero que as mudanças de governo, que complicam um bocadito, não venham a introduzir dificuldades porque isto já está tudo negociado.

NF -Que balanço faz dos primeiros dois anos de mandato?

RC – Acho que tem sido um desafio interessantíssimo e estimulante. Temos todos, executivo e oposição, razões para estar contentes e orgulhosos do trabalho que temos feito e da forma como temos conseguido enfrentar as dificuldades que são normais do dia-a-dia e temos conseguido pôr os interesses de Fafe acima das partidarites e dessas coisas menores. Acho que tem sido interessante.

NF – Acha que vai ser possível manter este clima de cordialidade até ao final do mandato? RC – Quando as pessoas se respeitam nas suas diferenças, acho que há todas as condições para que consigam ter um convívio cordial, civilizado e educado. Não prevejo grandes sobressaltos.

NF - Já pensa na recandidatura?

RC – Isso não se coloca, para já, é muito cedo. Como já disse, não sou candidato a candidato. Nunca pensei ser candidato, nunca pensei ser presidente de Câmara, faço-o com gosto, com prazer e com espírito de serviço. Eu sou católico e alguém dizia que um dos problemas dos católicos na política é que tem que sentir uma noção de serviço e eu, se calhar, tenho essa característica de sentir que estou a fazer alguma coisa útil pelas pessoas e que é um serviço. O meu serviço termina no final do mandato. Neste momento a pergunta chave não é se o Raul Cunha quer ser candidato é se o PS quer que Raul Cunha seja candidato, só assim é que poderei pensar no assunto. Mas não é um assunto que me tire o sono. Vim com o horizonte de trabalhar o mandato, ao meu estilo, mostrar a diferença e é isso que estou a fazer.

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