BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
21
Dez 16

Texto de João Pedro Marques e Castro na revista Factos de Fafe:

 

Esvoaçam folhas carregadas de uma cor áspera e bela. Pássaros fazem os derradeiros voos  rumo a qualquer lugar onde se quer chegar. É sempre mais lenta a ida que a vinda, talvez a ânsia de chegarmos aonde nos esperam, leve o tempo a parecer que para, se calhar para nos
preparar do que poderá vir.
É outono, não chove e brota uma temperatura amena. Mas a beleza agora é outra, dando lugar ao castanho, ao amarelo e ao cinza como cores primárias e de onde provêm todas as outras. A Natureza parece mais lenta, contemplativa e expectante.
Em grupo, calcorreamos a pista de Cicloturismo de Fafe. Em amena cavaqueira, juntam-se os Homens e as gentes. Por cada quilómetro percorrido, ganha-se mais um pedaço de história, daquela que está nos livros e da que vive na boca das gentes. A falar é que a gente se entende, e à passagem por esta via, vamos parando aqui e acolá a falar com quem faz do cultivo e tratamento da terra, ponto de honra, e com a sua experiência, alicerçada no seu senso comum,
todos os dias desvenda grandes realidades da vida.

Numa destas paragens, ladeada de folhas caídas de um amarelo feliz, ali pelos lados de Cepães, oferecem-nos um cacho de uvas. Imediatamente começamos a falar de tradições, costumes e valências e as vindimas vêm logo à baila. Uvas que deixam as videiras em ambiente de festa e num ambiente de convívio vão realizar o vinho do ano. Já têm o peso, a cor e a acidez aceitável para produzir o “néctar dos deuses”. E apesar de todo o desenvolvimento na enologia, ainda gosto de pensar naquele simples e tradicional método popular que um dia me ensinaram.
É tempo de vindimar quando as uvas tiverem já os pés murchos, coitadas, e as peles dos bagos
estiverem já a contrair. Importa festa, muita festa e alegria, juntando famílias e amigos desenhando num dia em pleno.
Vamos em frente, sempre, e passados tempos, pelos caminhos de Fareja, vemos ouriços de castanhas no chão. Alguns já entreabertos, outros ainda zangados porque o mau do vento ou outra força qualquer, soltou-os do amado castanheiro. As castanhas que são um alimento de topo, pouca gordura, uma boa fonte de potássio, ricas em vitaminas C e B6. Trazem o frio do
tempo mas aconchegam a alma. Em magustos, magustinhos ou magustões, a tradição leva-nos
ao redor de uma fogueira contando histórias infindáveis com olhos claros e alegres.
Juntar o vinho e as castanhas são tal como um foguete de cores. Pedaços de história, bocados de alma, quilómetros a construir o destino e eis-nos enfim passados largos espaços, novamente no começo da pista de cicloturismo.

Chestnuts-Fall-Brown-Raindrops-994138.jpg


publicado por blogmontelongo às 18:00
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