BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
24
Jan 18

Entrevista a Manuel Alves Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Medelo, publicada na revista Fafe Atual:

 

FA:Recentemente eleito, quais são os projetos que tem para este mandato que acabou de se iniciar?

MF:Vamos procurar fazer aquilo que prometemos aos medelenses na recente campanha eleitoral. Em termos de obras, a sede da junta está já a ser alvo de melhorias, estamos a resolver algumas infiltrações de água que existiam e a reformular a secretaria para poder receber o novo posto de atendimento ao cidadão. Vamos também relvar o nosso polidesportivo, com relvado sintŕtico, sendo fundamental para as nossas crianças. Quero também ver se é possível cobrir o polidesportivo, embora saiba que esta cobertura não depende só de nós, mas depende também da câmara, do apoio que possa vir a dar à obra. Achamos que é crucial esta melhoria,temos a escola que é frequentada por mais de 80 crianças e no inverno ficam privadas da prática desportiva, o que com a cobertura já seria possível. Se a câmara nos cobrir o polidesportivo, o que não me parece descabido, nós conseguimos fechar o espaço,ficando praticamente um pavilhão, tornando-se uma mais valia para a freguesia. Temos também intenção de comprar um terreno, na zona central da freguesia, queremos lá fazer um parque de manutenção e lazer, com cerca de 4500m2 de área. Vamos também repavimentar algumas estradas, alargamento e melhoria de outras. O saneamento continua a ser a nossa grande prioridade e faltam-nos três ou quatro ruas, somos nesta altura uma das freguesias com maior cobertura de saneamento. Desde que exista uma casa que não tenha saneamento e que esteja a poluir, nós temos a obrigação de fazer os esforços para resolver e dotar todas as habitações de cobertura, até porque é uma questão de saúde pública. Iremos continuar a aposta para que o gás natural chegue ao maior número de casas, está em curso a ligação a mais cerca de 30 habitações, numa parceira entre a EDP Gás e a junta. Medelo é neste particular também uma das freguesias com maior área com distribuição de gás natural.

 

Por outro lado, iremos também continuar a criar passeios nas ruas que ainda não os têm, até porque há cada vez mais gente a caminhar e a percorrer as ruas da freguesia a pé e temos de lhes dar as melhores condições. Procuraremos continuar a apoiar as coletividades da freguesia. Vamos também implementar o orçamento participativo no próximo ano. Temos também a intenção de manter as atividades como fizemos agora pelo Natal, juntamos 117 idosos da freguesia num almoço, tivemos uma festa da criança com mais de 100 crianças, são iniciativas que vamos manter, que têm custos, mas que nos reconfortam pelos sorrisos que criamos nas pessoas.

 

Medelo fafe Manuel Ferreira

FA: Medelo não tem sofrido com a desertificação, continua a aumentar a sua população?

MF: Pelos últimos dados referentes aos Censos, crescemos cerca de 20 pessoas, nos últimos 10 anos. O PDM, plano diretor municipal, não tem ajudado. Até à última revisão, Medelo estava muito bloqueado em termos de construção, agora melhorou um pouco, mas mesmo assim o coração da freguesia, a zona da Batoca, está ainda bloqueada. Na minha opinião não faz muito sentido, a zona tem eletricidade, tem rede água, tem saneamento, tem boas vias de acesso, por isso não entendo o porquê de não se poder construir ali.

 

FA: Quais são as grandes carências de Medelo?

MF: Obviamente que sou suspeito mas Medelo não me parece que tenha grandes carências. Neste mês de dezembro fez 16 anos que a LIM, Lista Independente de Medelo, ganhou pela primeira vez as eleições, e ao longo destes 16 anos temos vindo a responder a essas carências, acho que agora estamos numa fase de começar a embelezar. Na altura tínhamos estradas por pavimentar e agora não há, temos é pisos que precisam de ser revistos. Temos ruas que ao terem cobertura de saneamento precisam também de ser repavimentados, devido ao desgaste que o piso atual tem. São estas as carências que a freguesia tem e onde vamos apostar. Temos uma boa escola, precisávamos de uma boa biblioteca. Temos uma biblioteca, mas não é a ideal, precisávamos de uma maior.

 

 

FA: Em termos sociais, Medelo tem valências à altura para dar respostas à sua população?

MF: Felizmente a obra que o Sr. Padre Manuel tem vindo a fazer tem sido de se lhe tirar o chapéu. A junta nem tem que se preocupar com essas questões porque está a ser muito bem trabalhada a questão social na freguesia, tanto nas infraestruturas como no apoio ao domicílio aos mais idosos. Esta é uma área que deve ser feita por quem sabe e a paróquia tem demonstrado que sabe e nós não temos que nos meter nessa matéria.

 

FA: A população de Medelo é participativa?

MF: Não tanto como nós gostávamos que fosse. Para dar um exemplo, fazemos um passeio anual onde levamos quatro autocarros, totalizando cerca de 200 pessoas, no almoço de idosos tivemos cerca de 117 participantes, há muito mais população, mas uns não vêm porque não querem, outros não vêm porque não estão suficientemente enraizados na freguesia, mas estas atividades também são para isso mesmo. Medelo é um pouco o dormitório de Fafe, uns integram-se quer através da catequese, quer das escolas, outros gostam de estar no seu canto.

 

FA: O ambiente em termos políticos é pacífico em Medelo?

MF: Sem dúvida, desde os meus tempos de oposição e até aos dias de hoje é um ambiente saudável.

Basta verificar que todos os orçamentos e relatórios de contas do mandato anterior foram aprovados por unanimidade, isso demonstra que há aqui uma boa ligação. Não quer dizer que a oposição não faça o trabalho que tem de fazer, o executivo também vai de encontro às pretensões da oposição.

 

FA: Considera relevante a criação do posto de atendimento ao cidadão?

MF: Acho que faz todo o sentido, apesar de estarmos perto da cidade, temos funcionária e temos instalações que o permitem criar, por isso, os medelenses ficam a ganhar com a criação do serviço.

 

 

FA: Esteve 12 anos como presidente, no mandato anterior foi presidente da assembleia de freguesia, qual o motivo para voltar a assumir a presidência da junta?

MF: Essa é uma questão que até eu às vezes coloco a mim próprio. As pessoas pensam que isto dá muito dinheiro, mas a junta não dá dinheiro, eu perco mais em estar aqui do que se estivesse sossegado em casa. A mim o que dá prazer, e eu gosto, é ter dias reconfortantes como aquele da festa de Natal dos idosos e das crianças, em chego a casa de alma e coração cheio. O que também nos motiva é olharmos para as obras e dizer, foi graças ao nosso trabalho e empenho que isto foi feito.

 

FA: A descentralização e delegação de competências que o mandato anterior de Raul Cunha na câmara de Fafe, implementou é um fator decisivo e positivo na sua opinião?

MF: Essa foi uma das mais valias da gestão do Dr. Raúl Cunha no Município de Fafe. A maneira como ele fez a transferência de competências e consequentemente o orçamento repartido nos quatro anos, que deu aos presidentes de junta alguma autonomia para poder gerir melhor os seus destinos, não quer dizer e não me posso queixar da gestão anterior do Dr. José Ribeiro, se fizermos tanto como fiz nos mandatos anteriores, já me dou por satisfeito. Qualquer presidente de junta poder saber que pode contar com a verba x todos os anos é fundamental, até porque como estamos mais perto da realidade e com 1 euro conseguimos fazer mais e melhor, a câmara também consegue fazer mais com pouco do que o governo, é a proximidade e o conhecimento da realidade.

 

FA: A junta é também um grande dinamizador junto das associações da freguesia?

MF: Sim é verdade, a nossa política nessa matéria é de ficar na retaguarda e fomentar junto das associações da freguesia para que organizem eventos e dinamizem a própria freguesia. Procuramos ser um parceiro, com responsabilidade, mas nunca querendo substituir as associações. Por exemplo nas festas de S .Mateus, o apoio financeiro da junta é uma gota no oceano, mas é um fator importante para a organização e que os incentiva. Aquilo que damos pode não significar muito, é um grande esforço para a junta e certamente que os ajuda a desenvolver as suas atividades. Felizmente Medelo tem muitas associações e muito dinâmicas.

 

FA: É importante ter uma instituição de ensino superior na freguesia?

MF: Sem dúvida que é uma mais valia, desde logo pelas pessoas que traz até Medelo, quer pela divulgação do nome em si, quer pela dinâmica que cria em termos económicos na freguesia, na restauração e no alojamento. É muito importante contarmos com uma instituição universitária da valia do IESFafe na nossa freguesia.

 

FA: Medelo continua a ser das freguesias mais procuradas para viver, porquê?

MF: Medelo tem tudo, oferece condições que poucas oferecem. Para dar um exemplo, a nossa escola recebe alunos de várias freguesias, porque é acolhedora, sendo preferível as crianças estarem

numa escola com somente quatro turmas e onde são tratadas pelo seu nome, do que estar num polo educativo de maiores dimensões. Temos depois outra valência que é apoio à juventude, tem o ATL e

existe uma boa interligação, complementa bem com a escola. Medelo possui ainda a casa das Letras, que é um centro de estudo, portanto no plano educativo nenhuma outra freguesia tem o que

Medelo tem. Isto é um sinal claro de desenvolvimento da freguesia.

 

FA: Tem sonhos ainda por concretizar para a freguesia?

MF: Tenho alguns e até tenho receio de falar em alguns desses sonhos mas existe a esperança de neste mandato concretizar parte deles. Também aqui estou por causa desses sonhos.



publicado por blogmontelongo às 18:00
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