BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
23
Jan 16

Opinião de Pedro Miguel Sousa publicada no jornal Povo de Fafe:

 

     Não se pode ignorar o que é genuíno. Voltamos a Fafe. Chegamos fisicamente algumas vezes e de pensamento todos os dias. Fafe viu-nos nascer e crescer. Mesmo se nos adaptamos com facilidade a outras localidades por força do ofício, o certo é que aquele é o nosso cantinho. Há sempre uma atenção redobrada em torno das suas gentes, usos e costumes. Fafe é terra da Justiça e é essa a imagem que melhor vende Fafe. Valorize-se o símbolo da Justiça de Fafe!

     Considero que é na procura de elementos especiais que fazem correr as televisões aos locais sem que haja para isso uma catástrofe. As televisões também são capazes de promover cultura sem levar milhares aos bolsos dos contribuintes nos programas de domingo à tarde. As sextas-feiras 13 em Montalegre. A festa de chocolate de Óbidos. A feira medieval de Santa Maria da Feira… e agora Cabeça Aldeia Natal em Seia.

     Fafe precisa deixar de ter vergonha do epíteto da justiça. Eu sou de Fafe e tenho orgulho em me afirmar pelos valores da Justiça de Fafe. O gajo que agarra pelos colarinhos a injustiça e a ingratidão e lhe dá a maior das sovas. Não há que ter vergonha de enfrentar os problemas ou como se diz no Alentejo ‘o touro pelos cornos’.

Justiça Fafe

      Mas o que interessa isso para Fafe?

     As questões da cultura são muitas vezes desvalorizadas porque não se vê facilmente o lucro imediato. A economia é quem manda e é preciso dar-lhe atenção porque se assim não for ninguém se importará.

     Considero que deveria ser facilmente identificável o símbolo da Justiça de Fafe nas entradas principais da cidade. Uma espécie da figura do homem de capa preta quando se visita a Régua. Aproveitar as festas do concelho (16 de Maio) para construir um evento cultural que envolvesse a temática, por exemplo, uma espécie de ‘julgabestamento’ que seria resolvido ‘à paulada’ numa representação alegórica em praça pública.

     Neste julgamento da besta, estariam presentes as mais variadas temáticas: a subida das taxas, a fuga aos impostos, a discrepância entre ricos e pobres, a injustiça social… enfim, tudo o que coubesse num evento que de alguma forma pudesse envolver a população fortemente armada com a vara transformada em matéria leve.

     “Ridendum castigat mores” (A rir castigam-se os costumes!), afirmava Gil Vicente e, em Fafe, já se podia dizer que se faz justiça popular como em Guimarães se celebra o Pinheiro, no Porto o S. João e na Guarda se julga o pobre do Galo.

     O resultado parece óbvio: os escritores prepararão os textos, os atores a sua representação, as pessoas envolvem-se na festa, os comerciantes apressar-se-ão em conseguir elementos alusivos das mais variadas espécies, as televisões têm novidade, os forasteiros querem presenciar e Fafe fica a ganhar com a sua imagem de marca, porque “Com Fafe, Ninguém Fanfe”.


publicado por blogmontelongo às 18:00
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