BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
17
Mai 17

Excertos da entrevista a António Novais, Presidente da Junta da União de Freguesias de Aboim, Felgueiras, Gontim e Pedraído, pelo jornal Expresso de Fafe:

 

Expresso de Fafe: É presidente da união de freguesias do concelho que mais freguesias agregou. Como é que as pessoas reagiram a esta união?

António Novais: Foram quatro freguesias, ao princípio foi um bocadinho complicado, mas correu bem e aos poucos as pessoas estão a integrar-se. Acho que as mentes se vão modificando e brevemente as pessoas olharão para aquela imensidão de terreno, a maior área do concelho, como um todo. São mais de trinta quilómetros quadrados, que começam em Estorãos e fazem

limite com Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto.

 

EF: Como é que se gere quatro freguesias como uma só?

AN: Em assembleia foi decidido que a sede seria em Pedraído, o que não implica rigorosamente nada para as pessoas, porque, se havia quatro sedes de Junta anteriormente, ainda abrimos um quinto posto de atendimento na Lagoa. Temos uma funcionária que vai a cada um deles uma vez por semana e assim encurtam-se distâncias.

 

EF: Que trabalho tem sido feito neste mandato?

AN:Temos apostado em algumas pavimentações, em caminhos que estavam degradados, e no apoio social aos idosos, quer com atividade física, na antiga escola de Pedraído, duas vezes por semana, quer com um enfermeiro, de 15 em 15 dias nos tais cinco postos de atendimento e serviço ao domicílio. Queremos proporcionar informática às pessoas, mas por uma questão estratégica ainda não colocamos os computadores, porque estamos a prever fazer obras na escola, para ser alargada a centro de convívio.

 

EF: Faz falta um centro de convívio?

AN:Muito. Um centro de convívio que proporcione atividades que deem qualidade de vida, mas para as pessoas estarem duas a três horas e voltarem para casa, porque tenho-me apercebido que é isso que querem e não um centro de convívio que funcione o dia inteiro.

 

EF: Têm muitas necessidades sociais identificadas?

AN:Temos pontualmente socorrido o que nos tem chegado a nível de apoio domiciliário, sobretudo de refeições, mas há a necessidade urgente de um centro de dia. Estamos a falar de uma população bastante envelhecida. Ao fim-de-semana os jovens regressam, mas durante a semana é difícil ver juventude na terra. Se reparar, não existe no norte do concelho, de Medelo para cima, e estamos a falar de uma área com entre 5 a 6 mil pessoas, que ficou completamente ao abandono. Nestes últimos anos não tem havido incentivos, nem apoios nesse sentido.

 

EF: Têm mais alguma obra planeada ainda para este mandato?

AN: Estamos a planear obras na antiga sede da Junta de Aboim, porque temos necessidade urgente desse espaço polivalente. Penso que até ao final do mandato estará pronta. Pretendíamos ainda alargar o cemitério da Lagoa, que é um caso grave, porque está sem espaço, mas ainda não conseguimos negociar os terrenos na totalidade, estamos em fase de expropriação. São questões burocráticas que estão a impedir.

 

EF: Com o aproximar do verão, os incêndios são uma preocupação?

AN:Já estão a ser. A parte desde Pedraído a Lagoa está a arder constantemente. Não temos como prevenir, a não ser alertar e sensibilizar as pessoas. Para nós é uma preocupação, até porque temos uma das maiores manchas contínuas de carvalho-cerquinho da Europa, que é uma das coisas que leva mais visitantes a Aboim e que temos conseguido preservar, graças à prontidão dos Bombeiros Voluntários de Fafe. É uma das coisas mais bonitas e ricas da freguesia e que está subaproveitada. Podia ser uma mais valia, não só para a freguesia, mas para o concelho.

 

EF: Têm apostado em alguns pontos de atração turística.

AN:Sim, principalmente em Aboim, que eu costumo dizer que é o local mais visitado de Fafe. E é, sem dúvida. Pela beleza natural, pelos percursos pedestres, pelo moinho, ex-líbris recuperado em 2008, e pelo Museu de Aboim e do Povo de Aboim e Centro Interpretativo da Montanha e do Centeio de Aboim, que criámos na escola primária, em 2011. Com isso fizemos com que

a escola que estava fechada voltasse a receber meninos, mas também visita de séniores e até muita gente estrangeira. O ano passado tivemos o prazer de receber a TIMS (Sociedade Internacional de Molinologia), que nos privilegiou pondo o nosso moinho na capa de uma revista publicada em todo o mundo, desde a Nova Zelândia ao Canadá. É um orgulho para nós.

 

EF: Ainda há potencialidades por explorar?

AN: O norte do concelho é o futuro do turismo em Fafe. Infelizmente não tem havido boa vontade política, nem de particulares que queiram apostar lá. Se reparar, o norte é que tem o Rali e a Volta a Portugal, agora com a famosa etapa do Salto da Pedra Sentada, as melhores paisagens, o carvalhal e um moinho único no mundo, com um valor incalculável. Não inventamos nada. Aproveitarmos o que a natureza nos ofereceu é a grande potencialidade. Espero que no futuro Fafe saiba aproveitar isso, porque se quer turismo não é só promover a vitela assada. Embora seja importante, à que criar outras alternativas.

 

EF: O que falta para alcançar uma maior projeção turística?

AN: Eu lamento que, ao longo destes anos todos, tenhamos tido tantos programas de televisão feitos aqui, em Fafe, e a única vez que se falou do moinho de Aboim foi no “Portugal no Coração”, através do senhor Jorge Miranda, da Rede Portuguesa de Moinhos. Nunca tivemos a oportunidade de dizer o que Aboim tinha e fazia em mais nenhum minuto durante estes 20 anos em que a televisão vem a Fafe.

 

EF: A atenção que o Município deu à freguesia não correspondeu às expectativas?

AN: Confesso que esperava mais. Se for ver os discursos do presidente da Câmara, no início do mandato, dizia que a aposta era no norte, mas até agora a aposta é nenhuma. Mas quanto a freguesias, a nível geral, mérito lhe seja dado por ter tido a ideia fenomenal das transferências para as Juntas, esteve muito bem nesse aspeto. Noutras áreas acho que podia ter feito mais pelo norte do concelho.

 

EF: Pensa numa recandidatura?

AN: A minha opinião é que o meu tempo já passou, já contribuí com o meu dever cívico, mas não fecho a porta na totalidade, deixo-a só um bocadinho aberta. Acho que dentro da equipa há pessoas que podem continuar este trabalho.

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publicado por blogmontelongo às 18:00
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Obrigada "h" pela atenção. Já se corrigiu o erro.
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