BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
09
Jun 14

Território de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, situado no distrito de Braga, o concelho de Fafe, popularmente conhecido pela lenda da Justiça de Fafe, e orgulhoso do título de “Sala de Visitas do Minho”, destaca-se no panorama nacional pela sua afamada gastronomia, nomeadamente a “Vitela à Moda Fafe” e o afamado pão-de-ló e cavacas de Fornelos e Arões, sempre bem acompanhados com o vinho verde da região. Ladeado pelas serras do Marão, Cabreira e Gerês, palmilhado por rios e ribeiros que correm para o Vizela, principal linha de água que nasce no Alto de Morgaír e desagua no Ave, as potencialidades e turismo de natureza cunham o concelho de Fafe. Como qualquer outra terra minhota, Fafe tem uma forte corrente emigratória. A afirmação e construção contemporânea do concelho advêm da emigração para o Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX, quando milhares de homens locais seduzidos pelo eldorado brasileiro atravessaram o atlântico. O regresso a Fafe dos “brasileiros de torna-viagem” trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, que sustentou a construção de moradias apalaçadas, do Jardim Público, das primeiras escolas e asilos, dos primeiros polos industriais têxteis, como as conhecidas fábricas do Ferro e do Bugio, do Hospital da Misericórdia, da Associação Humanitária de Bombeiros e do Teatro-Cinema. Estas marcas históricas e culturais que ainda hoje perduram no concelho, e tornam Fafe um exemplo singular ao nível da arquitetura dos “brasileiros de torna viagem”, levaram o Município a instituir no início do séc. XXI, o Museu das Migrações e das Comunidades, sedeado na Casa Municipal da Cultura, e que é um espaço de paragem obrigatória para quem pretende conhecer e visitar a “Sala de Visitas do Minho”. A beleza natural e paisagística de Fafe continua ainda hoje a projetar além-fronteiras o concelho. A Casa do Penedo, uma habitação particular de férias, situada na serra de Fafe, próxima do mítico troço Fafe/Lameirinha que catapultou o concelho como “catedral dos ralis”, foi considerada pelo site Strange Buildings, através da votação dos utilizadores que está constantemente a ser atualizada, o atual edifício mais estranho do mundo.

Construída em 1972 a partir de quatro rochas e sem eletricidade, esta casa tem atraído muitas atenções e visitas, nomeadamente dos amantes da natureza, arquitetura e internautas dos quatro cantos do mundo, liderando a lista dos 50 edifícios mais estranhos do mundo à frente, inclusive, das torres rotativas do Dubai, a Casa Nautilus, na Cidade do México, o Parque Guell e a Sagrada Família, em Barcelona, o Teatro Nacional de Pequim, o Museu de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro e a Casa da Música, no Porto.

 

Daniel Bastos - Historiador e Escritor

 

Nota: Artigo publicado no Jornal Repórter X- Cultura de Expressão Portuguesa, um jornal de cultura gratuito sedeado na Suíça, que noticia temáticas ligadas à Diáspora, a Portugal e à Suíça. Periódico Mensal n.º 27 – Junho 2014 / Ano III – Tiragem de 5.000 Uni.

publicado por blogmontelongo às 18:00
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