BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
25
Jan 17

Opinião de Alexandre Leite, eleito da CDU na Assembleia Municipal, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

     Ficaram a arder os trabalhadores da Valindo. Estiveram semanas à porta da empresa, em luta pelos salários que lhes são devidos e por uma solução para a fábrica. Mesmo quando recebiam o salário a tempo e horas, pouco sobrava, e agora, com salários em atraso, ainda pior. A razão da greve foi a falta de pagamento do salário de um mês e do subsídio de Natal. Ficaram a arder, ainda mais, com a falta de respostas por parte da administração da empresa. Os gestores queriam que eles continuassem a trabalhar e que continuassem sem receber. Nem no tempo da escravatura os “donos” pediam tanto! O que é exigido pelos trabalhadores não é nenhuma regalia. Os seus salários não são um oferta da entidade patronal, são o pagamento devido pelo trabalho realizado. Sem mais esclarecimentos por parte da administração nem se vislumbrando uma saída para esta situação, os operários viram-se forçados a parar. A sua dignidade não permitia mais aguentar a lata de quem lhes comeu o lombo e os deixa agora só com os ossos. Como gritaram na marcha que fizeram entretanto nas ruas da cidade, “Assim não pode ser! Trabalhar sem receber!”. Nesse dia, reuniram com o Presidente da Câmara, não para pedir esmolas, mas para solicitar a solidariedade e ajudar a fazer pressão sobre as entidades competentes para se conseguir alcançar uma solução.

Arder Fafe Valindo trabalhadores

     O sistema capitalista em que vivemos está feito de forma a favorecer “os grandes” e a explorar ao máximo os trabalhadores. Há uma rampa íngreme para aceder às instalações da fábrica e os trabalhadores perceberam que, tal como essa rampa é inclinada, também as leis do país e o sistema como um todo estão inclinados para o lado do capital. O sistema instalado permitiu que durante décadas esta e outras empresas recebessem dinheiro público, quer através de fundos europeus, quer através de benefícios fiscais nacionais ou de outros esquemas, conseguindo assim fazer crescer os lucros. Mas esse mesmo sistema não fomentou a subida dos salários ou a melhoria das condições dos trabalhadores. Nesta empresa, como na generalidade do setor têxtil, a norma é recorrer aos salários baixos. Em 2016, a indústria têxtil nacional bateu recordes, com perto de 5 mil milhões de euros de exportações. Mas quando se fala em subir os salários… ai, ai, que não pode ser! Nesta empresa, fala-se também em milhões a entrar e em milhões euros de dívidas, mas os tostões que são devidos aos trabalhadores, nem vê-los. Não se conhecem bem os contornos desta crise na empresa fafense nem a administração mostra nenhuma vontade em fazer um processo transparente. Há uma música dos Xutos & Pontapés que talvez resuma bem o que se passa: “De histórias mal contadas / anda meio mundo a viver / enquanto o outro meio / fica à espera de receber!”.

Valindo Fafe milhões patrões

      Os trabalhadores da Valindo já perceberam muita coisa em pouco tempo. Já perceberam que se querem tornar menos inclinada a rampa, vão ter de ser eles a lutar por isso. Perceberam que se o sistema não tem estado do lado deles. Perceberam também que a luta em que estão envolvidos é desigual e difícil. Têm consciência de que é uma batalha que pode não sair vitoriosa, pode adiantar pouco, podem até não conseguir recuperar os postos de trabalho a que têm direito nem os salários que lhes foram roubados, mas sabem que a sua luta é corajosa, justa e necessária e que só lutando é que poderão alcançar alguma vitória. Os trabalhadores da Valindo puderam perceber também quais são as forças políticas que estão ativamente solidárias com eles. Viram quem esteve com eles na luta e quem questionou o governo e chamou a atenção para o seu problema. E esta luta na Valindo soma-se a tantas outras que, por todo o país, fazem aumentar a consciência política e reforçam os laços de solidariedade entre a classe trabalhadora. No setor da saúde, começa hoje mesmo, sexta-feira, uma luta que procura solução para problemas de precariedade laboral. O caminho é reforçar o conjunto destas pequenas grandes lutas e tomar consciência de que só mudando o sistema poderemos viver numa sociedade mais justa. A luta, eterno motor da história, é que fará transformar o sistema.


publicado por blogmontelongo às 18:00
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