BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
09
Nov 16

Opinião de Alexandre Leite na revista Factos de Fafe:

 

A precariedade assume diversas formas e feitios. Mas para que possa ser mais facilmente aceite pelos trabalhadores é pintada de modernidade ou de “melhor que nada”. O desemprego é aproveitado como pressão sobre os trabalhadores, para que aceitem trabalhar apenas para garantir condições mínimas de sobrevivência.

 

A Câmara Municipal de Fafe deveria dar o exemplo e implementar um programa interno de atribuição de um vínculo laboral efectivo a trabalhadores que ocupem um posto de trabalho permanente, com o objectivo de se atingir a “precariedade zero”. O que temos visto é, em muitos casos, um patrocínio da precariedade.

 

Programas como o “Ser Solidário”, que diz ter como objectivo desincentivar o abandono dos estudos, o que tem a oferecer aos jovens é um trabalho precário, indiferenciado, de baixo salário e em que dificilmente se conseguem vislumbrar os ganhos dessa experiência, numa área profissional que pode até não ter nada a ver com o curso superior que o jovem pretende concluir. Aquela pele de cordeiro traz por baixo uma ajuda às instituições, que de bom grado recebem mão-de-obra “sem custos para o utilizador”. Precariedade com pele de modernidade, qual lobo disfarçado.

 

Empresas como a Altice e a Randstad que tão generosamente foram recebidas pela nossa Câmara, entregando-lhes, na prática, um edifício quase de borla, não tiveram o mesmo tipo de generosidade quando chegou a hora de fazer os contratos com os trabalhadores. Contratos precários, de baixo salário para a função que desempenham, de curta duração, com horários desregulados, embora todos saibamos que aqueles postos de trabalho serão permanentes e não temporários. Empresas como esta deslocam-se para países com mão-de-obra barata, leis laborais massacradas por décadas de política de direita, como é o nosso caso, e aproveitam-se ainda das escandalosas regalias oferecidas por certos municípios. A riqueza produzida pela trabalhadores de empresas como estas será convenientemente arrecadada, aglomerada, desviada para paraísos fiscais.

fafe precariedade randstad

Mas estes processos, como outros pintados de modernos, não são uma inevitabilidade, muito menos modernos. É possível interromper o retrocesso civilizacional da precariedade. O novo quadro político na Assembleia da República, resultado das eleições de há um ano, permitiu derrubar o governo PSD e CDS que se preparava para aprofundar ainda mais os cortes nos rendimentos dos trabalhadores, nos seus direitos laborais e promoveu o trabalho gratuito nos feriados retirados. Mas é preciso muito mais do que isso. É urgente recusar a precariedade como modelo, que os trabalhadores e as organizações que os representam assumam a luta por um mundo mais digno e mais justo.

 



publicado por blogmontelongo às 18:00
02
Mar 16

Opinião de Alexandre Leite, deputado municipal eleito pela CDU, em entrevista à Fafe Tv:

 

Numa situação normal o PSD seria oposição. Estando em coligação com o PS, acaba por uma parte da oposição fazer parte do executivo da Câmara. Haveria os Independentes, que poderiam ser outra parte da oposição. À partida poderia esperar-se isso, mas têm estado, acho eu, um bocadinho apagados e realmente acaba por a oposição ser feita pela CDU. Se calhar, a escolha dos Independentes é uma escolha coerente porque as políticas que são praticada por PS e PSD, pelos vistos, não têm a oposição dos Independendentes, por isso, mesmo ideologicamente, acaba por ser uma posição coerente.

PCP FAFE Alexandre Leite

Na Assembleia Municipal nós temos apoiado programas como o Apoio à Renda e o Apoio de Emergência Social. São coisas que nós apoiamos, que acabam por ser uma lufada de ar fresco para o orçamento das famílias que estão, muitas vezes, em situações de desespero. Essa parte tem o nosso apoio, mas depois há um "mas" que é um "mas" que é bastante importante, que é, isso é muito insuficiente. Acaba por ser até uma esmola e acaba por ser uma coisa hipócrita. Por um lado, em Lisboa no Parlamento, cortam salários, reduzem o número de professores, tentam destruir o Serviço Nacional de Saúde e depois, na Câmara, PS e PSD dão uma esmola. O problema é estar a esvaziar o tanque com um balde e depois oferecer um copo de água e dizer que está a ajudar.

O PCP e a CDU sempre estiveram na defesa de um Serviço Nacional de Saúde público, de qualidade e gratuito. Nesse sentido, já noutros mandatos, o que tínhamos apontado era a crescente perda de qualidade das instações do Hospital de Fafe, a perda de valências, que foram transferidas para o Hospital de Guimarães, e nessa altura éramos apoiados também pelos outros partidos nessas críticas. E o que nós pedíamos e continuamos a pedir, o que achamos que é mais importante para a população em Fafe é a existência de um hospital público de maneira a conseguir cumpir a Constituição na questão da saúde como um direito. A passagem para a Santa Casa da Misericórdia já é outra história. O Hospital foi degradando, degradando, degradando e chegou muito próximo do zero. Agora não era difícil qualquer um chegar, pintar as paredes, cortar as sebes, e dizer que agora está muito melhor. Isso aí temos de concordar que, pelo menos em termos de aspecto, e acredito que até nalgumas questões poderá estar um bocadinho melhor, mas mesmo assim continuamos a defender que a situação que melhor defende a saúde dos fafenses é que o hospital seja público.

 

O esforço financeiro que a Câmara fez de 800 mil euros para oferecer a uma empresa que vai disponibilizar empregos precários de salários baixos, parece-me mais show-off, mais fogo-de-artifício, do que realmente uma preocupação com o emprego local. Aquilo é um tipo de emprego que é muito precário e são empresas que tanto estão hoje cá em Fafe como, amanhã, se lhe oferecerem mais meio tostão, eles mudam-se para outro lado qualquer. Foi um contrato que pode vir ser ruinoso para o Município de Fafe. A Altice/Randstad indo embora daqui a 4 ou 5 anos por qualquer razão, ou porque faliu ou porque resolveu ir para outro lado qualquer, nós ficamos com o edifício, ficamos com a dívida ao banco, ficamos sem o emprego. Acaba por ser um benefício que é dado às grandes empresas que, se calhar, se outras pequenas empresas cá em Fafe tivessem feito o mesmo pedido, não lhes teria sido cedido.

 

Uma das primeiras propostas que eu fiz na Assembleia Municipal foi a da necessidade da construção de um novo canil municipal. Lembro-me na altura de o Presidente Raul Cunha defender que se fizesse um Canil Intermunicipal que até se falava que seria em Guimarães. Entretanto aparentemente mudou de ideias e já defende que o canil seja cá em Fafe mas que se façam algumas reparações. Agora só lhe falta mudar mais um bocadinho de ideias e passar à ideia que é a mais lógica, que é a de fazer um canil em condições, num novo espaço, que não é uma obra nada cara, comparada com o que se vê por aí, e que daria dignidade aos animais, às pessoas que lá trabalham e às pessosa que o frequentam para adoptar os animais.

  Alexandre Leite CDU Fafe



publicado por blogmontelongo às 18:00
15
Ago 15

Opinião de Alexandre Leite, publicada no seu Facebook:

 

Foi amor à primeira vista. Raul viu Altice, Altice piscou o olho a Raul. Trocaram juras de amor eterno. Altice quer ir viver com Raul. Raul já vai pedir dinheiro emprestado ao banco para fazer uma casa. Das grandes, que ela promete muitos filhos. Os amigos dizem a Raul que tenha cuidado com as promessas e com o contrato de casamento, que veja bem o acordo pré-nupcial. Raul diz que vai correr tudo bem, que ela é de confiança e que vão ser felizes para sempre. Primeiro pensa fazer a casa no Parque da Cidade, mas entretanto encontra um cantinho melhor ao lado da Indáqua, não vá a obra meter água. Ninguém quer estragar o clima de romance. Mas a maioria do povo desconfia das intenções dessa rapariga. Altice, tu de quem és? De onde vens? Parece que tem sotaque francês, mas pelos vistos, para não pagar tantos impostos, tem residência no Luxemburgo. Gente fina é outra coisa. Mas Altice, apesar do namoro, quer que Raul case antes com uma amiga dela, a Randstad. Raul não se importa, que venha a holandesa que é tão boa como a francesa do Luxemburgo. O que interessa é que dê muitos filhos. Do banco já ligaram a marcar uma reunião com urgência para tratar dos papéis do empréstimo. Raul diz a todos que teve muita sorte em encontrar uma rapariga tão prometedora. E lá isso, prometedora é ela. Ainda há poucos meses namorou também com um rapaz de Vieira do Minho. Ele também disse que tinha muita sorte. Disse que foi por intermédio de um vizinho emigrado na França que se conheceram. E o de Vieira lá fez também obras numa casa velha que lá tinha. Não foi de raiz mas ainda gastou uns milhares para a instalar. Entretanto a dupla de amigas, a Alitce e a Randstad, também conseguiram encantar um rapazito da Guarda e um outro de Castelo Branco. Os dois tinham casas usadas, de antigos namoros, onde fizeram obras e lhes oferecem estadia. Parece que elas são daquelas que namoram com quem lhe oferecer alguma coisa. Pode ser formação profissional, podem ser pavilhões com rendas baixas, podem ser edifícios novos. Elas não são esquisitas. E os pobres dos rapazes lá vão iludidos com a promessa de muitos filhos, e com as juras de amor eterno, e lá vão abrindo os cordões à bolsa. Aqui o nosso Raul até é o que lhe vai fazer a melhor casa. Nada de casas velhas. Faz-se uma novinha e não se fala mais nisso. Este amor é para sempre… até ver. E se daqui a uns anos a querida Randstad lhe pede mais uns sofás e uma televisão nova? Paga Raul, se não ela vai embora! E o Raul, que remédio tem, se enterrou dinheiro na casa, não é agora por causa dos sofás que vai deixar fugir a rapariga. E ela lá se vai aproveitando. Relações modernas, dirão alguns.

A Altice e a Randstad já tiveram namoros na França. Estão a abandonar os filhos que lá têm e vêm à procura de casório em Portugal. Dizem que escolheram Portugal porque há muita gente que fala francês. Um pouco estranho para quem vem de França… então não havia lá quem falasse francês? Será que a ideia é conseguir aqui uma vida mais barata e assim juntar mais uns milhares no final do mês?
Quem sai de França por não encontrar pessoas suficientes que falem francês e as vem procurar em Fafe, também se pode lembrar de ir procurar namoro que lhe ofereça mais qualquer coisa para além de instalações gratuitas. Já dá para ver o estilo. Faz attention Raul.



publicado por blogmontelongo às 18:00
12
Ago 15

Opinião de Ricardo Gonçalves no blog Por Outro Lado:

 

Até há pouco tempo perfeitamente desconhecida da esmagadora maioria dos portugueses, esta empresa emergiu desse anonimato com a compra da PT Portugal e figura, agora, como a grande esperança para a recuperação do emprego em Fafe e Vieira do Minho (terra natal de um dos seus grandes accionistas).

Para Fafe ou qualquer outra localidade, a criação de 300 postos de trabalho, sendo crível que não sejam todos numa fase inicial, funcionou como um gatilho que fez disparar a atenção de todos nós. É um projecto prioritário e deve ser encarado como tal.

No entanto, nada justifica a trapalhada em que o município de se enredou acerca da localização deste projecto. Decisões precipitadas raramente são acertadas e as correcções posteriores são sujeitas a custos políticos. Sublinho que concordo com a agilização da decisão mas, ainda assim, a aprovação da contracção de um empréstimo para a construção de um edifício num local para, dias mais tarde, ser indicado outro local sugere que o assunto não foi muito ponderado.

Sem retirar qualquer réstia de mérito ao projecto e seu "apadrinhamento" pelo executivo municipal, acredito que este merecia melhor ponderação. Desde logo, a localização porque não me parece que a melhor solução seja qualquer uma das localizações indicadas. O parque da cidade porque a vocação daquele espaço deverá ser outra e os terrenos contíguos à antiga estação de caminho de ferro porque irá criar uma pressão muito grande no centro urbano por causa dos movimento dessas 300 pessoas.

Esta seria uma oportunidade para tentar incentivar o uso do transporte público através da instalação da empresa na área próxima à central de camionagem. O chamado edifício da "Sacor" ou mesmo aproveitar a oportunidade para resolver o problema do mercado municipal eram ideias que mereciam ponderação, na minha opinião. Tratar-se-ia de promover o uso de transporte público mas essa não foi a opção. Respeito, como é óbvio, mas lamento que não tenha havido maior reflexão.

 Importante é que a empresa se instale em Fafe, que o projecto seja a longo termo (apesar de, ao que sei, só ser garantido por 5 anos) e que seja a mais-valia que aparenta ser. Todos ficaremos a ganhar com isso e não apenas aqueles que lá conseguirem o seu emprego.



publicado por blogmontelongo às 18:00
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