BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
12
Out 16

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal, no jornal Notícias de Fafe:

 

Na época em que as famosas pirâmides do Egito estavam a ser construídas, também cá em Fafe a população local construía os seus monumentos funerários. Eram pequenas construções ligeiramente elevadas, que entre nós são conhecidas como mamoas. Existem no concelho de Fafe vários desses testemunhos da ocupação do nosso território há milhares de anos. É uma pena que sejam praticamente desconhecidos da população, no sentido de não serem entendidos como um importante valor patrimonial e histórico. Cabe às autoridades responsáveis criar condições para que não continuem a ser destruídos, como já foram vários.

A sua valorização pode servir, em conjunto com outras atividades culturais, para atrair visitas de estudo e turismo cultural ao nosso concelho. Para além disso, deveriam servir para enriquecer a nossa identidade e a consciência histórica, para que entendamos que o mundo não foi sempre assim como o conhecemos no presente, que a forma como se encara a vida e a morte não tem de ser obrigatoriamente aquela a que estamos habituados, que a obra humana é de uma enorme diversidade, que a nossa história não começou ontem e que está nas nossas mãos decidir como avançará. Era útil a criação de um roteiro do Pré-Histórico Fafense, com a proteção, recuperação e promoção das várias estruturas pré-históricas existentes nas várias freguesias de Fafe.

Há em Santo Ovídio ruínas mais recentes do que as tais mamoas, neste caso, com cerca de 2 mil anos, que provam que esta região foi habitada pelos romanos. No dia em que o imperador romano Nero assistia ao incêndio de Roma, estava instalado em Santo Ovídio um povoado castrejo que representava o poder imperial e que trouxe até nós a cultura, a religiosidade, os hábitos, a língua de Roma. A língua em que está escrito este texto é “neta” da língua que falavam os soldados romanos instalados no território a que agora chamamos Fafe, há dois milénios. É nosso dever apoiar a recuperação e promoção das ruínas do castro de Santo Ovídio de forma a que possa ser visitado condignamente pela população e compreendidas as lições que podemos retirar do seu estudo. Pode também servir como polo de atração turística e cultural.

Ruinas Romanas Fafe Santo Ovídio

 

Da história mais recente, na viragem para o século XX, temos alguns exemplos de casas da chamada “arquitectura dos brasileiros” que foram entretanto destruídas ao longo das décadas, muitas vezes para, no seu lugar, serem construídos edifícios de duvidoso sentido estético. Ainda há poucas semanas, foi destruída mais uma casa dos finais do século XIX bem perto do centro da cidade. Por outro lado, temos também recuperações de edifícios que fazem parte do importante património edificado fafense, como são o caso do Solar da Luz em Fornelos e de uma outra casa particular perto do Teatro-Cinema (outro bom exemplo de preservação), só para falar das mais recentes. É também verdade que o edifício “do Grémio” está já a ter utilidade depois de ter sido recuperado pela Câmara Municipal. Mas uma verdadeira democratização cultural obrigaria a muito mais do que apenas preservar património ou proteger “ruínas”. Era preciso que não deixássemos arruinar a nossa memória e que todo este património fosse divulgado, estudado, visitado e acarinhado.


publicado por blogmontelongo às 18:00
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