BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
31
Mai 17

Opinião de Elsa Lima, directora do jornal Notícias de Fafe:

 

     A festa está bonita, por estas bandas. E não me refiro só às Feiras Francas.

     Mas começando por aqui, é evidente que foi um sucesso a edição desta ano em que o Município voltou a apostar, e a meu ver bem, no Parque da Cidade, como recinto para receber o evento. Embora o tempo não tenha ajudado nos primeiros dias,a adesão foi em massa e o programa, simples, na génese, e de encontro à tradição, revela-se uma boa aposta, sem grande necessidade de alterações ou novidades.

     Num recinto agradável ao ar livre, é feliz a ideia da praça dos petiscos, proporcionando um ponto de convívio entre amigos e familiares, que saem de casa para desfrutar das festas da terra, próximo dos divertimentos para as crianças e da animação musical, no essencial popular e animada, como pedem este tipo de eventos. Foi também evidente, este ano, uma maior adesão da juventude, o que é de saudar, também, despertando um bairrismo saudável, em redor das festas da terra, que se vão assim adaptando aos novos tempos, mantendo a vitalidade.

     Repetiram-se os números obrigatórios, que arrastaram à cidade milhares de pessoas, e a Feira Rural, embora mais pobre, e longe ainda da vitalidade que teve no início, foi também um ponto de interesse, e de visita. Penso que no essencial, o Município esteve à altura da organização do evento, a exemplos de outros que tem vindo a realizar, destacando-se na capacidade demonstrada para as festas, uma marca deste mandato. E neste campo os fafenses não se podem queixar. Sem deixar cair a bola no chão, fecham as Feiras Francas e os holofotes viram-se para as serras de Fafe que serão palco do WRC Vodafone Rally de Portugal. Não tarda nada, chegarão também as Festas da Nossa Senhora de Antime e depois o Festival da Vitela para animar a malta porque de tristezas está o mundo cheio. Raul Cunha gasta assim os últimos cartuchos no último ano de mandato com muitas obras anunciadas, cujo arranque aprece estar a ser guardado também para os meses finais, num convite à continuidade. Por outro lado, Antero Barbosa já avançou para o terreno com a sua candidatura independente, no propósito de não facilitar a vida ao candidato que foi escolhido pela direção do partido que não rejeita, ma que tem agora de afrontar. Assim, andou também pela festa, ao lado de José Ribeiro, que é ainda o líder do PS local, e se recusa a deixar o cargo, de Vitor Moreira e Helena Lemos que são ainda vereadores do PS no executivo liderado por Raul Cunha, mas 'pedem votos' para Antero, e de autarcas locais em exercício, eleitos com o apoio do PS, mas que estão em campanha por Antero. Assim, vai reinando a confusão entre festas e foguetes, permanecendo a dúvida sobre que vai lançar as girandolas finais, a 1 de Outubro.

     Bom...mas para já o que interessa é ver passar o rali, e que Fafe fique bem nas fotografias e na TV, com a casa, aparentemente arrumada, e depois, o mais certo, é que os tempos sejam de limpeza e de esclarecimento.

 

Foto: Município de Fafe


publicado por blogmontelongo às 18:00
16
Nov 16

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal, no jornal Notícias de Fafe:

 

Na semana passada, aluiu no Parque da Cidade um dos lagos artificiais lá construído há poucos meses. Aquele local é percorrido por linhas de água subterrâneas que, provavelmente, foram socavando o terreno por baixo do lago. Por muito bonito que estivesse, e por muito estável que aparentasse estar, não teve como resistir a uma corrente subterrânea que diariamente lhe ia retirando suporte.

 

A situação é semelhante à vivida pelo nosso país. Há várias linhas de água subterrâneas que nos vão escavando os alicerces e que, se não desviarmos o seu curso, se não nos prevenirmos, ou se optarmos por nos instalar mesmo em cima dos problemas, acabarão por fazer cair a estrutura do país. Já tivemos até um primeiro-ministro, Guterres, que se demitiu do cargo fazendo referência ao pântano em que nos encontrávamos. As coisas não melhoraram entretanto.

aluimento lago fafe

A crescente dívida pública e os consequentes juros, que já ascendem a 8 mil milhões de euros anualmente, são um rombo na capacidade de investimento público e limitam a recuperação dos serviços públicos e o desenvolvimento do país.

 

A nível europeu, o Tratado de Estabilidade Orçamental que obriga os países a determinadas práticas orçamentais empurra Portugal para o empobrecimento. A política europeia já conseguiu fazer aluir a nossa agricultura. As políticas económicas europeias vão aluindo vários sectores da nossa economia.

Esteve bem o PCP antes, durante e depois das eleições de 2015, ao desenvolver esforços para que fosse interrompida a governação do PSD e CDS e ajudar a construir uma nova solução política que permitiu a formação de um governo do PS, abrindo caminho para a reconquista de alguns dos direitos e dos rendimentos perdidos no governo de Passos Coelho. Não foi ainda desviado suficientemente o curso desse rio subterrâneo, mas instalou-se uma pequena barragem, um dique, que permitiu o aumento do salário mínimo nacional e que irá permitir o alargamento da oferta de manuais escolares aos primeiros 4 anos do ensino básico, por exemplo.

Mas é preciso também reforçar os alicerces e a estrutura do país. É urgente renegociar os montantes da dívida pública, rejeitando a dívida que for ilegítima, e rever os prazos de pagamento e juros. Esta é uma das principais linhas de água que escavam a estrutura do nosso país.

O controlo público da banca e de outros sectores estratégicos da nossa economia, verdadeiros alicerces, permitiria desenvolver uma política soberana, colocando o interesse nacional acima das chantagens desta União Europeia e direccionar os recursos para o desenvolvimento e redistribuição da riqueza produzida.

A privatização de vários sectores da saúde, saciando os apetites dos grandes grupos económicos, que vêem uma mina no negócio da saúde, escava realmente a sustentabilidade e a universalidade do Serviço Nacional de Saúde. O que para uns é uma mina, para outros pode bem vir a ser um aluimento. Veja-se o caso dos CTT que davam lucro ao Estado e que agora privatizados pioraram o serviço e que, nomeadamente cá em Fafe, há bastantes queixas, nalguns casos, de semanas de atraso na correspondência.

A natureza desta europa capitalista não se consegue mudar, tal como a natureza não consegue fazer com que a água suba os montes em vez de os descer. Está nas mãos dos povos criar barragens à sua passagem, romper com este sistema, erguer estruturas fora dele.

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
15
Jun 16

Opinião de Jesus Martinho publicada no Facebook:

 

Canteiro, diz o Dicionário Online de Português: "Porção de terra, ordinariamente rectangular, para flores ou hortaliças, ou para viveiro de plantas..."

Integrado no Parque da Cidade, alvo de requalificação, o Pavilhão Multiusos é uma importante infraestrutura para a cidade.
Por ali passam muitos fafenses e inúmeros forasteiros.

O Multiusos é um cartão de visita que merecia ter o seu canteiro.
Não com hortaliças e até sem flores... Uma relva bastava!

Assim, como diz o dicionário, é "uma porção de terra, ordinariamente rectangular", que não fica bem...

Foto: Junho 2016

multiusos fafe mobilidade


publicado por blogmontelongo às 18:00
11
Nov 15

Entrevista a Raul Cunha, Presidente da Câmara, no jornal Notícias de Fafe:

 

Notícias de Fafe (NF - O Orçamento para 2016 foi aprovado com os votos do PS e PSD e abstenção do Movimento IPF. Era a votação que esperava?

Raul Cunha (RC) – Este orçamento reflecte de algum modo o bom ambiente que actualmente se vive no Município, de uma colaboração franca entre as várias forças políticas e uma atitude que eu classificaria como construtiva, preocupados, todos nós, com as iniciativas necessárias para promover o desenvolvimento do Município pondo isso em primeiro lugar e deixando para trás algumas das querelas político-partidárias. A votação dos IPF que repete a votação do ano anterior, confesso que me surpreendeu um pouco porque penso que seria possível ir um bocadinho mais longe até pelo seu envolvimento na propositura de algumas iniciativas que foram acolhidas por este executivo e que estão vertidas no orçamento. As que são possíveis, porque algumas eram sugestões, e não propostas, de iniciativas que se possam desenvolver ao longo do ano. Na generalidade abstiveram-se, mas depois na especialidade votaram por unanimidade e o orçamento foi aprovado por unanimidade em todos os pontos.

NF - Como classifica este orçamento com mais 4,5 milhões que o anterior?

RC – É um orçamento em que procuramos manter uma característica que é apanágio de Fafe, e também deste executivo, que é ser um orçamento feito com transparência, rigor e prudência. Não estamos aqui a inflacionar receitas nem a engordar o orçamento de forma artificial. Não nos podemos esquecer que continuamos a viver um período de crise em que as dificuldades orçamentais continuam a ser grandes. Apesar de nos últimos anos parecer que a crise desapareceu, não desapareceu, os constrangimentos orçamentais mantêm-se, as transferências de verbas do orçamento geral do Estado para o Município continuam a ser escassas, muito menos do que era habitual, e portanto, os recursos de um Município como o de Fafe que depende muito das transferências do Estado ressente-se disso. Este ano podemos ter uma espectativa um bocadinho melhor porque temos um conjunto de obras importantes para as quais existe trabalho e uma exceptiva positiva de que possam ser financiadas, nomeadamente a questão das escolas, Carlos Teixeira e Secundária, que está com financiamento garantido em envelope financeiro da CIM e por via do empréstimo dos dois milhões de euros que fizemos para compensar a amortização antecipada do empréstimo feito para a aquisição das casas José Saramago. Por via da lei tivemos que fazer a amortização antecipada de um milhão e 875 mil euros pelo facto de termos vendido as casas e eu achei que havia todas as condições para podemos conseguir alguma folga, sem interferir com o endividamento total do Município, porque era um endividamento que já estava assumido. Assim, amortizamos antecipadamente o empréstimo e fizemos outro sensivelmente do mesmo valor de forma a garantir financiamento para algumas das obras que não são financiáveis pelos fundos europeus. Isso explica esse aumento dos quatro milhões em relação ao orçamento anterior.Calv.JPG

NF - É um orçamento, a exemplo dos anteriores, focado nas pessoas e na área social?

RC – É o terceiro orçamento que apresentamos e não era suposto que houvesse aqui um desvirtuar das nossas opções políticas e estratégicas. Mesmo as obras que estamos a preparar candidaturas e a lançar projectos, são obras que no fundo se dirigem muito às pessoas. A recuperação da escola Carlos Teixeira e da Secundária e a recuperação do Bairro da Cumieira que está em fase adiantada de preparação da candidatura, são exemplos disso. Apresentando a candidatura e havendo uma espectativa favorável de que ela seja aceite, teremos obra na segunda metade do próximo ano a ver-se na Cumieira. Recuperar o Bairro da Cumieira é uma das obras sociais mais importantes. Contudo, todos os nossos programas sociais são pra manter e desenvolver, desde os centros de convívio de idosos, apoio às rendas, às bolsas de estudo, à recuperação das habitações degradadas, o programa Ser Solidário, o programa de emergência social, enfim, a panóplia de programas que temos que será para manter e que são a marca distintiva deste executivo. Ao mesmo tempo que o apoio às empresas, e aos empresários, também não pode deixar de ser salientado porque neste orçamento procuramos afectar recursos importantes à zona industrial de Regadas, temos 500 mil euros em orçamento para começar a aquisição dos terrenos. Também baixamos a derrama que é um sinal importante para os empresários e para nos tornar mais competitivos na disputa entre Municípios. Reduzindo a taxa máxima de 1,5% para 1,2 % e a taxa para o volume de negócios com menos de 150 mil euros por ano baixou de 1% para 0,75%. Não é muito, é o possível, mas é o caminho para mostrar que realmente estamos interessados em apoiar as empresas e a ser competitivos na capacidade de atracção de empresas para Fafe.

 

NF – A derrama é a única novidade em termos de taxas?

RC – Sim, mantemos a devolução de 2% do IRS aos fafenses e a taxa de IMI que em Fafe é costume apresentar com o orçamento, este ano não vamos apresentar já porque temos uma proposta da AM, e da Câmara, aprovada por unanimidade para procurar reflectir no IMI uma política de apoio às famílias numerosas. Temos até Setembro do próximo ano para resolver isso, mas queremos ver o que significa em termos de números de crianças, o que são famílias numerosas, até que patamar de rendimento é que isso é admissível, ou não, vamos ver… Acho que é uma medida que faz algum sentido para a classe média mas, a seu tempo, conversaremos sobre isso.

NF – A zona industrial de Regadas vai finalmente avançar com este orçamento?

RC – Não estava parada, nunca parou. Também estava ligada à aprovação do PDM que agora está em condições. Já anda uma empresa a trabalhar nisso, a fazer o cadastro, vamos aprovar uma contratação também de uma empresa para nos ajudar a fazer a candidatura, enfim, está-se a trabalhar nisso.

NF – E a de Arões?

RC – Arões tem a ver com a construção do Nó de Arões. Abriu um aviso para uma candidatura que termina no final deste ano, até 31 de Dezembro, e nós vamos apresentar candidatura de acordo com a CCDR, e com as Infraestruturas de Portugal (IP). Vamos concorrer nós, fazemos a obra com a colaboração deles e no fim voltamos a passar a estrada para eles. É outra obra importante que vai avançar.

NF – Falam também no apoio na criação de empresas e estímulo ao emprego. De que forma pretendem fazê-lo?

RC – Continuamos a ter o apoio aos pequenos empresários. Já há uma mão cheia de empresários que têm beneficiado deste apoio. Existe um gabinete que ainda não tem a dimensão e a agilidade que eu gostaria mas que há-de ter, mais para a frente. Contratamos uma empresa para nos ajudar nisso que é uma Spin-off da Universidade do Minho que está a ajudar na formação aos candidatos a empresários e a estruturar o negócio nos contactos com a banca. Embora tenhamos já garantido financiamento na CIM do Ave para a criação de uma Start-up, uma incubadora, e depois uma área de acolhimento. Isso já está com financiamento garantido. Até 2020, neste quadro comunitário, temos cerca de 9 milhões e 890 mil euros de investimento via CIM para Fafe o que é um volume de investimento importante. Para as empresas, vamos receber um incentivo para Fafe de 377 mil euros que é para a concepção de apoios ao desenvolvimento dos viveiros de empresas. Não é muito mas já é alguma coisa. Vamos desenvolver isto porque ultrapassar a crise passa por criar mecanismos de criar emprego e para isso temos que criar empresas. Por isso a nossa aposta também na questão da Altice, uma empresa que vem criar em Fafe tantos postos de trabalho, ainda por cima numa área de serviços, eu acho que tinha razão de ser e ainda bem que todas as forças políticas convergiram nesta ideia. Ainda temos 150 vagas e temos a espectativa de, dando formação também em francês, que será possível utilizar também pessoas que ‘só arranham’ francês para que possam ocupar estes postos de trabalho. A obra está a avançar, há um projecto já de alguém que está interessado em recuperar aquele edifício que está ao lado do caminho-de-ferro para se poder fazer ali um bar, um restaurante, snack-bar ou alguma coisa desse tipo. Estamos a trabalhar nisso e vamos também, já que estamos a mexer ali, aproveitar para dar um arranjo na Praça 1º de Dezembro que será uma prioridade no início do próximo ano. Assim como as obras do Município que já parecem as obras de S. Torcato, neste caso porque nunca mais começam.

NF – É desta vez que vão recuperar a ala principal da Câmara?

RC – Sim, é desta vez que vamos recuperar a fachada e dar um arranjo aqui ao salão nobre até para darmos a marca de como queremos a Câmara diferente. Ao mesmo tempo está-se a dar a renovação do parque informático, a alteração dos mecanismos e do modo de funcionamento da autarquia interna também está a ficar no ponto, um dia destes arranca, e há aqui um conjunto de modificações que também passam pelo espaço físico que está realmente muito antiquado, pelo acolhimento e pela dignidade que o Município tem de dar quando recebe as pessoas e se apresenta. É uma obra que espero lançar ainda este ano, pelo menos a parte burocrática de modo a que lá para a Primavera, acreditando que não há muitas reclamações nos concursos, possa começar.

NF – Vão também recuperar a Avenida do Brasil?

RC – A Avenida do Brasil ainda não será a obra que eu gostava. Acho que precisa de uma intervenção maior. Para já vamos arranjar aqueles passeios porque que é uma das queixas que as pessoas fazem porque não conseguem passar com as árvores que estão no meio dos passeios. Vamos retirar essas árvores, do lado, que não têm grande valor, as melhores estão naquela placa central, e vamos dar um pequeno arranjo, mas não será uma intervenção profunda. Ainda não é a requalificação que merecia mas esse é um projecto mais ambicioso que está ligado com a Circular que é um dos problemas de Fafe que dividiu a cidade em duas. Mas é um projecto de grande envergadura e não será para já.

NF – Outra obra pendente, já do orçamento anterior, é a recuperação da zona envolvente da Igreja Matriz. Caiu?

RC – Não, não caiu. Não tem uma verba própria atribuída mas ao definirmos a área de intervenção urbana que está a ser feita para a recuperação da Cumieira, vamos tentar inclui-la aí, mas sem compromisso. Assim como a recuperação da Praça Jose Florêncio Soares onde também estamos a pensar intervir. Mas não há decisão nenhuma ainda sobre isso.

NF – Outra grande obra que anunciam é o Mercado Municipal. Como vai ser?

RC – Está garantido o financiamento. O projecto ainda não está terminado a 100% mas já dei instruções aos serviços para chamarem as pessoas que trabalham no mercado para darem também uma opinião sobre o projecto, o que me dizem que será pacífico porque vai ficar muito melhor. As pessoas terão muito melhores condições de trabalho.

NF – Conseguiu ultrapassar os problemas com os lojistas?

RC – Os lojistas para já não saem. A única coisa que sai é o mercado, mesmo. Os outros são os proprietários das lojas que estão lá e já temos no orçamento uma verba para podermos adquirir essas lojas, que já não são muitas porque a maior parte são nossas. Agora vamos retirar de la só o mercado e depois vamos conversar com os proprietários. Já temos algumas propostas. Vou fazer uma terceira, ou quarta, tentativa com as pessoas que já se disponibilizaram para vender, há algumas mais renitentes, mas não queria ir pela expropriação. Mas se tiver que ser, lá terá que ser. Temos o projecto pronto, logo que o financiamento receba luz verde do Tribunal de Contas podemos lançar o concurso. Estrada do Saibro, Estrada de Passos, Estrada de Silvares S. Clemente e Mercado Municipal têm financiamento assegurado e garantido via empréstimo, nem nos consomem fundos disponíveis, sequer. A concretização depende só de se fazer os concursos e os timings necessários.

NF – As estradas que enumerou são as intervenções previstas na rede viária? A Estrada do Saibro vai mesmo avançar?

RC – São as maiores. Sim, a Estrada do Saibro é uma promessa com mais de 20 anos mas agora vai. O projecto está prontinho, também vai ter uma intervenção de saneamento há aqui também um financiamento que vai ser conjunto com as Águas do Norte, o concurso já está pronto a adjudicar e penso que estará por dias. E as grandes obras estão feitas. Não podemos esquecer que este executivo assumiu com as juntas de freguesias o compromisso de, de uma forma transparente e programável, transferir para as juntas um conjunto de recursos para construir obra que a junta de freguesia decide, mas que é da competência municipal.

NF – Qual o valor das transferências para as freguesias este ano?

RC – No ano passado foram 2, 614 milhões e este ano são 2,664 milhões. Aumentamos um bocadinho as transferências das despesas correntes, 50 mil euros. Isto tem a ver também com protocolos para a limpeza das vias, conservação dos espaços de lazer que são da nossa responsabilidade e passam a ser feitos pelas juntas. Não estamos a meter aqui os protocolos da educação que também são volumosos. Estamos com esta política de trabalhar em conjunto com as freguesias de modo a promovermos um desenvolvimento harmonioso, contando com a participação activa dos responsáveis locais de cada uma das freguesias. E tem corrido muito bem. Com os recursos que temos, com a crise que existe, com os constrangimentos políticos que havia e que se conseguiram ultrapassar, acho que estamos contentes com o que temos feito. Orgulhosos até.

NF – E no Parque da Cidade, qual o próximo passo?

RC – O compromisso que fiz foi que, não sendo possível conseguir recursos para fazermos a recuperação do Parque da Cidade como gostávamos, em dois anos, (cheguei a lançar essa proposta e não foi aceite) não vamos virar as costas ao parque que é muito importante porque vai ao encontro das necessidades das pessoas. Valorizar o Parque da Cidade acho que é nossa obrigação. Há algumas intervenções que ainda não se sabe bem como vão ser feitas mas a maior será a construção dos lagos. Não aqueles antigos que estavam previstos mas um espelho de água, digamos assim. vamos também melhorar o mobiliário urbano, criar zonas de bebedouros, de papeleiras, bancos, um rinque e uma tabela para as pessoas jogarem basquete, melhorar a drenagem daquelas ribeiras, limpar aquele mato, vamos intervindo.

NF - E o projecto do corredor verde também é para avançar?

RC – Pode sofrer um impulso grande. Na reunião que houve da mostra dos resultados dos alunos de Arquitectura que está no Arquivo falou-se da possibilidade de aproveitar a zona de protecção do rio que não tem capacidade construtiva, para ir começando a intervir e apresentando candidaturas. Isso evitaria a necessidade de andar a expropriar muitos terrenos ou a comprar. A expropriação é sempre a última fase quando não se chega a acordo. Vamos ver…

NF – E o novo Canil Municipal, vai ser feito onde?

RC – Já tem financiamento e aqui a questão é encontrar o terreno certo porque não é fácil encontrar uma solução. Primeiro tem de ficar numa zona que não pode ser muito periférica, se ficar muito perdido no meio do monte as pessoas não vão lá adoptar cães e é difícil os voluntários colaborarem. Se ficar no centro da cidade também não pode ser porque incomoda as pessoas e não as deixa descansar. Temos debaixo de olho uma hipótese que tem a ver com um terreno disponível na zona industrial que acho que é a melhor solução. Se por qualquer razão, assim não for, teremos que encontrar outra solução. A Câmara tem muitos terrenos espalhados pelo Município. Mas gostava que ficasse ali pela zona industrial porque está perto, não está no meio de nenhum agregado urbano e mesmo algum ruído que os animais façam não incomodarão as pessoas no descanso nocturno, as pessoas que ali estão, estão a trabalhar. Até o próprio ruído das fábricas e das máquinas abafará o ruído dos animais, seria a zona ideal.

NF – No que diz respeito à recuperação das escolas, Carlos Teixeira e Secundária, quando vai avançar a obra?

RC – São cinco milhões e cem mil euros de apoio comunitário para um investimento global de 6 milhões de euros, maior na Secundaria porque está mais degradada e a intervenção será mais profunda. É uma obra que é da competência do ME que a Câmara já se disponibilizou junto da CCDR para, à semelhança do Nó de Arões, assumir em protocolo o contrato de lançar a obra e fazer o projecto que também ainda não está feito. O financiamento está garantido por via de uma figura que é uma novidade deste quadro comunitário que se chama mapeamento que resulta do financiamento de uma obra de que existe necessidade cujo financiamento não está ligado à importância relativa dos Municípios. Para a Carlos Teixeira já temos o projecto que é da nossa competência. Para a Secundária estamos a começar a trabalhar nisso embora não tenhamos ainda o protocolo. Espero que as mudanças de governo, que complicam um bocadito, não venham a introduzir dificuldades porque isto já está tudo negociado.

NF -Que balanço faz dos primeiros dois anos de mandato?

RC – Acho que tem sido um desafio interessantíssimo e estimulante. Temos todos, executivo e oposição, razões para estar contentes e orgulhosos do trabalho que temos feito e da forma como temos conseguido enfrentar as dificuldades que são normais do dia-a-dia e temos conseguido pôr os interesses de Fafe acima das partidarites e dessas coisas menores. Acho que tem sido interessante.

NF – Acha que vai ser possível manter este clima de cordialidade até ao final do mandato? RC – Quando as pessoas se respeitam nas suas diferenças, acho que há todas as condições para que consigam ter um convívio cordial, civilizado e educado. Não prevejo grandes sobressaltos.

NF - Já pensa na recandidatura?

RC – Isso não se coloca, para já, é muito cedo. Como já disse, não sou candidato a candidato. Nunca pensei ser candidato, nunca pensei ser presidente de Câmara, faço-o com gosto, com prazer e com espírito de serviço. Eu sou católico e alguém dizia que um dos problemas dos católicos na política é que tem que sentir uma noção de serviço e eu, se calhar, tenho essa característica de sentir que estou a fazer alguma coisa útil pelas pessoas e que é um serviço. O meu serviço termina no final do mandato. Neste momento a pergunta chave não é se o Raul Cunha quer ser candidato é se o PS quer que Raul Cunha seja candidato, só assim é que poderei pensar no assunto. Mas não é um assunto que me tire o sono. Vim com o horizonte de trabalhar o mandato, ao meu estilo, mostrar a diferença e é isso que estou a fazer.


publicado por blogmontelongo às 18:00
comentários recentes
Obrigada "h" pela atenção. Já se corrigiu o erro.
Seria importante que as escolas não encerrassem an...
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Da me a ideia que o senhor anda fugido de fafe. Ma...
Realmente a ligação à ruralidade tem vindo a perde...
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