BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
15
Fev 17

Opinião de Joana Peixoto, Presidente da Comissão Política Concelhia da Juventude Popular, publicada no jornal Povo de Fafe:

 

     Os tempos de vivemos são de agitação autárquica. Com as eleições a bater à porta, os dirigentes políticos locais parecem apenas preocuparem-se com que ocupará a linha da frente da corrida ao executivo municipal. Hoje, proponho uma análise diferente. Não falemos de caras políticas, mas falemos de feitos políticos: O que foi Fafe, o que é Fafe e o que pretendemos que seja.

     Por muito que nos custe admitir, Fafe tem vindo a perder a sua identidade ao longo dos tempos, limitando-se a erguer-se em alguns eventos sazonais que aumentam a agitação e dão vida ao concelho. Se retirarmos estes eventos, e falo do ciclismo, do rally, do festival da vitela e da romaria do 16 de Maio, qual a identidade da cidade? O que faz com que as pessoas queiram morar em Fafe e queiram cá construir a sua casa e criar as suas famílias? Infelizmente, neste momento, não consigo responder e talvez esse seja o principal motivo que leva os nossos jovens, como eu, a rumar a outras cidades e a fixarem-se noutros locais.

     Apesar de parecer dois conceitos que nada se relacionam, é a identidade de uma cidade que atrai os jovens e sem a existência de jovens a quererem permanecer numa cidade, ela acaba, simplesmente, por deixar de existir. Afinal, o que tem Fafe a oferecer? Vamos recorrer a exemplos de cidades que são procuradas por jovens e que, por isso, têm visto a sua economia a crescer e, por consequência, a própria qualidade de vida no município. Famalicão é uma cidade que tem vindo a cerscer a olhos vistos, pois encontrou a sua identidade na indústria e criou as condições necessárias para a fixação de novas empresas industriais, apoiando novos projectos e chamando a si jovens empresários. O Porto e Lisboa são cidades que, além do turismo, são sede de grandes empresas do setor terciário, falamos, portanto, dos serviços, pelo que qualquer jovem advogado, gestor ou engenheiro procura preferencialmente estas cidades para encontrar emprego e, por conseguinte, criar um lar. Braga é a cidade mais jovem do país e usa desta identidade para crescer, através de projetos que apoiam verdadeiramente os jovens empreeendedores e através de uma economia competitiva que baix os preços dos serviços praticados no cencelho. E Fafe? Fafe parece perder-se numa tentativa frustrada de ser tudo quando, no final, não tem vindo a ser nada. A culpa? De todos os executivos que pela câmara passaram e que se encontram mais preocupados em criar estruturas, renovar estradas ou reabilitar espaços públicos, o que tem o seu valor e não deixa de ser importante para a saúde de uma cidade, mas que faz esquecerem-se do primordial, que é definir a identidade da própria cidade e, por conseguinte, criar verdadeiras políticas que fixem determinado grupo de jovens que permitam, assim, o crescimento.

     A identidade que daria a Fafe pode não ser a mais poética, mas seria aquela que faria a nossa cidade crescer. Fafe não é uma cidade turística, apesar do esforço do presente executivo para tentar que o seja. Fafe também não é uma cidade de serviços. Fafe é uma cidade cuja maioria do espaço físico é coberto por terra e árvores. A resposta é simples: Fafe tem de apostar no setor primário e secundário! Fafe tem de criar condições para que os pequenos agricultores se tornem grandes fornecedores e para que as pequenas indústrias se tornem ainda maiores. Têm de existir políticas municipais voltadas para a agricultura e para a indústria, medidas essas que incentivem ao investimento e à criação de novas oportunidades. A indústria, principalmente a indústria têxtil, já foi em tempos bastante competitiva no nosso concelho e, infelizmente, com a economia instável têm vindo a ser encerradas confeções por toda a cidade. A agricultura e a pecuária, por outro lado, sempre foram desvalorizadas na discussão política local. Nós temos os espaços e os recursos, falta-nos os incentivos. Hoje, cada vez mais jovens procuram uma alterantiva ao setor terciário, uma vez que o mercado está saturado nesta áreas. Sejamos essa alternativa e façamos de Fafe essa alternativa!

Fafe agricultura pecuária

     Ao pé da minha casa, um casal jovem comprou um campo para plantar amoras, usando dinheiro de um programa europeu para o fazer. Não foi só um campo que compraram, mas um campo e uma casa para morarem e construir família. Que criemos os nossos próprios programas e que deixemos que mais casais jovens plantem amoras nos nossos campos.

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
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