BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
19
Abr 17

Opinião de Alexandre Leite, eleito do CDU na Assembleia Municipal, publicada no jornal Notícias de Fafe:

 

     Decorreu na semana passada a terceira edição do tal evento a que resolveram chamar “Terra Justa”. A receita foi a mesma dos anos anteriores. Este modelo e este tipo de conteúdo já parece estar esgotado. Com o lema das “causas e valores da Humanidade” o foco do “debate” tem sido a questão assistencial à pobreza e a gestão de urgência de calamidades ou de crises “humanitárias”. Ao longo de três edições, desde 2015, passaram por este evento professores de “ciências das religiões”, conversas de café com frades, jornalistas especializados em religião, rabinos, budistas, xeiques islâmicos, bispos e freiras católicas, até mesmo um cardeal, várias conferências sobre a temática religiosa, exposições sobre a caridade e a missão da igreja católica, homenagens a instituições ligadas à igreja católica, conferências sobre o papel da religião, roteiros para o diálogo inter-religioso e cultural. Pelo meio houve ainda a apresentação de um livro sobre enfermeiras paraquedistas..., animação de rua, cerimónias de homenagem a instituições e personalidades. Três anos disto parecem mais do que suficiente! É mesmo necessário repensar o atual modelo deste evento.

Terra Justa Causas Fafe

      Claro que o papel da igreja e das instituições de solidariedade social tem a sua importância. Claro que é muito importante homenagear quem se dedica a ajudar os mais necessitados em situações como os refugiados, a pobreza extrema ou as crianças desprotegidas. Mas se a discussão fica por aqui, pela ajuda humanitária, não se vai realmente às causas das coisas.

 

     Na edição deste ano do Terra Justa falou-se sobre as crianças traficadas para a escravatura sexual, a fome, a pobreza infantil. Estas são questões que têm causas políticas e que se resolvem politicamente. A pobreza infantil não é apenas a falta de dinheiro para comprar alimentos ou vestuário. A impossibilidade de participar em atividades culturais ou desportivas, a dificuldade no acesso a serviços de saúde ou de ensino de qualidade são também atentados à dignidade e aos direitos das crianças. E por isso, quando no nosso país, sucessivas décadas de políticas de direita deterioram os serviços públicos, menosprezam a estabilidade laboral, encontramos também aí causas específicas do agravamento da situação das crianças. A pobreza infantil é a pobreza das famílias e aumenta com o agravamento das injustiças na distribuição da riqueza.

 

     No orçamento de Estado para 2017 houve medidas apoiadas ou propostas pelo PCP que procuraram combater a pobreza infantil e tornar esta terra mais justa: o alargamento da gratuitidade dos manuais escolares das crianças do 1.º ciclo, o reforço da Acção Social Escolar, o aumento das várias prestações sociais, a atualização da bonificação por deficiência, o alargamento do acesso ao abono de família. Não podemos esquecer, no entanto, que estas medidas são insuficientes e que as opções de PS, PSD e CDS de não enfrentar os interesses dos grandes grupos económicos e de não reconhecerem os constrangimentos da submissão ao Euro e à União Europeia, aprofundam a dificuldade de termos um país onde sejam realmente efetivos os direitos das crianças.


publicado por blogmontelongo às 18:00
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