BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
27
Jan 18

Opinião de Alexandre Leite, PCP, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

O gás natural canalizado é mais barato, mais ecológico e muito mais cómodo que o gás de botija. O centro da freguesia de Fafe e uma pequeníssima parte de algumas freguesias vizinhas já estão servidos pela rede de gás natural. Por que razão não cresce mais a rede de gás? Por que razão há algumas situações em que um dos lados da rua está servido de gás natural e o outro lado, a escassos metros, não consegue obter esse serviço? Não há pessoas interessadas em passarem a usufruir desse recurso? Há… Não há indústrias espalhadas pelo nosso concelho que preferiam poder ter acesso à rede de gás canalizado e aumentar assim a sua competitividade e diminuírem a sua fatura energética? Há…

O que há também, por outro lado, é uma empresa privada à qual foi concessionada a distribuição do gás canalizado e que tem como um dos objetivos principais a canalização de dividendos aos seus acionistas. A satisfação das necessidades da população e o aumento das potencialidades do setor industrial nacional não são claramente o seu objetivo principal. Já se chamou Portgás, entretanto passou a ser EDP Gás e no ano passado foi comprada pela REN por 500 milhões de euros. Por sua vez, a REN é detida, entre outros, pela empresa chinesa State Grid, por uma petrolífera de Omã, pela Fidelidade (que agora pertence à chinesa Fosun) e por outros acionistas que obviamente não imaginam onde fica Golães nem Regadas e o que querem saber é quanto vão receber de lucros no final do ano. O que dá mais lucro é instalar a rede de gás onde se prevê que haja maiores consumos de gás. Não lhes “compensa” ir a Travassós, Freitas ou Fareja. Não é por dificuldades técnicas ou por falta de recursos. Não é propriamente a lei do menor esforço, é mais a lei do maior lucro. Mas há aqui alguém que fica todos os dias a perder: a população fafense que ainda não tem acesso à rede.

gas natural fafe

Para além disso há um poder político nacional que privatizou o setor estratégico da energia e um poder local que se limita a gerir o que lhe vão dando sem lutar por esclarecer e mobilizar a população colocando-se, por norma, do lado dos “grandes”.

A defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo não é compatível com as privatizações dos setores fulcrais do Estado das últimas décadas. Os problemas estruturais do país, resultado de décadas de política de direita, não serão enfrentados por quem foi assobiando para o lado ao mesmo tempo que desbaratava a soberania nacional e nos subjugava aos interesses das multinacionais.

Não faltam exemplos de que as privatizações pioram o serviço público prestado às populações, aumentam a médio prazo a despesa de todos os cidadãos e enchem de zeros as contas dos novos donos disto tudo. O mais recente caso é os CTT. Desde a sua privatização a empresa já canalizou 240 milhões de euros para os seus acionistas e ao mesmo tempo o preço do correio normal (até 20 gramas) aumentou 47 por cento. A administração reduziu muito o número de trabalhadores e aumentou a sobrecarga e a pressão nos que ficaram, sendo evidente que fazem falta mais.
Há várias zonas do país onde o correio só está a ser distribuído uma vez por semana e o concelho de Fafe não é exceção (em Fornelos, por exemplo, o serviço postal degradou-se acentuadamente).
Não é de política de direita, mesmo que a meio gás, que o país precisa.



publicado por blogmontelongo às 18:00
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