BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
28
Jun 17

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

Lembro-me bem de que, no final do ano passado, a CDU considerou positiva a promessa da Câmara de realizar obras na Piscina Municipal. Era uma situação que se arrastava, todos concordando que era urgente melhorar as instalações da nossa piscina. O que é necessário fazer para tornarmos a ter um local digno para a prática desportiva é tanto que a própria Câmara colocou uma verba de cerca de meio milhão de euros no orçamento, para a realização dessas obras. Prometer e orçamentar serviu para ficar bem na fotografia. É verdade que ainda faltam 3 meses para terminar esta mandato, mas, pelo andar da carruagem, já se percebeu que não há projeto nenhum, nem concurso público, nem previsão de início das obras, o que para bom entendedor significa que os utentes da piscina terão de continuar a aguentar as péssimas condições existentes pelo menos durante mais um ano.

 

Lembro-me bem de que, no final de 2015, a Câmara considerava urgente a requalificação da Avenida do Brasil. Estamos a meio de junho de 2017 e podemos concluir que a Câmara continua a ter razão: é necessário intervir na Avenida do Brasil.

 

Lembro-me bem do vereador José Baptista ter garantido que até ao final do mandato haveria um novo canil. O aproximar de eleições trouxe-nos um novo vereador para o pelouro mas nem assim os cães tiveram sorte.

Lembro-me bem que, depois de alguma insistência da CDU, a Câmara concordou em colocar uma verba no orçamento para este ano para recuperar as instalações degradadas de uma das “portas de entrada” de Fafe: a Central de Camionagem. Perguntamos, na altura, se não era importante melhorar a operacionalidade, a segurança, o conforto e a informação disponibilizada na central de camionagem. A Câmara respondeu afirmativamente. Eram necessárias obras nas casas de banho, havia cadeiras partidas na sala de espera, era preciso melhorar o conforto dos utentes dos transportes públicos. E, para isso, o orçamento aprovado prevê a “enorme” quantia de 75 mil euros… Só para terem uma ideia, essa verba não chegava para pagar o evento Terra Justa!... Não tenho memória de ter visto ainda nenhuma melhoria na Central.

central Camionagem fafe

Lembro-me bem que, também por proposta da CDU, a Câmara concordou ser importante organizar um “Roteiro do Pré-Histórico Fafense”. Para isso, definiu uma verba de pouco mais de 7 mil euros. Só para terem uma ideia, foi gasto mais do que isso no serviço de refeições dos convidados do Terra Justa... Do tal roteiro, ainda não se sabe nada.

 

Mas não é só a nível local que há problemas de memória. Lembro-me bem que PSD e CDS manifestaram solidariedade com a luta dos profissionais da saúde, no seguimento da recente greve dos médicos. Há umas semanas, o PCP apresentou na Assembleia da República um projeto de resolução que recomendava ao Governo a contratação de profissionais de saúde e a integração dos contratados, ao abrigo dos planos de contingência no quadro de pessoal das instituições de saúde. PSD e CDS tiveram oportunidade de aprovar uma iniciativa que ia ao encontro das reivindicações destes profissionais e das necessidades do Serviço Nacional de Saúde. Já tinham perdido a memória da sua pretensa solidariedade e votaram contra!

 

Por estes dias, têm-se criticado publicamente as “rendas excessivas” da EDP. Todos os partidos com assento parlamentar consideraram exagerados os valores pagos pelo Estado a essa empresa. Mas o que alguns se esquecem é que a causa de termos chegado a esta situação está nas decisões tomadas por sucessivos governos do PSD, PS e CDS que talharam a EDP e a privatizaram sem acautelarem o interesse do povo português.

 

Está visto que a falta de memória é, geralmente, prejudicial para os interesses de todos. Mas para os interesses de alguns, há esquecimentos que até são úteis.

 

A memória é tramada!

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
06
Mai 17

Opinião de Carlos Rui Abreu, director-adjunto do Notícias de Fafe:

 

     Decorreu na semana passada a terceira edição do Terra Justa. Desde o início fui crítico quanto ao modelo, ao alcance do evento e ao seu custo. Nas duas primeiras edições, com o entusiasmo próprio de quem organiza uma coisa nova, é natural que os responsáveis estivessem embebecidos pela ideia e não permitissem sequer que alguém ousasse por em causa o que quer que seja.

     Ao fim da terceira edição há factos que são indesmentíveis. Na minha opinião a ideia é boa mas está mal planeada. Nos últimos três anos é indesmentível o valor de quase todos os palestrantes convidados. Gente com belos percursos de vida, com experiências por partilhar e que os fafenses teriam por certo muito a ganhar em ouvir.

     Mas a própria organização 'impede' que assim seja. Senão vejamos:

     O evento tem-se concentrado em dias de semana, normalmente de terça a sábado em horário marcadamente laboral e com acções contínuas. Começam normalmente às 10/11 horas da manhã e terminam perto da meia-noite com pouco tempo de intervalo. Ainda nesta edição me pude aperceber que as actividades que decorrem durante o dia têm uma adesão diminuta e em alguns casos, retirando da sala o staff organizativo e os políticos ficam duas ou três pesssoas.

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      Muito pouco para ouvir tão ilustres interveninentes. Quem quiser acompanhar com atenção o Terra Justa ou está desempregado, reformado ou tem de tirar férias. Nós próprios, aqui no Notícias de Fafe, fizemos do evento o acompanhamento possível porque não conseguimos destacar um profissional para estar de manhã à noite durante cinco dias em permanência.

     O próprio Raul Cunha admitiu, publicamente, que há aspectos no formato a rever.

     Queria deixar aqui um contributo para a discussão. Se Fafe quer ser mesmo uma Terra Justa durante todo o ano e não apenas em cinco dias, podia estender-se o conceito durante os doze meses. Porque não criar um dia certo, tipo o primeiro sábado de cada mês, convidar uma dessas personalidades à vez e não quase todas ao mesmo tempo, e durante todo o dia promover o debate. Com uma conversa de café, com a sessão de homenagem no Teatro-Cinema, etc.. Os fafenses iriam aproveitar melhor a presença dessas personalidades, iriam 'beber' dessas experiências e o impacto junto da comunidade local seria bem maior.

     Mas claro que tudo isto é apenas uma ideia de quem está fora da máquina organizativa, que olha para o evento como fafense que também gostaria de assistir às iniciativas com maior frequência. Também não sou ingénuo e sei que isto é um negócio, que custa ao cofre dos fafenses mais de 100 mil euros, e que a alteração do modelo poderia por em causa. É bom lembrar que este é um modelo replicado de outras cidades onde o Terra Justa surge com outras roupagens, como por exemplo o Escritaria, em Penafiel, ou o Plast&Cine, em Bragança.

     Os eventos feitos em Fafe devem estar ao alcance dos fafenses e não apenas pelo ecrã da TV.


publicado por blogmontelongo às 18:00
19
Abr 17

Opinião de Alexandre Leite, eleito do CDU na Assembleia Municipal, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

     Decorreu na semana passada a terceira edição do tal evento a que resolveram chamar “Terra Justa”. A receita foi a mesma dos anos anteriores. Este modelo e este tipo de conteúdo já parece estar esgotado. Com o lema das “causas e valores da Humanidade” o foco do “debate” tem sido a questão assistencial à pobreza e a gestão de urgência de calamidades ou de crises “humanitárias”. Ao longo de três edições, desde 2015, passaram por este evento professores de “ciências das religiões”, conversas de café com frades, jornalistas especializados em religião, rabinos, budistas, xeiques islâmicos, bispos e freiras católicas, até mesmo um cardeal, várias conferências sobre a temática religiosa, exposições sobre a caridade e a missão da igreja católica, homenagens a instituições ligadas à igreja católica, conferências sobre o papel da religião, roteiros para o diálogo inter-religioso e cultural. Pelo meio houve ainda a apresentação de um livro sobre enfermeiras paraquedistas..., animação de rua, cerimónias de homenagem a instituições e personalidades. Três anos disto parecem mais do que suficiente! É mesmo necessário repensar o atual modelo deste evento.

Terra Justa Causas Fafe

      Claro que o papel da igreja e das instituições de solidariedade social tem a sua importância. Claro que é muito importante homenagear quem se dedica a ajudar os mais necessitados em situações como os refugiados, a pobreza extrema ou as crianças desprotegidas. Mas se a discussão fica por aqui, pela ajuda humanitária, não se vai realmente às causas das coisas.

 

     Na edição deste ano do Terra Justa falou-se sobre as crianças traficadas para a escravatura sexual, a fome, a pobreza infantil. Estas são questões que têm causas políticas e que se resolvem politicamente. A pobreza infantil não é apenas a falta de dinheiro para comprar alimentos ou vestuário. A impossibilidade de participar em atividades culturais ou desportivas, a dificuldade no acesso a serviços de saúde ou de ensino de qualidade são também atentados à dignidade e aos direitos das crianças. E por isso, quando no nosso país, sucessivas décadas de políticas de direita deterioram os serviços públicos, menosprezam a estabilidade laboral, encontramos também aí causas específicas do agravamento da situação das crianças. A pobreza infantil é a pobreza das famílias e aumenta com o agravamento das injustiças na distribuição da riqueza.

 

     No orçamento de Estado para 2017 houve medidas apoiadas ou propostas pelo PCP que procuraram combater a pobreza infantil e tornar esta terra mais justa: o alargamento da gratuitidade dos manuais escolares das crianças do 1.º ciclo, o reforço da Acção Social Escolar, o aumento das várias prestações sociais, a atualização da bonificação por deficiência, o alargamento do acesso ao abono de família. Não podemos esquecer, no entanto, que estas medidas são insuficientes e que as opções de PS, PSD e CDS de não enfrentar os interesses dos grandes grupos económicos e de não reconhecerem os constrangimentos da submissão ao Euro e à União Europeia, aprofundam a dificuldade de termos um país onde sejam realmente efetivos os direitos das crianças.


publicado por blogmontelongo às 18:00
16
Jul 16

Opinião de Jesus Martinho publicada no seu Facebook:

 

Este memorial do "Terra Justa", Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade", que alguns apelidam de "monumento", implantado em 2015 no centro da Praça 25 de Abril, é, na minha modesta opinião, feio, frio, inestético, que perturba o ambiente harmonioso da última bem conseguida requalificação daquela Praça.

Na altura, falou-se que este bloco granítico, hospedeiro de mensagens, teria outro destino, outra localização...
Seria louvável que tal acontecesse!

TERRA JUSTA fafe


publicado por blogmontelongo às 18:00
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