BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
31
Mai 17

Opinião de Elsa Lima, directora do jornal Notícias de Fafe:

 

     A festa está bonita, por estas bandas. E não me refiro só às Feiras Francas.

     Mas começando por aqui, é evidente que foi um sucesso a edição desta ano em que o Município voltou a apostar, e a meu ver bem, no Parque da Cidade, como recinto para receber o evento. Embora o tempo não tenha ajudado nos primeiros dias,a adesão foi em massa e o programa, simples, na génese, e de encontro à tradição, revela-se uma boa aposta, sem grande necessidade de alterações ou novidades.

     Num recinto agradável ao ar livre, é feliz a ideia da praça dos petiscos, proporcionando um ponto de convívio entre amigos e familiares, que saem de casa para desfrutar das festas da terra, próximo dos divertimentos para as crianças e da animação musical, no essencial popular e animada, como pedem este tipo de eventos. Foi também evidente, este ano, uma maior adesão da juventude, o que é de saudar, também, despertando um bairrismo saudável, em redor das festas da terra, que se vão assim adaptando aos novos tempos, mantendo a vitalidade.

     Repetiram-se os números obrigatórios, que arrastaram à cidade milhares de pessoas, e a Feira Rural, embora mais pobre, e longe ainda da vitalidade que teve no início, foi também um ponto de interesse, e de visita. Penso que no essencial, o Município esteve à altura da organização do evento, a exemplos de outros que tem vindo a realizar, destacando-se na capacidade demonstrada para as festas, uma marca deste mandato. E neste campo os fafenses não se podem queixar. Sem deixar cair a bola no chão, fecham as Feiras Francas e os holofotes viram-se para as serras de Fafe que serão palco do WRC Vodafone Rally de Portugal. Não tarda nada, chegarão também as Festas da Nossa Senhora de Antime e depois o Festival da Vitela para animar a malta porque de tristezas está o mundo cheio. Raul Cunha gasta assim os últimos cartuchos no último ano de mandato com muitas obras anunciadas, cujo arranque aprece estar a ser guardado também para os meses finais, num convite à continuidade. Por outro lado, Antero Barbosa já avançou para o terreno com a sua candidatura independente, no propósito de não facilitar a vida ao candidato que foi escolhido pela direção do partido que não rejeita, ma que tem agora de afrontar. Assim, andou também pela festa, ao lado de José Ribeiro, que é ainda o líder do PS local, e se recusa a deixar o cargo, de Vitor Moreira e Helena Lemos que são ainda vereadores do PS no executivo liderado por Raul Cunha, mas 'pedem votos' para Antero, e de autarcas locais em exercício, eleitos com o apoio do PS, mas que estão em campanha por Antero. Assim, vai reinando a confusão entre festas e foguetes, permanecendo a dúvida sobre que vai lançar as girandolas finais, a 1 de Outubro.

     Bom...mas para já o que interessa é ver passar o rali, e que Fafe fique bem nas fotografias e na TV, com a casa, aparentemente arrumada, e depois, o mais certo, é que os tempos sejam de limpeza e de esclarecimento.

 

Foto: Município de Fafe

publicado por blogmontelongo às 18:00
10
Mai 17

Opinião de Hernâni Von Doellinger publicada no blog Tarrenego:

 


Vou direito ao assunto: a corrida de jericos faz falta. Olho para os destaques das Feiras Francas de Fafe, que arrebentam já daqui a quinze dias, e o que se segue? Vinhos e petiscos, fados, rusgas de concertinas, ranchos folclóricos, concurso pecuário e chega de bois. Também Emanuel e corridas de cavalos a passo travado. Passo travado. Só faltava dizerem-me que as cavalgaduras vão de salto alto e concorrem ao Vestido de Chita, no Jardim do Calvário. Mas burros é que nada, e logo nos tempos que correm e em Fafe, tempos e sítio de fartura, não consigo perceber...
Até parece: deixei a terra e agora não há burros em Fafe, é? Seria eu o último?

Lembro-me muito bem como era. Havia a corrida de cavalos, sim senhor, coisa amadora, com montadores e montadas da terra e arredores, que mediam forças por entre um mar de gente cheia de entusiasmo, chapéus e vinho, na mais nobre rua da vila, o empedrado - ou pavê, como dizem agora os especialistas - onde costuma terminar a etapa da Volta a Portugal em Bicicleta. Partiam em frente ao Café Império e iam dar a volta na Cafelândia, ainda não havia rotunda nem banco, com as ferraduras novas a chisparem por todos os lados e alguns animais, de travões bloqueados, a espargatarem contra vontade para um 10 de nota artística nos Jogos Olímpicos e os donos irremediavelmente de focinho no chão. Ao Império regressavam apenas três ou quatro conjuntos completos e o pódio era discutido já depois de cortada a meta, à força de varapau, ameaças de tiros e polícia, com a multidão a tomar diferentes partidos, de cabeça e chapéus perdidos, mortinha por também molhar a sopa. Isto eram as pessoas, os cavalos não se metiam. Mesmo os cavalos que tinham terminado a prova sozinhos, apesar de um tudo-nada desorientados, mantinham o fair play, viravam as costas à confusão e iam procurar os donos mercurocromados para pedirem desculpa pelo mau jeito. Quanto ao júri, ponderava criteriosa e responsavelmente todos os argumentos em discussão, sobretudo os argumentos que metiam pistola, e depois entregava a taça às primeiras mãos que a agarrassem.
O melhor vinha a seguir. Era a corrida de burros, que não era bem uma corrida, porque os burros recusavam-se terminantemente a correr. Davam uns passos, nem sempre no sentido correcto, e se calhar às vezes não havia vencedor. Mas o povo ria-se. É preciso que se note, porém, que os burros portavam-se assim não por serem burros mas por serem ignorantes. Na verdade, naquele tempo eles ainda não sabiam do estudo da Universidade de Londres que aqui atrasado descobriu que os burros não são animais estúpidos nem teimosos. Serão surdos ou não compreendem inglês, quando muito, mas agora já sou eu a extrapolar.
O Reigrilo tinha uma burra que se chamava a burra do Reigrilo. O Reigrilo era tão teimoso como a burra, portuguesa e analfabeta, mas bebia muito mais. Eu nunca na vida vi o Reigrilo sóbrio. A sorte dele, quando saía do tasco do Paredes em adiantado estado de fermentação, era exactamente a burra, que o levava a casa, submissa e em piloto automático, debaixo de um chorrilho de insultos e chibatadas absolutamente imerecidas. Eu tinha medo do vinho do Reigrilo e a burra parecia que também.
Creio não cometer nenhum erro histórico se afirmar que a burra do Reigrilo só fazia frente ao dono pelos "16 de Maio", na corrida que nunca era. O Reigrilo, altamente decilitrado, aparecia sempre, para incómodo da organização e gáudio da populaça. Podiam dar a partida quantas vezes quisessem: a burra do Reigrilo não saía do sítio, apesar das bordoadas impiedosas que apanhava, e se se mexia era apenas para deitar o dono de cangalhas, uma e outra vez, numa vingança anual e certamente bem amadurecida, ali mesmo à frente de todos, onde a humilhação do homem podia ser maior.

Pois agora nada. E tenho a certeza de que a malta nova havia de se divertir à brava com a corrida de asnos. Mas ao que eu vinha: não sei o que se passa com Fafe, que lhe deu para inventar tradições, como se as não tivesse, verdadeiras, antigas, genuínas e únicas. Fafe perdeu o sentido. Fafe da segunda década do século XXI tem uma linha de montagem de "novas" tradições, trabalha a todo o vapor, borbulha de "cosmopolitismo", e se calhar está a fazer bem, embora o povo não saiba ou não faça caso. Eu vejo as "iniciativas", eu vejo as fotografias oficiais e assassinas, e na plateia - apenas duas ou três filas mal vestidas - estão lá só e sempre os quinze do costume. Então onde está Fafe?
Por outro lado, dá-me pena que a minha terra (ou quem manda na minha terra) tenha vergonha da Justiça de Fafe. Dá-me pena que Fafe tenha vergonha dos seus burros. Como se alguém que de momento pode e manda quisesse varrer para debaixo do tapete de pelúcia a memória (e a história) mais terra-a-terra de Fafe, "para não parecer mal" aos senhores de fora e para parecer bem na televisão. Enfim, uma jericada...

P.S. - As eleições autárquicas em Fafe não me interessam. Fossem outras as pessoas candidatas, e talvez sim. Mas interessam-me os burros meus conterrâneos e a Justiça de Fafe. Muito! Por isso me repito, mas também é da idade. E, enquanto puder e a merda for a mesma, todos os anos por esta altura cá estarei a repetir-me outra vez. Quanto às moscas, é lá entre elas...

publicado por blogmontelongo às 18:00
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