BLOG MONTELONGO
Olhares para Fafe
18
Out 17

Opinião de Ricardo Gonçalves publicada no seu blog:

 

Com a tomada de posse dos eleitos pelos resultados das eleições autárquicas, inicia-se um novo ciclo político em Fafe.
 
Adivinham-se dificuldades para o executivo que irá tentar governar em minoria e muito se espera da capacidade conciliadora do Presidente Raul Cunha. Não sendo um político de carreira, este tem demonstrado muita capacidade de "fazer pontes" e logo no discurso de investidura deixou bem claro que é isso que pretende fazer.
 
Ao contrário do mandato passado, a possibilidade de governar coligado com outra força política parece estar afastada restando, por isso, a negociação permanente de todas as decisões do executivo. O passado mostra que há imensos temas que são consensuais e não se prevê que agora passe a ser diferente.
 
Há outros temas que são mais discutíveis e é aí que deverão surgir dificuldades. 
 
Desde logo na constituição dos gabinetes de Presidente e vereadores. Este acto, vulgarmente usado para colocar pessoal político, deverá receber a oposição das restantes forças políticas. O pretexto será o de redução de despesa mas todos sabemos que o principal objectivo não será esse. Não será de esperar que seja daí que venham as dificuldades na acção do executivo mas será um sinal dado pela oposição.
 

Raul Cunha Fafe tomada de posse

Depois há toda a política de comunicação e de promoção que ficará irremediavelmente condicionada à negociação com a oposição. Também muita da contratação de bens e serviços que carecem de autorização da câmara ficará sujeita ao voto das bancadas de "Fafe Sempre" e PSD.

 
Pelo acima exposto se espera vida dura para o executivo que parte com uma equipa mais curta, menos experiente e com muito para provar.
 
Da oposição espera-se que cumpra o seu mandato de forma séria, responsável e mantendo os interesses da comunidade como principio orientador da sua acção política. 
 
Ninguém entenderia que fosse a estratégia política a ditar a intervenção dos vereadores. 
 
Ninguém entenderia que o executivo não levasse o mandato até ao fim. 
 
Ninguém entenderia que não seja quem ganhou que implemente o seu programa.
 
Até já!!!!

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
14
Out 17

Fafe PS Obrigado

 


publicado por blogmontelongo às 18:00
11
Out 17

Opinião de Ricardo Gonçalves de publicada no seu blog:

PS Raul Cunha Fafe 2017

 


Raul Cunha ganhou!

Mais do que o PS. Mais do que a família Summavielle. Mais do que o "PS de Lisboa". Quem fez a diferença nestas eleições foi mesmo Raul Cunha. O mais político dos não-políticos deu uma lição aos catedráticas dessa arte.
 
Numa noite eleitoral em que não vislumbro claros derrotados e em que, após uma campanha com episódios lamentáveis (especialmente nas redes sociais), a pequena diferença entre os dois primeiros classificados poderia levantar questões, o que se passou foi de grande maturidade democrática.
 
Excepção a isso foi um excerto de um comentário da candidata do PS à junta de freguesia de Fafe em que dizia "Lamento que Fafe não queira mais e melhor", demonstrando falta de humildade e de sentido democrático mas desculpável por ter sido proferido muito a quente.
 
Foi uma boa eleição. Espero que se siga um processo que conduza à governabilidade do nosso concelho. Não, necessariamente, uma coligação parecida com a do último mandato mas que seja encontrado o caminho que proporcione "águas calmas" à governação.
 
À primeira vista, os eleitos pelo PS constituem uma equipa mais frágil do que a anterior mas, obviamente, têm de ter tempo para mostrarem o que valem. Da oposição deverá vir uma debandada nos eleitos e espero para ver quem irá assumir o lugar para o qual foi eleito. Deles se espera uma acção combativa mas leal colocando, sempre, o interesse de todos nós à frente de querelas politicas.
 
Uma palavra para as muitas dezenas de candidatos que deram a cara pela sua terra, dedicaram o seu tempo, a sua energia, as suas ideias, o seu trabalho para nos permitir escolher. Tão importantes como os que ganharam foram os que se apresentaram a votos. À Câmara, à Assembleia Municipal, às Assembleias de freguesia. Muito obrigado a todos.
 
Agora vamos ao trabalho!
 
Até já!!!!

PS: fui alertado para uma declaração postada no Facebook pelo candidato do PSD à junta de Fafe cujo teor era muito idêntico ao da candidata do PS. É verdade, por isso, escrevo estas linhas. Não retira nada ao que disse. Apenas acrescenta outro sinal de mau perder. Peço desculpa pela incorrecção.

publicado por blogmontelongo às 18:00
07
Out 17

Opinião de Hernâni Von Doellinger publicada no seu blog:

 

A Mocidade Portuguesa era uma organização juvenil do Estado Novo e, em certo sentido-descansar-à vontade, complementava ou concorria na paz do Senhor com os escuteiros de que a Igreja Católica resolvera tomar conta, pelo sim e pelo não. Para os devidos efeitos, e a bem da Nação, a Mocidade Portuguesa era fascista, embora a rapaziada não fizesse ideia, e os escuteiros eram, nas desbragadas palavras do humorista brasileiro Juca Chaves, "um bando de garotos vestidos de idiotas, comandados por um idiota vestido de garoto". Consta que Juca Chaves teve de pedir desculpas por esta tirada...
Mas vamos ao que interessa: Fafe. Fafe dos anos sessenta do século passado, no vestíbulo da Revolução. Naquele tempo Fafe era uma terra tão fascista como todas as outras terras de Portugal, mas, convém não esquecer, muito mais antifascista do que a maioria. Fafe tinha evidentemente Legião Portuguesa, Mocidade, Concordata, União Nacional, grémios, casas do povo, chapéu na mão, fascistas desde pequeninos, salazaristas mais que o próprio, bufos da Pide, falsos bufos da Pide, simples filhos da puta e regedores de pistola à cinta, mas tinha também a Fábrica do Ferro, o Bugio, operários informados, comunistas, associações culturais, grupos de teatro, jornais, o Senhor Teixeira e Castro, gente a querer saber, o Senhor Maciel, o Teatro-Cinema, a Dona Laura Summavielle, o Major Miguel Ferreira, dezenas de presos políticos, o Café Avenida, o Senhor Saldanha, o Senhor Ferreira do Hospital, outros senhores saldanhas e ferreiras do hospital de quem não sei ou não me lembro agora. Fafe teve mártires do fascismo. Procurem-nos na antiga Feira Velha: estão lá dois nomes importantes - Joaquim Lemos de Oliveira, o Repas, e Gervásio da Costa, fafenses que deram a vida pela Liberdade. Foram assassinados pela Pide.

O nomes continuam lá, não continuam? A praça foi baptizada por causa deles, dos nossos, fafenses, Mártires do Fascismo. O Repas e o Gervásio. Não era uma homenagem urbi et orbi a todos os mártires de todos os fascismos, de todos os sítios e de todos os tempos. Os nomes dos nossos continuam lá na nossa praça, não continuam? Digam-me que sim, por favor, nem que seja mentira...

A Mocidade Portuguesa (Organização Nacional Mocidade Portuguesa) tinha bandeiras dos Heróis do Mar e as bandeiras chamavam-se pendões ou estandartes, tinha fardas catitas, toques de clarim e toque de caixa, cintos com S de Salazar na fivela, comandantes-de-castelo, saudação nazi-fascista e hino privativo, Lá vamos, cantando e rindo, levados, levados, sim. Tinha também umas mochilas de lona muito jeitosas e acampamentos, e eu invejava a vida daquela moçarada. E tinha a Chama, assim com capitular.
A Chama era um sarau realizado ao ar livre e à volta de uma fogueira com as achas obsessivocompulsivamente organizadas num círculo mais que perfeito: diziam-se poemas, cantava-se, representava-se teatrinho, ensinavam-se urbanidades, exaltava-se o amor à Pátria. Uma vez houve uma Chama nas traseiras da Escola Industrial, aquele pequeno terreiro hoje esmagado pelo anfiteatro da Biblioteca Municipal de Fafe, o que demonstra mais uma vez que, como dizia o saudoso Eduardo Guerra Carneiro, "isto anda tudo ligado". Era do lado da frente da escola, actualmente jardim da Casa da Cultura, que a Mocidade montava formatura ao fim-de-semana, para depois arruar vila adiante, e eu atrás, de passo certo, levado, levado sim...
Mas a tal Chama. Eu fui ver. Do meu Santo Velho ao Santo Novo, onde ficava a Escola Industrial, eram campos de milho e árvores de fruta, para além de uma ou duas ramadas de uvas de onde, na época, gaipelávamos a bom gaipelar até nos desfazermos em tremendas caganeiras, com licença de vosselências. Por aí ia. A meio do caminho havia uma nora, mais à frente um mina já com motor, e o que eu gostava de carregar no botão verde e pôr a geringonça a aguar, sufocando-a logo a seguir com o botão vermelho, para fugir dali a cem à hora, antes que quem de direito desse pelo basqueiro e corresse a esticar-me o orelhame...

Queria também contar o que se segue, porque esta memória não me larga: o velho edifício onde funcionava a Escola Industrial tinha uma espécie de túnel, obra em arco, baixinho, esconso, escuro, por onde se passava de um lado para o outro, das traseiras para a frente ou vice-versa, e ali se faziam umas belas emboscadas para apalpar moças, infelizmente com mais vontade do que jeito. Hoje chamam àquilo tudo Avenida das Forças Armadas e é bem feito.

A Chama foi uma merda. Os miúdos (mais velhos do que eu, é preciso que se note) representavam muito mal, os poeminhas eram lengalengas, as cantigas desafinadas, e pela primeira vez na minha vida a começar assisti a uma branca: uma menina ou um menino tinha decorado qualquer coisa para dizer mas não se lembrava de quê - e, depois de várias tentativas a seco, encharcou definitivamente e desatou a chorar. Fiquei triste com ele (ou ela), mas não fiquei freguês.

P.S. - Especialistas em fivelas de cintos garantem que o S nas fivelas dos cintos da Mocidade Portuguesa não tinha nada a ver com Salazar, posto que quereria dizer, isso sim, "Servir no Sacrifíco" ou somente "Servir". Poissssss! As SS eram a Segurança Social de Hitler e o Z não é de Zorro mas de Zeferino...


publicado por blogmontelongo às 18:00
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Obrigada "h" pela atenção. Já se corrigiu o erro.
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