BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
04
Mai 16

Opinião de Pedro Miguel Sousa no seu blog:

 

Povo... Jornal… Notícias… Comboio... Expresso… (de Fafe). Fafetv.

     Não importa o veículo. O que importa efetivamente é que a comunicação existe e há muitas formas de se fazer cumprir aquele que é o principal objetivo de um órgão informativo – informar.

     Jornais. Blogues. Canais web. Páginas de facebook.

     Depois de um tempo de quase monopólio, não fosse o serviço público de alguns blogues que teimam em trabalhar por carolice e um ou outro que tanto contribuem sobretudo para o património cultural, multiplicaram-se os órgãos informativos e, desculpem se penso diferente, eis que uma cidade consegue ser tão rica em contribuir para esta nobre missão outrora tão restritiva ao pensamento de alguns.

     Há cerca de quatro anos, Fafe viveu um dos maiores momentos de debate público. Um grupo de Fafenses dava voz ao ‘BlogMontelongo’, um espaço de confrontação, um verdadeiro forum romano. Como em tudo, surgiram vozes discordantes de políticos locais insurgindo-se contra um espaço sem diretor, mas ali todos tinham mais do que o nome nos artigos, havia um rosto facilmente apontado para outros espaços dos seus autores. Esse foi e será um marco fundamental para a história (ou estudos sociais) de Fafe.

     Uma notícia pode ser dada de muitas formas. O mesmo acontece com uma fotografia. Ambas dependem da abertura da objetiva. Tanto se pode focar no cortar da fita como em todo o público presente. O jornalista ou fotógrafo escolhe o ângulo. E foi assim durante muito tempo. Só um grupo muito restrito tinha opinião em Fafe. As suas posições nunca eram confrontadas. Tudo era controlado ao milímetro e ai de quem ousasse pensar em publicar um artigo que pusesse em causa o aparelho, o amigo das tertúlias ou do conhaque ao final de mais um dia de escritório.

     O Abril ainda não se fez totalmente. É verdade. Mas não estará muito longe de acontecer. Aqueles que ontem eram todos poderosos, hoje conhecem o sabor da derrota. Os que julgam os seus pensamentos superiores, hoje são confrontados. Os que consideram os outros inferiores, são muito ultrapassados.

     E para isso, quantas armas se usaram?

     A mais poderosa de todas elas: a escrita. Todo o resto é a mudança de mentalidades que finalmente está a acontecer.

 

“eles (já não) comem tudo…”

publicado por blogmontelongo às 18:00
30
Abr 16

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

Para que se viva hoje num outro país que não esse tão cinzento, para podermos hoje celebrar a revolução que rompeu com quatro décadas de uma ditadura fascista, foi preciso que muitos lutassem, sofressem, morressem até, lutando por um mundo mais justo. O 25 de Abril não nos foi oferecido nem caiu do céu. Foram precisos anos de luta dos trabalhadores e do povo. A justa luta contra o colonialismo e pela independência e soberania das nações africanas lideradas, entre outros, por Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Samora Machel, foi fundamental para que triunfasse o 25 de Abril. As lutas dos trabalhadores agrícolas do sul do país pelas 8 horas de trabalho diário. As lutas dos estudantes em defesa da autonomia universitária e contra a repressão. A luta dos trabalhadores da indústria têxtil cá em Fafe e por todo o vale do Ave, nas décadas de 1950 e 60. As lutas dos comunistas, cujo partido era proibido e que, na clandestinidade, organizou e ajudou os trabalhadores e o povo a resistirem à ditadura.

Os que viveram esse tempo vão lembrar-se, certamente, na próxima segunda-feira, da alegria que foi a libertação da ditadura há 42 anos. A esperança que sentiram de que era possível um país novo, democrático, livre e soberano. Revivendo essas memórias, alguns ficarão com os olhos embaciados ao recordar refrões das canções de Abril: “somos livres de voar”, “o povo é quem mais ordena”, “terra da fraternidade”, “agora, o povo unido nunca mais será vencido”.

É preciso lembrar e sublinhar também a importantíssima e corajosa ação dos militares de Abril que foram a chave que abriu a porta por onde, de seguida, passaram a democracia e a liberdade. E essa porta, quatro décadas depois, continua aberta. Mas, como todos sabemos, há quem desde o primeiro dia a tente fechar.     Apesar dos enormes avanços sociais proporcionados pelo processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril, muitos foram e continuam a ser os ataques à Constituição da República Portuguesa. Apesar da criação do Serviço Nacional de Saúde, uma das mais significativas conquistas do povo português, há quem tenha saudades dos tempos em que os hospitais pertenciam às instituições de caridade, como as Misericórdias, onde o acesso aos tratamentos de saúde dependia da condição económica de cada um. Apesar da liberdade de expressão e da diminuição das desigualdades sociais no pós 25 de Abril, ainda há quem tenha saudades de “Marcelos Caetanos”.

A Constituição aprovada em 1976 é a pedra que impede que se feche a porta. É por isso que tantos ataques ela tem sofrido. É por isso que tão energicamente temos de a defender.  Nesta “Terra da Justiça”, onde nos encontramos, é preciso relembrar que não é a caridade mas sim a justiça social que faz jus à nossa Constituição. É defendendo as conquistas do 25 de Abril que se promove a justiça.

publicado por blogmontelongo às 18:00
25
Abr 15

Poema de Daniel Bastos publicado no seu livro "Terra" e ilustração de Orlando Pompeu.

 

Floriste nos cravos

vermelhos de abril,

brandindo as fardas

da ditosa revolução

sublevada em canção,

prenúncio primaveril

da almejada liberdade

que durante o negrume

da tirania se exprobrou,

mas que toda uma nação

- o valoroso povo luso

exaurido pela tragédia

e a pérfida soberba

do orgulhosamente sós -

singelamente conquistou.

Cumpra-se Abril então!

Orlando Pompeu, Aurora de Abril.jpg

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
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