BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
23
Dez 17

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publicado por blogmontelongo às 18:00
20
Dez 17

Expresso de Fafe entrevista José Ribeiro:

 

Expresso de Fafe (EF): Recordando o processo eleitoral, o movimento Fafe Sempre, pelo qual foi candidato, venceu a assembleia municipal, mas não a câmara. Como interpretou esse resultado? Quais eram as suas expectativas para estas eleições?

José Ribeiro (JR): Pensei que ganharíamos as eleições para a câmara e para a assembleia municipal. Não fazia distinção, preferia aliás ganhar a câmara e perder a assembleia municipal. Normalmente em eleições autárquicas a assembleia é o que “menos importa” relativamente à eleição, porque verdadeiramente o poder está no executivo. Não dou particular relevo ao facto de ter vencido para a assembleia. A diferença esteve numa centena de votantes que porventura não fizeram o mesmo

voto para um e outro órgão, mas pela circunstância dos números não tem significado especial. Ironia do destino apenas, é que eu era o principal alvo a abater nas eleições, mas sobrevivi a este combate. Essa é a ironia das eleições. É que os eleitores não me quiseram afastar da gestão autárquica.

 

EF: Habituou o PS a largas maiorias. O presidente da câmara, Raul Cunha, disse em entrevista ao nosso jornal, na última edição, que o considerava o “Cristiano Ronaldo das eleições em Fafe”. Sente-se lisonjeado? Revê-se nesse título?

JR: É verdade, sem qualquer falsa modéstia, que desde 1993, sendo eu já há alguns anos o presidente da comissão política do PS, o partido nunca perdeu eleições nacionais em Fafe, que perdia até aí praticamente todas. Perdeu em 2015 pela primeira vez, em vinte e poucos anos. Em eleições autárquicas, o PS tem maiorias desde 1982. Mesmo nas circunstâncias mais adversas, o PS teve sempre maiorias absolutas, incluindo eu próprio, quatro vezes, e é sabido que em ‘97 tive uma eleição muito difícil, contra dois dos mais temíveis adversários, Dr. Parcídio Summavielle e Dr. António Marques Mendes. Orgulho-me naturalmente de ter conduzido o PS nessas circunstâncias, mas isso é mérito sobretudo da capacidade de trabalho dos que comigo ao longo desses anos estiveram. Esse título a mim não me diz nada, mas certamente que fico lisonjeado por ser reconhecido que tive sempre vitórias autárquicas desde que sou candidato em listas do PS e agora também no movimento Fafe Sempre.

 

EF: Como foi concorrer contra o PS, tendo em conta o seu passado no partido?

JR: Eu não concorri contra o PS, o PS é que concorreu contra nós. É essa a leitura que faço. Como disse várias vezes, e reitero, nós reagimos à indignidade que a direção nacional do PS nos quis impor. Como dizia Mário Soares, é o nosso direito à indignação. Reagimos à mentira do candidato que o PS apresentou, que reiteradamente disse que não queria ser candidato e depois voltou atrás na palavra, e reagimos contra aqueles que há 20 anos tentam destruir o PS e que agora nestas eleições deram sinais de colaborar com ele, mas mal elas acabaram voltaram outra vez ao terreno. Os Independentes por Fafe já tentaram destruir todos os partidos: o PS foi o primeiro, depois foi a CDU; foi o PSD, com quem até poucos meses antes das eleições tinham um acordo de cavalheiros; namoraram o CDS, e como diria Mao Tsé-Tung, não conseguindo vencer o PS juntaram-se a ele. As nossas candidaturas foram suportadas numa decisão muito clara da comissão política de Fafe e foram retificadas pela comissão política distrital. Não nos foi dada possibilidade de discutir a divergência que se criou. Foi imposição sem espaço para negociação ou discussão. Foi público que o secretário geral, António Costa, se comprometeu a reunir connosco, e não o fez. Demonstra a arrogância com que a direção nacional nos tratou. Pena foi que nós por muito poucos votos não tivéssemos ganho as eleições, porque tudo mudaria com certeza.

 

EF: O que acha que falhou para não terem vencido?

JR:O meu convencimento foi sempre o de que venceríamos, apesar da consciência que tinha da grande dificuldade. Julgo que perdemos as eleições nas últimas 72 horas, com algumas coisas que devíamos ter feito e não fizemos. Para além de aqui ou ali haver uma ou duas freguesias que devíamos ter tratado de outra forma, mas que não tratamos por confiarmos naqueles que tínhamos lá a representar-nos. No último dia de campanha podíamos ter feito mais, porque a distância a que ficamos era a alteração de menos de uma centena de votos. Sentíamos que a vitória estava perfeitamente ao nosso alcance, o clima que se vivia respirava isso e até a sondagem que foi divulgada pouco tempo antes indicava isso mesmo. Na última semana da campanha fizemos uma reunião com os nossos candidatos, e foi quase premonitório: eu disse que estávamos a 150 votos de ganhar as eleições. Disse-o no sentido de mobilizar ainda mais os nossos candidatos, porque sentíamos que estava perfeitamente ao nosso alcance.

 

EF: Como viveu a noite de revelação de resultados, em que acabou por anunciar a sua demissão da concelhia do PS?

JR: Foi o último episódio, dos três últimos dias, que eu digo que não estivemos bem. À hora em que falamos às pessoas que estavam à porta da nossa sede, que eram muitas, convencidas da nossa vitória, porque as televisões davam-nos a vencer, não tínhamos resultados e a câmara também não. E eu tão pouco sabia que tinha vencido para a assembleia municipal. Havia indicações de que teríamos perdido as eleições, o nosso adversário já festejava, e optamos por desmobilizar as pessoas. Fizemos quase tudo bem durante todo o tempo, na noite das eleições o nosso sistema de recolha de dados faliu. Levou-nos a essa situação quase caricata de termos as pessoas à porta a quererem festejar e não termos certeza do que tinha acontecido.

Expresso de Fafe Ribeiro entrevista

EF: Sente que a sua vitória ficou então por festejar? O que seria diferente se tivesse tido acesso aos dados?

JR: Não seria muito diferente do que foi. Não teríamos festejado nada, mas certamente aquelas centenas de pessoas teriam ido menos desoladas do que foram se soubessem que ganhamos para a assembleia municipal. Talvez nessa circunstância eu pudesse não ter anunciado logo a minha demissão de presidente da comissão política. A minha estratégia era, não ganhando as eleições para a câmara, tirar consequências da derrota, que foi o que fiz. Se nessa altura tivesse já o resultado definitivo da assembleia talvez ponderasse um pouco mais se deixava para mais tarde. Não o anunciava naquela circunstância, mas que o iria fazer com certeza que sim.

 

EF: Como reage às críticas que dizem que se deveria ter desvinculado do partido assim que se assumiu como candidato ‘Fafe Sempre’?

JR: Tive oportunidade de o responder e digo-o também agora, quando já recebi uma carta a ameaçar-me de suspensão do partido. Não fiz nada contra o partido, defendi-me do desrespeito e autoritarismo da direção nacional, que não me quis ouvir. Em certo momento eu próprio pensei que, sabendo que estava a correr o risco que agora se verifica de uma suspensão ou até de uma expulsão, pudesse antecipar a minha saída do partido. Não o vou fazer. Vou reagir dentro dos órgãos do partido e sugerir a todos aqueles que estão na mesma circunstância que reajam também por todos os meios que temos para impedir que nos afastem. Temos agora um período de resposta, isto não é ainda uma decisão disciplinar, porque essa só a comissão da jurisdição nacional pode tomar. Isto é mais uma manobra do partido para nos afastar das eleições internas que vêm agora, para não podermos ser candidatos e por ventura não podermos votar. Pela segunda vez, a direção nacional do partido dá cobertura a uma tentativa de ganhar na secretaria. Não vou facilitar, vou reagir. Se os órgãos de disciplina do partido chegarem ao final e me expulsarem eu não tenho outro remédio, sairei, mas com a consciência do percurso que fiz dentro do PS e do contributo que dei para todas as vitórias e toda a força que o PS teve em Fafe.

 

EF:Tendo em conta a expressiva votação que reuniu nas eleições internas e toda esta força que teve à sua volta nesta eleição, acha que se porventura for expulso o partido ficará mais fragilizado? Acha provável que militantes que estão de acordoconsigo tomem a iniciativa de entregar o cartão de militante?

JR: Não houve até agora saídas do partido porque nós pedimos que ninguém saísse e vamos continuar a pedi-lo. Existe revolta por parte de muitos militantes, mas continuaremos a dizer que não saiam. O partido se entender que nós estamos a mais põem-nos fora. Se vier a acontecer, nenhum de nós deixa de ser socialista, deixa de ter é as obrigações que até agora tinha por ser militante. Que o PS ficará enfraquecido, com certeza, porque são dos melhores quadros que teve ao longo dos últimos 20 e tal anos. Mas virão outros, não será o fim do mundo nem o diabo. Pela minha parte, lutarei com todas as minhas armas para me manter dentro do PS como militante. Se acontecer a expulsão será um quadro novo, em que nós teremos de ver o que será melhor fazer para a frente, porque significará que esta direção não nos quer, e se não nos quer o nosso espaço de intervenção tem de ser outro, mas isso é um processo que ainda vai ter meses pela frente. Estamos a falar de vários presidentes de junta, vereadores, membros da assembleia municipal, pessoas que têm um impacto e uma força significativa nos eleitores. Vamos deixar de intervir politicamente em Fafe? Eu não vou e os outros também não com certeza.

 



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16
Dez 17

Expresso de Fafe entrevista Raul Cunha:

 

Expresso de Fafe (EF): Recordando o processo autárquico, que acabou com um resultado favorável ao Partido Socialista e a renovação do seu mandato. O resultado que conseguiu foi na linha do que estaria à espera ou havia a expectativa de chegar à maioria absoluta?

 

Raul Cunha (RC): Entendíamos que, com o nosso trabalho durante estes quatro anos, merecíamos uma maioria absoluta. De qualquer modo, merecemos a confiança dos fafenses. Não obtivemos a maioria absoluta penso eu por condições estranhas e excecionais, como foi o não apoio da estrutura local do PS a esta candidatura do próprio PS, que é uma coisa difícil de se entender. Quando os órgãos nacionais me convidaram e desafiaram para abraçar este projeto foram muito claros quando confrontados com a discordância da estrutura local do partido: disseram que esse problema passaria a ser um problema interno do PS, que o partido resolveria. Eu fiquei descansado quanto a esse aspeto, mas pelos vistos não se resolveu bem.

 

EF: Chegou a acreditar, no tempo que mediou a sua indicação como candidato pelos órgãos nacionais e a data das eleições, que fosse possível chegar a um acordo com a estrutura local do PS?

 

RC: Fiquei muito surpreendido com a atitude das pessoas que em Fafe representavam o PS. Nunca pensei que fosse possível a inversão total da opinião que as pessoas me manifestaram e do apoio que me tinham dado quatro anos antes, em que me foram convidar para vir dar uma ajuda às dificuldades que naquela altura o PS tinha em Fafe. De repente, ser confrontado com uma hostilidade e com uma agressividade no discurso, surpreendeu-me e entristeceu-me.

 

EF: A forma como decorreu esta campanha, a “agressividade” de que fala da candidatura liderada por Antero Barbosa e José Ribeiro, vai deixar sequelas? Essas sequelas poderão condicionar este mandato, do ponto de vista político?

RC: Penso que o relacionamento pessoal e político não voltará a ser como foi. Havia uma relação não só política, mas de amizade, que ficou abalada e dificilmente voltará a ser como era. Não é possível na vida das pessoas passar-se uma escova pelo passado e esquecer o que aconteceu.

Mas isso não quer dizer, apelando para a necessidade de se colocar os interesses de Fafe e dos fafenses em primeiro lugar, que não haja espaço para se conversar e criar as pontes necessárias para se criar uma plataforma de entendimento em que possamos trabalhar, independentemente do assunto do PS. Há aqui dois níveis: um que é o nível interno do PS, que a mim enquanto independente me custa interferir, e penso que não devo; e outro patamar, que é o da ação política concreta local, em que acho que há todas as condições, e pela minha parte farei todas as pontes necessárias, para que possamos construir — reconstruir talvez seja a palavra —, uma relação de confiança política que permita conduzir os destinos da autarquia com tranquilidade.

 

EF: Relativamente ao PS, o presidente da concelhia anunciou a demissão e vai haver eleições no início do próximo ano. Sabemos que não é militante, mas tem uma relação forte ao partido. O que espera destas eleições? Que saia uma liderança concelhia com a qual possa ter uma relação de maior proximidade na liderança da câmara municipal?

RC: A minha relação com o PS é de tal ordem, embora não seja militante, que nunca concorreria contra o PS. Aliás, eu fui desafiado nestas eleições a fazê-lo. Quase todas as forças políticas me manifestaram disponibilidade para me terem como candidato, e eu disse sempre que ou seria candidato pelo PS ou não seria. Nunca concorreria contra o PS, apesar de não ser militante, por isso

é que me surpreende ver pessoas com muitos anos de militância a fazê-lo com alguma facilidade. Sou candidato pelo PS, a minha obrigação é intervir enquadrado pelo PS. Aguardo serenamente. Acho que o PS tem mecanismos próprios, há estatutos, regulamentos, que terão de ser cumpridos. Sinto falta de uma estrutura política de apoio, sólida, aqui no município. Estamos numa situação absolutamente atípica: o PSD deixou de ter liderança, demitiram-se todos; o grupo Independentes por Fafe está de acordo com o PS, mas são um grupo de independentes, não têm uma estrutura montada; o PS tem uma direção ainda em efetividade que concorreu contra o partido e, portanto, de legitimidade complicada; o Partido Comunista deixou de ter representação na assembleia; o Bloco de Esquerda tem uma representação reduzidíssima... Em termos de linhas políticas, está uma grande confusão aqui em Fafe. Está muito dependente do bom senso e da razoabilidade dos protagonistas

que neste momento estão na autarquia, e por isso é que eu acho que aumenta muito a responsabilidade de todos os senhores vereadores.

 

EF: Faz sentido, no seu ponto de vista, que os militantes do PS, alguns dos quais ex e atuais dirigentes da concelhia que se candidataram com o movimento independente, sejam expulsos de acordo com os estatutos do partido?

RC: Colocando-me no lugar de dirigente de um partido, estas atitudes que aqui e ali foram sendo tomadas por alguns militantes, em que se desvinculam do partido, ou sem desvincular, que ainda é mais grave, concorrem contra o partido, acho que se não houver consequências será muito complicado. Penso que as pessoas uando tomaram as atitudes sabiam o que advinha dessas atitudes, estão conscientes disso. Isso não pode é interferir com a solução de governabilidade da autarquia. Isto não quer dizer que nós, enquanto representantes do PS e autarcas e vereadores com pelouros, com responsabilidade de conduzir os destinos do município, queiramos encontrar alguma desculpa ou pretexto para menos eficiência, dedicação ou trabalho. Eu costumo dizer que nós dançaremos conforme a música, trabalharemos com as condições que nos dão.

Raul Cunha Fafe Presidente

EF: O facto de terem rejeitado a delegação de competências no presidente, interpretou como um sinal de menor colaboração, ou ausência de colaboração com a oposição?

RC: Não, até porque houve outras situações que foram em sentido contrário. Notei uma atitude mais contra por parte do senhor vereador do PSD. Pese embora com a ressalva de que não fosse nada pessoal e que tinha muita consideração por mim. Política é política e consideraram que não se sentiam confortáveis com a solução que nós construímos ao colaborar com a família Summavielle e os Independentes por Fafe. Dos outros senhores vereadores, o que o doutor Antero expressou foi que agora era assim, que iríamos experimentar e posteriormente íamos vendo. A não delegação de competências, que era habitual acontecer no município, porque sempre houve gestão de executivos maioritários, não tem problema nenhum. Não será o primeiro município, nem o último. Os problemas maiores resultam da adaptação que os serviços têm de fazer à nova realidade, que terá algum reflexo na capacidade e na eficiência da resposta da autarquia. Se havia assuntos que o presidente despachava todos os dias, agora despachará uma vez por semana ou de quinze em quinze dias, conforme a periodicidade das reuniões. Depois, há processos de obras ou empreitadas que a partir de um determinado volume deixam de estar delegados no presidente de câmara, até agradeço! As pessoas terão de assumir todas as suas responsabilidades. Eu disse que estava disponível para conversar com todos os senhores vereadores, os cinco sem pelouros, para se algum tiver disponibilidade e vontade dar o seu contributo de uma forma mais empenhada e envolvida nas questões da autarquia.

 

EF: Como lidou com o facto de dois dos seus vereadores terem concorrido numa lista oposta à sua?

RC: Apesar de concorrerem contra nós, estiveram no nosso executivo até ao fim. O engenheiro Vítor e a engenheira Helena nunca entenderam que não tinham condições de permanecer, apesar de concorrerem contra o presidente, que também achou que podiam estar desde que mantivessem a sua função e o trabalho dentro de parâmetros de razoabilidade. Confesso que as últimas semanas não foram fáceis, foi preciso ter alguma dose de tolerância e capacidade de encaixe. Em boa verdade,

nunca os ouvimos num discurso que infelizmente o doutor Ribeiro teve. A questão maior aqui tem a ver como esse grupo de pessoas se posiciona. Quem é que lidera? Quem representa o grupo? O doutor Antero ou o doutor Ribeiro?

 

EF: Falou com António Costa, após a sua vitória?

RC: Com a doutora Ana Catarina tenho falado mais. Com o doutor António Costa falei duas vezes, para me dar os parabéns e felicitar o trabalho conseguido em Fafe. Porque não foi fácil. O doutor

Ribeiro nunca perdeu uma eleição em Fafe. Chamei-lhe uma vez o Cristiano Ronaldo das eleições em Fafe. Deu sempre vitórias enormes ao Partido Socialista.

 

EF: E desta vez também não perdeu. Ganhou a eleição para a assembleia municipal, e depois a eleição para a mesa. Ficou surpreendido ou desiludido com o resultado que ditou José Ribeiro para a presidência do órgão?

RC: Não fiquei desiludido, era o resultado que esperávamos. Espero é que volte a vir ao de cima, no doutor José Ribeiro, a pessoa de apego aos valores e à ética, que eu acho que durante algum tempo abrandou, e que seja capaz de dar o seu contributo enquanto presidente da assembleia. O doutor

Ribeiro não foi presidente da assembleia no último mandato porque não quis. Poderia absolutamente ser, aliás, seria o presidente da assembleia natural. Não vejo mal nenhum em ser presidente da assembleia agora, é muito bem-vindo. Temos é todos de ter uma preocupação institucional e cada um respeitar e não se envolver na esfera de trabalho dos outros. Acho que estes

quatro anos ‘sabáticos’, digamos assim, de afastamento da atividade autárquica, poderão ajudar a que no exercício do lugar de presidente da assembleia não tenha a tentação de se envolver na gestão quotidiana do município.

 

EF: Face à correlação de forças na assembleia municipal, que tem competências importantes na deliberação sobre algumas matérias que emanam do executivo, espera que haja dificuldades na aprovação de documentos importantes, nomeada mente orçamentos?

RC: Espero uma atitude de responsabilidade de todos, dos membros da assembleia municipal e das juntas de freguesia também. A eleição da mesa ainda mantinha muito a questão emocional. Tivemos

na eleição da mesa a postura do PSD, que me disseram, e isso foram posições formais de alguns responsáveis do PSD, que ‘a eleição da mesa é um assunto, a gestão quotidiana depois na assembleia será diferente, não terá a mesma atitude de votação organizada num determinado candidato’. E os senhores presidentes de junta também têm de ver que muito do que podem esperar da autarquia, para terem condições para gerirem as suas freguesias, depende muito do orçamento da câmara. Também têm interesse na aprovação destes documentos.

 

EF: Vamos falar do futuro. Como é que antecipa o mandato?

RC: Há condições para podermos esperar um bom mandato. Será muito a concretização do trabalho que foi preparado no mandato anterior. As grandes obras estão em concurso. Temos aqui muito trabalho para fazer na área do apoio às indústrias, na área da descentralização e reforma administrativa que está aí a vir e que é necessário que nasça bem.

 

EF: Destaque alguns aspetos que prevê que venham a ser determinantes. O que vai marcar este mandato?

RC: As novas escolas — a Escola Secundária e a Escola Carlos Teixeira —, o nó de Arões e o bairro da Cumieira. Em relação à Cumieira, existe projeto, está feita a candidatura, o financiamento, e já está em fase final do concurso. Não vamos fazer casas novas, vamos restaurar as que estão: mudar os telhados, colocar isolamento térmico e acústico, meter novas caixilharias, novas janelas, novas varandas, nova canalização. Vamos fazer quase casas novas, mas nas que lá estão. Na área da regeneração urbana, temos a ambição de recuperar o nosso centro coordenador de transportes. O projeto está pronto e também já há financiamento para isso. Vamos fazer a recuperação da Avenida do Brasil e da Praça 25 de Abril. Esta última ainda não foi feita porque achamos que não era altura, com a vinda dos emigrantes, a Senhora de Antime e a campanha eleitoral, mas também já temos o financiamento pronto, para recuperar aqueles passeios, aumentar a luz na praça, substituir as árvores que segundo Serralves não estão de boa saúde e não são as mais indicadas porque tornam a praça

muito escura. Vai ter mais árvores do que tem, mas de outras espécies. No Largo 1o de Dezembro, a rua está a ficar pronta e vamos continuar a obra, numa segunda fase, com o novo largo. Depois, vamos começar a trabalhar nos bairros em Fafe, que estão em condições degradadas de piso, precisam de águas pluviais e saneamento. Há muito trabalho a fazer. Temos ainda a intenção de construir uma piscina, ao lado do multiusos. O programa funcional já está feito e prevê um tanque com 25 metros e duas pistas de 50 metros, mas ainda não há projeto, nem cálculo de quanto irá

custar e como se poderá financiar. Temos todo um mandato e o nosso compromisso é para quatro anos.

 

EF: Qual é o ponto de situação relativamente ao Nó de Arões?

RC: Está na Secretaria de Estado das Autarquias o processo de expropriação dos dois terrenos que não tinham acordo. Já conseguimos entendimento com um deles e estamos a fazer um último esforço com uma das proprietárias para ver se evitamos expropriação e conseguimos acordo. Logo que seja conseguido, o concurso está pronto, é avançar com o processo. É uma obra muito importante para o desenvolvimento da economia do concelho e em particular daquela região. Não só da zona industrial, mas da própria vila de Arões e freguesia de Golães. Quanto à zona industrial de Regadas, está na parte do levantamento burocrático e terá agora de receber um impulso decisivo.

 

EF: Quer deixar uma mensagem aos fafenses?

RC: Gostaria de tranquilizar os fafenses, e dizer-lhes que a confiança que nos manifestaram nestas eleições será honrada por nós. Não se deixem contaminar por alguma turbulência política, é algo que faz parte da vida democrática e que não devemos valorizar em excesso. Podem ter confiança que este executivo irá seguramente fazer o trabalho de modo a poder defender os interesses, os projetos e as ambições dos fafenses.

 



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09
Dez 17

ministro educação fafe escola

 



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Obrigada "h" pela atenção. Já se corrigiu o erro.
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