BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
17
Jun 17

Opinião de Alexandre Leite no seu Facebook:
 
Pelos sinais (sobre a inauguração do Museu do Ensino, em Fafe, em 2017)

“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...Amén”. Provavelmente terá sido com esta reza que, em 1892, um padre terá terminado as suas breves palavras depois de benzida a escola nova. Naquela época, finais do século XIX, o poder político e a igreja tinham uma relação de grande proximidade e era comum a intervenção de um padre da Igreja Católica Apostólica Romana nas inaugurações de edifícios públicos. Só mais tarde, com a implantação da República em 1910, começou a defender-se a separação entre a Igreja e o Estado, efetivando a bíblica citação: “a Deus o que é de Deus, a César o que é de César”.

Entretanto, depois da década de 30 do século passado, no tempo do fascismo, foi retomada a santa aliança do poder político e da cúpula da igreja católica. Situação que foi novamente rompida com o 25 de Abril. O museu agora inaugurado pretende retratar todos estes anos desde a inauguração dessa escola fafense.

Foi interessante que alguém tivesse tido a ideia de relembrar os momentos históricos de conluio entre essas duas entidades recriando uma cena de outros tempos:

laicidade inauguração fafe

 

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
20
Jun 15

Opinião de Jorge Adélio Costa no jornal Notícias de Fafe:

 

Fafe viveu no início desta semana o momento de espontaneidade mais Bonito de que me recordo.

A forma como os Fafenses se agruparam, absolutamente descomprometidos, para abraçar o calor que a Imagem de Nossa Senhora de Fátima plantou em Fafe, foi certamente um momento, para além de inesquecível, inspirador e que alavancou o sentimento de Fé, que tão importante é para conduzirmos as nossas vidas.

Numa altura onde a descrença tem, dia após dia, através da comunicação socialganho força nas nossas vidas (através de notícias diárias a plantar o pessimismos, o derrotismo...). Foi para mim absolutamente inspirador receber a Imagem da Nossa Senhora de Fátima  na nossa Terra. A sua presença física nestes dias recarregou a energia que necessitávamos para ancararmos com mais confiança, com mais optimismo o dia seguinte. Enchermos o coração de esperança, inspirado no calor da Mãe não resolve por si as dificuldades que temos de encarar no dia a dia (sobretudo numa época onde as famílias portuguesas têm reiteradamente sido fustigadas), mas é essa esperança que pode, e deve, servir de alavanca para termos energia de encararmos o próximo dia e de basearmos a nossa acção em valores que a nossa sociedade vê cada vez mais alheados daqueles que podem interferir por nós.

 

 

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Foto de Ivo Borges

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
Temas: ,
15
Abr 15

Opinião de Elsa Lima no jornal Notícias de Fafe:

 

A comunidade católica em Fafe teve este ano a oportunidade de celebrar a Páscoa de uma forma prolongada através da realização do evento 'Terra Justa' que, apesar de organizado pela sociedade civil, tem a religião como tema central, e o Cardeal Óscar Maradiaga como convidado principal.

Depois de uma Semana Santa intensa, com a realização de várias actividades promovidas pela paróquia, foi interessante assistir a este quase prolongamento da celebração com a presença do líder do grupo dos nove conselheiros do Papa Francisco, e à simbiose gerada entre crentes e não crentes, em torno do evento. Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa disse mesmo estar a viver em Fafe "o grande momento da Páscoa", pela dimensão da iniciativa que procurou suscitar a reflexão em torno das causas e valores da humanidade, proporcionando à população a oportunidade de assistir a um conjunto de tertúlias, com personalidades de renome, a dissertar sobre o tema.

Pessoalmente, agrada-me a génese da ideia do Município de 'pegar' no ícone da Justiça de Fafe para, através dele, e de uma forma positiva, promover Fafe. Isto porque, é sabido, que em qualquer lugar onde se fale da Justiça de Fafe, de imediato é associada a ideia, não muito justa, de que por cá se faz justiça com o pau, remetendo para a violência. O próprio cardeal sublinhou que Justiça não pode vir do pau, ma sim do amor que aplicamos a tudo aquilo que fazemos, e da fraternidade para com aqueles que nos rodeiam, no objectivo de ser alcançada maior justiça social. E é por aí que digo que me agrada este esforço no sentido de mudar esta imagem negativa associada à nossa Justiça de Fafe, para que Fafe passe a ser conhecida como uma Terra Justa. Acho um conceito simpático.

Agora, foi interessante assistir também á forma como o evento foi acolhido pelos fafenses, e quando falo de fafenses, falo da população em geral, e não da nata da sociedade. Aliás, há dias, quando alguém da organização me pedia a opinião sobre o evento, o meu comentário foi que "não iria chegar, envolver, o povo". E penso não me ter enganado.

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Bastou um olhar mais atento para perceber a estupefacção do cidadão comum perante o canário montado no centro da cidade, assistindo, quase com receio, e timidez, a 'uma festa de VIP's, que desfilavam na passadeira vermelha', com a qual pareciam não se identificar. Percebemos isso claramente na realização do inquérito que semanalmente ouve 'A voz do povo' sobre um tema da actualidade, e perante a questão 'O que acha do Terra Justa?', muitos, mas muitos mesmo, esquivaram-se a responder para não darem a conhecer a sua 'ignorância' relativamente ao assunto, confessando 'em off' não estarem a perceber 'patavina' do que se estava a passar. Comum também, entre os comentários ouvidos pela praça, era a preocupação em saber o custo de tamanha 'pompa e circunstância'. Se a ideia era projectar o concelho, e fazer com que Fafe fosse falado nos jornais e telejornais, foi plenamente conseguido. Mas a que preço? É a pergunta que mais se ouve pela cidade, e a que o Município terá que responder porque está criada a dúvida se o evento se moveu em torno da solidariedade dos intervenientes ou se foi pago a peso de ouro, o que causa preocupação em tempos de austeridade.


publicado por blogmontelongo às 18:00
11
Abr 15

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

 

Sejamos justos, “Terra Caridosa” ou “Terra Católica” não é o mesmo que “Terra Justa”.

De entre os temas a debate no evento que decorre durante esta semana em Fafe, constam “Desafios Mediáticos à Religião”, “A Religião e o Homem, Valores e Causas”. Grande parte dos convidados e instituições participantes estão ligados à igreja católica. Há uma exposição sobre “Liberdade Religiosa”. Uma outra exposição intitula-se “A Caridade: Missão e Vida da Igreja”. Temos também uma exposição que reúne alguns dos vestidos oficiais e trajes académicos usados por Maria de Jesus Barroso Soares. O que é que isto tudo tem a ver o objectivo anunciado de fazer de Fafe uma “Terra Justa”? Tem alguma coisa a ver com justiça social? O que parece é tratar-se de um evento da igreja católica promovido pela Câmara Municipal de Fafe.

 

A ideia não é nova. Falar em valores, pobreza digna, solidariedade social e apontar a igreja católica e a rede de instituições particulares de solidariedade social, mais ou menos ligadas a ela, como a solução.

 

Esta forma de lidar com a injustiça social, na qual o objectivo é suavizar a agruras da pobreza, aliviar a fome, dar alguma dignidade a quem vive em situações extremas de exclusão social, tem um valor importante que não pode ser negado. Mas o problema é que desta forma não se combate a injustiça social. As causas da injustiça social e da pobreza não são questionadas e o resultado prático é a permanência da pobreza e a sua perpetuação.

 

A pobreza e a injustiça social só são resolvidas quando se entendem e atacam as suas causas. Isabel Jonet, dirigente de uma IPSS chamada “Banco Alimentar Contra a Fome”, disse há uns tempos que os pobres são pobres porque não querem mudar de vida e os desempregados não arranjam emprego porque passam muito tempo nas redes sociais. Claro que o que ela diz já não é levado a sério mas isto serve para ilustrar a ideia que certas cabeças têm sobre as causas da pobreza.

 

A injusta redistribuição da riqueza, a exploração dos trabalhadores para que os grandes grupos económicos possam acumular riqueza, a redução do valor das reformas, dos subsídios de desemprego, os baixos salários, são algumas das razões para que a pobreza esteja a crescer no nosso país. Sem alterar o modelo económico que causa essa pobreza não a conseguiremos derrotar. Sem uma ruptura com a política atual a pobreza continuará a aumentar, independentemente das boas intenções da instituições caridosas.

 

A cumplicidade da nossa Câmara com esta proposta de modelo de sociedade não cai do céu. Ela insere-se num quadro de “novo Estado”, no qual grande parte das funções socais do Estado, previstas ainda na nossa “velha” Constituição, vão sendo abandonadas como resultado das políticas de direita que vêm sendo seguidas. O espaço deixado vago é imediatamente preenchido pelas IPSS, quer se trate do negócio da saúde, da educação ou da assistência social. Este “novo Estado” precisa de eventos como este para se branquear. Pode ser preciso algum exibicionismo da caridade, alguma arrogância moral, alguma hipocrisia política, mas a água vai sendo levada ao moinho.

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Alguns não terão gostado do comunicado da Comissão Concelhia do Partido Comunista Português que apontou o dedo a alguns dos convidados e homenageados do “Terra Justa”. Alguns ficarão melindrados com o texto de hoje que aponta a hipocrisia presente nalguns tipos de caridade e de eventos. Alguns não aceitam que se diga que o rei vai nu. Esses poderão continuar a fazer de conta que não se vai homenagear um imperialista cardeal golpista, poderão fazer de conta que dar esmolas é lutar contra a pobreza e poderão apreciar a beleza dos trajes do rei. Nós continuaremos a luta.


publicado por blogmontelongo às 18:00
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Obrigada "h" pela atenção. Já se corrigiu o erro.
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