BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
18
Fev 17

Fotografia e opinião de Hernâni Von Doellinger publicada no blog Tarrenego! :

 

Ao contrário (nunca se deve começar um texto com a expressão "ao contrário"), mas, como dizia, ao contrário de uns certos e determinados palermóides, fafenses ou nem por isso, que têm vergonha da Justiça de Fafe, eu não tenho. É verdade: tenho é orgulho. Gosto da lenda da Justiça de Fafe, acompanha-me desde que eu nasci, identifica-me pelo mundo fora, e até aprecio o monumento, embora o desejasse mais central.
aqui escrevi: a Justiça de Fafe é a metáfora folclórica de uma gente de paz que não gosta de levar desaforo para casa, ou que costumava não gostar. Nós, os fafenses. O resto é treta, mais ou menos erudita. Geralmente menos. "Com Fafe ninguém fanfe" quer dizer, tão-só, com Fafe ninguém se meta. Porque, quem se meter, quem nos ofender de graça, recebe o troco, e que mal tem isso? E, no entanto, muito boa gente confunde, hoje em dia, este velho sentido de verticalidade com fazer justiça pelas próprias mãos. Não é nada disso. A Justiça de Fafe deve ligar-se, antes, à defesa da honra. A coça é semântica.
É isto e mais nada. Nem luta de classes, nem administração de justiça privada, nem apologia da justiça popular, nem jogo do pau, nem fanfarronice, nem sacholadas, nem pistolas e navalhadas, nem Felizardos, nem bordoada por dá cá aquele copo. Tudo equívocos. As lendas têm costas largas, de toda a conveniência para o caso em apreço, mas saber ler antes de escrever também nunca fez mal a ninguém, e sobretudo aos alegados historiadores.
Não vamos mais longe. Podíamos ir à Porca de Murça, mas não vamos mais longe: deitemos os olhos a Guimarães, que após Arões é sempre ao baixo e sem portagens. A vaidade que os nossos vizinhos têm na estátua de D. Afonso Henriques, esse gandulo que usava saias e batia na mãe! Ainda por cima, existiu mesmo, e a nossa Justiça de Fafe é só bazófia, invenção - mas é a coisa mais bonita a que nos podemos agarrar, para além da forca de Moreira do Rei...
Os reis de Espanha vieram no outro dia a Portugal e o nosso presidente Marcelo levou-os a Guimarães e à estátua do tratante, do Afonsinho: a Letizia e o Felipe puseram-lhe flores. Em Fafe, a Câmara Municipal inventou um pedregulho Por Baixo da Arcada, no salão nobre da cidade, para poupar aos ilustres e televisivos visitantes o embaraço de se cruzarem com a Justiça de Fafe ela própria.

câmara de fafe edifício

 

Que Fafe mata é verdade. Não por acaso, a Câmara Municipal faz questão de abrilhantar o programa das tradicionais Feiras Francas, lá pelos meados de Maio, com uma extraordinária largada de perdizes tontas, condenadas à matança à-seja-ceguinho. E organiza ou apoia também batidas à raposa e montarias ao javali. Atenção: raposas, javalis e ursos polares em Fafe são mato, uma verdadeira epidemia. Tal como as perdizes de aviário.
Por outro lado, a Câmara Municipal de Fafe gosta muito de animais, coitadinhos dos bichos. Acolheu há dias a 44.ª Exposição Nacional e Pré-Olímpica de Columbofilia e no próximo mês de Fevereiro fará o favor de nos deliciar com a X Exposição Canina Nacional de Fafe. Quer-se dizer: desde que (eventualmente) dê na televisão ou pelo menos no Facebook, para a Câmara está bem...

P.S. - Ainda sobre a Justiça de Fafe e sonsos programas de televisão a pagar pelos munícipes-contribuintes, recomendo a leitura deste texto, que está fresquinho. Com o jogo das cadeiras aí à porta, e com os aboletados e ex-aboletados do costume atarefados nas traições do costume (o PS é mesmo um saco de gatos, dasse!...), cada vez percebo menos que a minha terra se dê a luxo se desaproveitar as cabeças verdadeiramente pensantes e arejadas de homens de princípios e honra como, por exemplo, e sem ofensa àqueles de que me esqueço ou não conheço: Pedro Sousa, António Daniel, Miguel Summavielle ou Ricardo Gonçalves - já viram que equipa?! Há quatro ou cinco anos convenci-me de que o Ricardo haveria de dar, mais cedo ou mais tarde, um excelente presidente da Câmara de Fafe. Informo-me com regularidade acerca do seu trajecto, e não tenho razões para mudar de ideia...

 

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
15
Fev 17

Opinião de Joana Peixoto, Presidente da Comissão Política Concelhia da Juventude Popular, publicada no jornal Povo de Fafe:

 

     Os tempos de vivemos são de agitação autárquica. Com as eleições a bater à porta, os dirigentes políticos locais parecem apenas preocuparem-se com que ocupará a linha da frente da corrida ao executivo municipal. Hoje, proponho uma análise diferente. Não falemos de caras políticas, mas falemos de feitos políticos: O que foi Fafe, o que é Fafe e o que pretendemos que seja.

     Por muito que nos custe admitir, Fafe tem vindo a perder a sua identidade ao longo dos tempos, limitando-se a erguer-se em alguns eventos sazonais que aumentam a agitação e dão vida ao concelho. Se retirarmos estes eventos, e falo do ciclismo, do rally, do festival da vitela e da romaria do 16 de Maio, qual a identidade da cidade? O que faz com que as pessoas queiram morar em Fafe e queiram cá construir a sua casa e criar as suas famílias? Infelizmente, neste momento, não consigo responder e talvez esse seja o principal motivo que leva os nossos jovens, como eu, a rumar a outras cidades e a fixarem-se noutros locais.

     Apesar de parecer dois conceitos que nada se relacionam, é a identidade de uma cidade que atrai os jovens e sem a existência de jovens a quererem permanecer numa cidade, ela acaba, simplesmente, por deixar de existir. Afinal, o que tem Fafe a oferecer? Vamos recorrer a exemplos de cidades que são procuradas por jovens e que, por isso, têm visto a sua economia a crescer e, por consequência, a própria qualidade de vida no município. Famalicão é uma cidade que tem vindo a cerscer a olhos vistos, pois encontrou a sua identidade na indústria e criou as condições necessárias para a fixação de novas empresas industriais, apoiando novos projectos e chamando a si jovens empresários. O Porto e Lisboa são cidades que, além do turismo, são sede de grandes empresas do setor terciário, falamos, portanto, dos serviços, pelo que qualquer jovem advogado, gestor ou engenheiro procura preferencialmente estas cidades para encontrar emprego e, por conseguinte, criar um lar. Braga é a cidade mais jovem do país e usa desta identidade para crescer, através de projetos que apoiam verdadeiramente os jovens empreeendedores e através de uma economia competitiva que baix os preços dos serviços praticados no cencelho. E Fafe? Fafe parece perder-se numa tentativa frustrada de ser tudo quando, no final, não tem vindo a ser nada. A culpa? De todos os executivos que pela câmara passaram e que se encontram mais preocupados em criar estruturas, renovar estradas ou reabilitar espaços públicos, o que tem o seu valor e não deixa de ser importante para a saúde de uma cidade, mas que faz esquecerem-se do primordial, que é definir a identidade da própria cidade e, por conseguinte, criar verdadeiras políticas que fixem determinado grupo de jovens que permitam, assim, o crescimento.

     A identidade que daria a Fafe pode não ser a mais poética, mas seria aquela que faria a nossa cidade crescer. Fafe não é uma cidade turística, apesar do esforço do presente executivo para tentar que o seja. Fafe também não é uma cidade de serviços. Fafe é uma cidade cuja maioria do espaço físico é coberto por terra e árvores. A resposta é simples: Fafe tem de apostar no setor primário e secundário! Fafe tem de criar condições para que os pequenos agricultores se tornem grandes fornecedores e para que as pequenas indústrias se tornem ainda maiores. Têm de existir políticas municipais voltadas para a agricultura e para a indústria, medidas essas que incentivem ao investimento e à criação de novas oportunidades. A indústria, principalmente a indústria têxtil, já foi em tempos bastante competitiva no nosso concelho e, infelizmente, com a economia instável têm vindo a ser encerradas confeções por toda a cidade. A agricultura e a pecuária, por outro lado, sempre foram desvalorizadas na discussão política local. Nós temos os espaços e os recursos, falta-nos os incentivos. Hoje, cada vez mais jovens procuram uma alterantiva ao setor terciário, uma vez que o mercado está saturado nesta áreas. Sejamos essa alternativa e façamos de Fafe essa alternativa!

Fafe agricultura pecuária

     Ao pé da minha casa, um casal jovem comprou um campo para plantar amoras, usando dinheiro de um programa europeu para o fazer. Não foi só um campo que compraram, mas um campo e uma casa para morarem e construir família. Que criemos os nossos próprios programas e que deixemos que mais casais jovens plantem amoras nos nossos campos.

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
11
Fev 17

Texto de Hernâni Von Doellinger publicado no blog Tarrenego! :

Fui muitas vezes à merda. E gostava. A minha avó Emília mandava-me, com uma telha, à procura de poios de bosta, que depois servia para selar o forno onde ela cozia a broa. Eu passava sempre uma temporada das férias grandes na aldeia e ir à merda era o meu modesto contributo para que tivéssemos pão à mesa. Isso e, às vezes, ir à fonte buscar água.

(Para a aldeia ia-se na carreira da "Empresa", que saía de uma grande garagem à beira da Igreja Matriz, mesmo em frente à Rua do Assento. Nessa enorme garagem também se construíram carros para a Marcha Luminosa das Festas da Vila, "um espectáculo de luz, cor e som", mas isso é assunto que não vem ao caso. Era desengonçada e cinzenta a carreira. Cheirava mal, espevitava enjoos. Ia-se com o nariz enfiado em meio biju para não gomitar e mesmo assim gomitava-se - falo por mim. Ia-se na carreira até Várzea Cova, e ali acabava a estrada, acreditem no que eu digo: Fafe era mesmo o fim do mundo. Dali já só faltavam mais cerca de cinco quilómetros a pé, em monte de sobe e desce, fizesse sol ou diluviasse, certa vez até passando a vau o ribeiro que a força de um inverno estoura-vergas desencaminhara e transformara em rio violador de margens. Chegávamos então à aldeia, como nunca na vida lhe chamámos. Era Basto. Freguesia de Passos, concelho de Cabeceiras de Basto, mas simplesmente Basto, para nós.)

A minha avó Emília, que era pequerricha e bondosa com um anjo, e era um anjo, fazia uma broa escura, muito saborosa, que se mantinha fresca durante dias e dias. Naquele tempo, o pão era o principal alimento dos portugueses. O pão e o vinho, como fazia questão de frisar, de forma propositadamente ambígua, a propaganda salazarista. Na casa da minha avó Emília, que era a do avô Bernardino, também era assim. Podia faltar tudo, e às vezes faltava, mas havia sempre broa com fartura e umas imensas malgas de "amaricano" às quais eu gostava de mandar umas pescoçadas até dizer ahhhhhh!...

publicado por blogmontelongo às 18:00
08
Fev 17

Opinião de Alexandre Leite publicada no jornal Povo de Fafe:

 

Estes últimos meses têm sido animados pela vida interna do PS em Fafe. Tal como nas novelas, temos os bons e os maus, as traições e as reconciliações, os namoros, os noivados, os segredos, as conspirações, as cambalhotas. Mas quem está de fora não pode interferir. Deve apenas aguardar as cenas dos próximos capítulos e ir observando a “democracia interna” desse partido. Mas podemos sempre assinalar a falta de discussão de ideias, projectos, intenções, a ausência de debate sobre uma visão para o nosso concelho. Passadas que estão quatro décadas desde as primeiras eleições democráticas nas autarquias locais, este cenário não é muito abonatório.

 

Rompendo com cerca de 50 anos de ditadura fascista, a revolução de 1974 permitiu, entre outras conquistas, eleições locais democráticas. Desde essa altura, as assembleias e juntas de freguesia, as assembleias e câmaras municipais têm sido palco de debates, participações, intervenções, resoluções que permitiram uma grande proximidade entre os cidadãos e os centros de decisão. A democracia é muito mais do que apenas votar de 4 em 4 anos ou do que discutir o cabeça de lista. Ela acontece também, e talvez até com mais importância, nessa participação, na compreensão e resolução dos problemas das populações locais. É necessário remendar a obra do antigo ministro Miguel Relvas, que conseguiu extinguir quase 1200 freguesias no nosso país.Talvez não seja tão fácil como parece… É que mais democracia incomoda sempre quem pretende praticar políticas contrárias aos interesses populares. Os sucessivos governos praticantes de políticas de direita apoiados por PS, PSD e CDS têm vindo a reduzir a autonomia e o financiamento das autarquias, esvaziando o seu poder. O que era preciso era fomentar a participação dos cidadãos e fortalecer a democracia dos órgãos autárquicos, a sua autonomia e o seu financiamento. Novelas políticas também não trazem mais pessoas para a democracia.

 

publicado por blogmontelongo às 18:00
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Obrigada "h" pela atenção. Já se corrigiu o erro.
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