BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
20
Mai 15

Opinião de Cristina Sousa (IPF) no jornal Notícias de Fafe:

 

Refiro-me à mancha cada vez menor de carvalho selvagem, em tempos, dizia-se, a maior da Europa, hoje consumida pelos incêndios florestais de origem mais ou menos duvidosa a que não mais se põe fim e desbastada por abates à margem da lei, mas sempre impunes. Espécie protegida? - pergunto.

Mas, sobretudo, do nosso património construído, sistematicamente destruído sem qualquer pudor nem remorsos (visíveis), que vai desaparecendo paulatinamente perante a indiferença dos homens e das autoridades. Inúmeros casos de destruição e de desmazelo poderiam ser apontados.

Mas quero hoje referir-me especialmente ao "Castro de Santo Ovídio", importante centro arqueológico do nosso passado histórico, em tempos objecto de importantes estudos, designadamente pelo Núcleo de Arqueologia da Universidade do Minho. Aí foram realizadas importantes escavações e foi retirado importante espólio, hoje a bom recato e à vista de público no Museu da Sociedade Martins Sarmento, na vizinha cidade de Guimarães.

Mas há um bom par de anos em quase completo abandono, sem qualquer protecção, aberto a todo e qualquer acto de vandalismo puro e gratuito. E enquadra-se nesta classificação o completo desrespeito, perante a indiferença quase geral, pela envolvente que integra a área classificada em vias, se nada for feito, de ser ilegal e drasticamente diminuída.

Não fora a acção possível, honra lhe seja feita, da Associação ARCO de Santo Ovídio e a situação seria muito pior.

Porque não lançar mãos à obra, proteger, melhorar e depois aproveitar e rentabilizar o nosso património natural e construído?

SO.jpg

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
28
Jan 15

Opinião de Jesus Martinho publicada no seu blog Falaf Magazine:

 

 

Povoado Castrejo de Santo Ovídio  cada vez mais ameaçado 

O Povoado Castrejo de Santo Ovídio, em Fafe, parcialmente escavado nos anos 80, classificado como Imóvel de Interesse Público, acaba de sofrer nova “machadada”.

 

Na transição para 2015 a reactivada unidade fabril instalada entre uma zona habitacional e as ruínas arqueológicas do “Castro de Santo Ovídio”, construiu um novo pavilhão, alargando, quase para o dobro o seu espaço coberto, encurtando a já exígua faixa entre a fábrica e conjunto proto-histórico, posteriormente romanizado.

SANTO_OV_DIO_7.jpg

 

Alegadamente em zona “non aedificandi”, este monstruoso pavilhão vem poluir ainda mais a paisagem e o ambiente que, naquele local, deveria ser o mais harmonioso possível.

 

Por outo lado, o que ainda resta das ruínas trazidas à luz do dia, em estado de completo abandono, encontra-se profundamente ameaçado e se não forem tomadas medidas urgentes, o principal conjunto arqueológico do concelho de Fafe acabará por desaparecer.

A crise não pode ser pretexto para a destruição do nosso património, não deve justificar procedimentos, supostamente à margem da Lei.

 

O património cultural é de todos e todos, sem excepção, temos o dever de o proteger… está consagrado na Lei. Mas, nem sempre a Lei prevalece e se impõe aos interesses económicos, a um progresso não sustentado que, aos poucos, apaga a nossa memória colectiva, legado de um passado ancestral que urge salvaguardar.

O emblemático Monte de Santo Ovídio, com todas as suas potencialidades, tem, ao longo dos anos, sofrido graves agressões, quase sempre, sob a passividade dos responsáveis que nada de significativo fizeram para a valorização de um dos mais antigos testemunhos da história fafense, mesmo às portas da cidade.

SANTO OVÍDIO 3.jpg

Aquela fábrica jamais deveria existir naquele local. Os protestos dos moradores não tiveram consequências positivas. A resposta dos decisores foi, alegadamente, autorizar o alargamento da poluidora unidade fabril, agravando, ainda mais, a qualidade de vida de quem ali habita!

Quanto às ruínas, com o crescente agravamento do seu estado de conservação, mais vale proceder ao seu “enterramento”, escondendo-as sob terra, de onde nunca deveriam ter saído, atendendo ao seu malfadado destino. Cubram-se de uma vez as vergonhas e preservem-se os "restos mortais" das ruínas em “sepulcro”, até ao dia em que os detentores dos poderes valorizem realmente o nosso património arqueológico. 

SANTO_OV_DIO_2.jpg

Fotos: Janeiro de 2015

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
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